Resumo rápido
- Na apneia obstrutiva do sono, a garganta se fecha várias vezes durante a noite, interrompendo a respiração e o sono.
- Estima-se que quase 1 bilhão de adultos no mundo tenham algum grau de apneia; em São Paulo, um estudo encontrou apneia em cerca de 1 em cada 3 adultos.
- Sinais típicos: ronco alto, pausas na respiração percebidas por outra pessoa, sonolência durante o dia e acordar cansado.
- Sem tratamento, aumenta o risco de pressão alta, AVC, arritmias, acidentes, depressão e problemas de memória.
- O diagnóstico é feito com polissonografia e o tratamento principal é o CPAP, além de perda de peso e outras opções.
O que acontece durante a apneia do sono?
Durante o sono, os músculos da garganta relaxam. Em quem tem apneia obstrutiva, a via aérea se estreita ou fecha por alguns segundos (às vezes mais de 1 minuto). O oxigênio no sangue cai, o cérebro percebe o perigo e provoca um microdespertar para reabrir a garganta, geralmente com um ronco forte ou engasgo.
Isso pode se repetir dezenas de vezes por hora, sem que a pessoa se lembre. O sono fica fragmentado e superficial, e o corpo passa a noite sob estresse, com picos de adrenalina e de pressão.
A gravidade é medida pelo índice de apneia e hipopneia (IAH), o número de eventos por hora de sono:
| IAH (eventos por hora) | Classificação |
|---|---|
| Menos de 5 | Normal |
| 5 a 14 | Leve |
| 15 a 29 | Moderada |
| 30 ou mais | Grave |
Quais são os sinais de apneia do sono?
| Durante a noite | Durante o dia |
|---|---|
| Ronco alto e frequente | Sonolência excessiva, cochilar sem querer |
| Pausas na respiração percebidas por outra pessoa | Acordar cansado, como se não tivesse dormido |
| Engasgos ou acordar com sensação de sufocamento | Dor de cabeça pela manhã |
| Levantar várias vezes para urinar | Dificuldade de concentração e memória |
| Sono agitado, suor noturno | Irritabilidade, desânimo, humor deprimido |
| Boca seca ao acordar | Diminuição da libido |
Nem toda pessoa que ronca tem apneia, e nem toda pessoa com apneia ronca muito. Mulheres e pessoas magras também podem ter apneia, muitas vezes com sintomas menos típicos, como insônia e cansaço.
Quem tem mais risco de apneia?
- Excesso de peso, especialmente gordura no pescoço e na barriga.
- Homens e mulheres após a menopausa.
- Idade acima de 40 a 50 anos.
- Pressão alta de difícil controle.
- Anatomia: mandíbula pequena ou recuada, amígdalas grandes, desvio de septo, nariz entupido com frequência.
- Álcool e sedativos à noite, que relaxam ainda mais a garganta.
- Tabagismo.
Um questionário muito usado para triagem é o STOP-Bang, que soma pontos para ronco, cansaço, pausas observadas, pressão alta, IMC acima de 35, idade acima de 50, pescoço largo e sexo masculino. Quanto mais pontos, maior a chance de apneia moderada a grave.
Apneia do sono pode causar depressão e ansiedade?
A apneia está associada a mais depressão, irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração. Os motivos incluem o sono fragmentado, a queda repetida do oxigênio e a sonolência constante, que reduz a energia e o prazer nas atividades.
Muitas vezes, a pessoa é tratada por anos para "depressão resistente" ou "insônia" quando, na verdade, a apneia não diagnosticada contribui para os sintomas. Por outro lado, alguns sedativos usados para dormir podem piorar a apneia.
Por isso, quem tem cansaço, desânimo e sono ruim e também ronca ou tem fatores de risco deve conversar com o médico sobre a investigação. Veja a relação entre sono e humor em sono e saúde mental.
Como é feito o diagnóstico?
O exame principal é a polissonografia, que registra durante a noite a respiração, o oxigênio no sangue, os batimentos do coração, as fases do sono e os movimentos.
| Exame | Como é | Para quem |
|---|---|---|
| Polissonografia no laboratório | A pessoa dorme uma noite em uma clínica do sono, com vários sensores | Casos com dúvida diagnóstica, outras doenças associadas ou suspeita de outros distúrbios |
| Poligrafia domiciliar | Aparelho portátil usado em casa, com menos sensores | Suspeita de apneia moderada a grave sem outras complicações |
O pedido pode ser feito pelo médico de família, clínico, pneumologista, otorrinolaringologista, neurologista ou médico do sono.
Como se trata a apneia do sono?
| Tratamento | Para quem | Como funciona |
|---|---|---|
| CPAP | Principal tratamento da apneia moderada e grave | Máscara ligada a um aparelho que manda ar com pressão e mantém a garganta aberta |
| Perda de peso | Pessoas com excesso de peso | Reduz a gravidade e, em alguns casos, resolve a apneia |
| Aparelho intraoral | Apneia leve a moderada ou quem não se adapta ao CPAP | Placa feita por dentista especializado que avança a mandíbula |
| Terapia posicional | Apneia que piora ao dormir de barriga para cima | Dispositivos que estimulam dormir de lado |
| Cirurgia | Casos selecionados, com alterações anatômicas | Amígdalas, nariz, mandíbula ou estimulador do nervo da língua |
| Evitar álcool