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Transtornos do sono

Insônia: por que acontece e como tratar

Ficar rolando na cama, acordar de madrugada e não voltar a dormir, levantar cansado. A insônia é um dos problemas de saúde mais comuns e, quando se torna crônica, tem tratamento específico e eficaz.

5 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. O que é insônia, exatamente?
  3. Qual a diferença entre insônia aguda e crônica?
  4. Quais são as causas mais comuns da insônia?
  5. Por que a insônia continua mesmo depois que o problema passa?
  6. Quais são as consequências da insônia crônica?
  7. Como se trata a insônia?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • Insônia é a dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou acordar cedo demais, mesmo com oportunidade de dormir, com prejuízo no dia seguinte.
  • Cerca de 1 em cada 3 adultos tem sintomas de insônia em algum momento; perto de 10% têm insônia crônica.
  • É considerada crônica quando acontece 3 ou mais noites por semana, por 3 meses ou mais.
  • A insônia costuma começar com um gatilho (estresse, doença), mas se mantém por hábitos e medo de não dormir.
  • O tratamento de primeira escolha é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), antes dos remédios.

O que é insônia, exatamente?

Insônia não é só "dormir pouco". É a queixa de sono insatisfatório que aparece de uma ou mais formas:

  • Dificuldade para pegar no sono (demorar mais de 30 minutos, com frequência).
  • Dificuldade para manter o sono, acordando várias vezes ou por longos períodos.
  • Despertar precoce, acordando muito antes do horário e não conseguindo voltar a dormir.

Para ser insônia, isso precisa acontecer mesmo havendo tempo e ambiente adequados para dormir e trazer consequências durante o dia: cansaço, irritação, dificuldade de concentração, erros no trabalho, sonolência ou preocupação constante com o sono.

Uma pessoa que dorme 6 horas e acorda bem pode ser apenas uma "dormidora curta". Já quem dorme 7 horas, mas acorda exausto e preocupado, pode ter insônia.

Qual a diferença entre insônia aguda e crônica?

TipoDuraçãoCausa comumO que fazer
Aguda (passageira)Dias a semanas, menos de 3 mesesEstresse, luto, viagem, doença, mudança de rotinaCuidar dos hábitos, não "brigar" com o sono; geralmente melhora sozinha
Crônica3 ou mais noites por semana por 3 meses ou maisGatilho inicial + hábitos e pensamentos que mantêm o problemaTratamento específico, de preferência TCC-I

Quase todo mundo terá insônia aguda em alguma fase da vida. O problema é quando ela não vai embora depois que o gatilho passou.

Quais são as causas mais comuns da insônia?

GrupoExemplos
EmocionaisAnsiedade, depressão, estresse no trabalho, luto, conflitos, trauma
HábitosHorários irregulares, celular na cama, cochilos longos, ficar muito tempo deitado acordado
SubstânciasCafeína (café, energético, refrigerante de cola, chá preto e mate), álcool, nicotina, outras drogas
RemédiosAlguns antidepressivos, corticoides, descongestionantes, remédios para asma ou para emagrecer
DoençasDor crônica, refluxo, hipertireoidismo, asma, vontade frequente de urinar, menopausa
Outros distúrbios do sonoApneia do sono, síndrome das pernas inquietas, atraso do relógio biológico
AmbienteBarulho, luz, calor, cama desconfortável, parceiro que ronca, trabalho em turnos

Por isso, a avaliação da insônia sempre investiga outras causas que precisam de tratamento próprio, como a apneia do sono e outros distúrbios do sono.

Por que a insônia continua mesmo depois que o problema passa?

Os especialistas explicam a insônia crônica pelo modelo dos 3 Ps:

  1. Predisposição: algumas pessoas têm um sistema de alerta mais sensível, tendência a se preocupar ou histórico familiar de insônia.
  2. Precipitação: um acontecimento dispara as noites ruins (demissão, separação, bebê, doença).
  3. Perpetuação: para "compensar", a pessoa passa a ir para a cama mais cedo, fica mais tempo deitada, cochila, toma café a mais, olha o relógio e se preocupa com o sono.

Esses comportamentos de compensação são compreensíveis, mas mantêm a insônia. A cama vira o lugar de ficar acordado e preocupado, e o cérebro aprende a associar quarto e alerta. A frase típica é: "estou morto de sono no sofá, mas quando deito, desperto".

O medo de não dormir também ativa o sistema de estresse, e quanto mais a pessoa se esforça para dormir, mais difícil fica. O sono não é algo que se força: é algo que se permite.

Quais são as consequências da insônia crônica?

  • Saúde mental: aumento do risco de depressão (cerca de duas vezes), ansiedade e uso abusivo de álcool e remédios. Veja sono e saúde mental.
  • Cognição: falhas de memória, atenção e tomada de decisão.
  • Trabalho: faltas, queda de desempenho e mais acidentes.
  • Corpo: associação com pressão alta, problemas metabólicos e piora da dor crônica.
  • Qualidade de vida: irritabilidade, menos paciência com a família, sensação de estar "funcionando no limite".

Como se trata a insônia?

As diretrizes europeia e americana são claras: o tratamento de primeira escolha para insônia crônica em adultos é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). Ela funciona em cerca de 70 a 80% das pessoas e os benefícios se mantêm depois que o tratamento termina, o que não acontece com os remédios.

A TCC-I combina várias técnicas: controle de estímulos, restrição do tempo na cama, reestruturação de pensamentos sobre o sono, relaxamento e educação sobre o sono. Veja como funciona em terapia para insônia.

Remédios podem ser usados por pouco tempo, em situações específicas, sempre com orientação médica. Entenda os riscos em remédios para dormir.

Hábitos saudáveis de sono, sozinhos, raramente resolvem uma insônia crônica. Eles ajudam, mas o tratamento eficaz vai além da higiene do sono.

Perguntas frequentes

Insônia tem cura?

Na maioria dos casos, sim. A TCC-I leva a uma melhora importante em 70 a 80% das pessoas, e muitas deixam de ter insônia. Pode haver recaídas em fases de estresse, que costumam ser mais curtas quando a pessoa já aprendeu as técnicas.

Acordar às 3 da manhã todo dia é normal?

Acordar brevemente durante a noite é normal. Se você acorda e não consegue voltar a dormir por muito tempo, com frequência, pode ser insônia de manutenção ou despertar precoce, comuns na ansiedade e na depressão.

Quanto tempo é normal demorar para dormir?

Em geral, até 20 a 30 minutos. Demorar mais que isso na maioria das noites, com cansaço no dia seguinte, merece atenção.

Insônia é genética?

Existe uma predisposição familiar, mas ela não determina sozinha. Hábitos, estresse e a forma de lidar com as noites ruins pesam muito.

Que médico trata insônia?

O clínico ou médico de família pode começar a avaliação. Psiquiatras, neurologistas e médicos do sono tratam casos mais complexos, e psicólogos treinados aplicam a TCC-I.

Referências

  1. Riemann D, Espie CA, Altena E, et al. The European Insomnia Guideline: an update on the diagnosis and treatment of insomnia 2023. Journal of Sleep Research, 2023. Disponível em: The European Insomnia Guideline 2023 (Journal of Sleep Research).
  2. Edinger JD, Arnedt JT, Bertisch SM, et al. Behavioral and psychological treatments for chronic insomnia disorder in adults: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. Journal of Clinical Sleep Medicine, 2021. Disponível em: Behavioral and psychological treatments for chronic insomnia (AASM/JCSM).
  3. Baglioni C, Battagliese G, Feige B, et al. Insomnia as a predictor of depression: a meta-analytic evaluation of longitudinal epidemiological studies. Journal of Affective Disorders, 2011. Disponível em: Insomnia as a predictor of depression (J Affect Disord).
  4. Scott AJ, Webb TL, Martyn-St James M, et al. Improving sleep quality leads to better mental health: a meta-analysis of randomised controlled trials. Sleep Medicine Reviews, 2021. Disponível em: Improving sleep quality leads to better mental health (Sleep Med Rev).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6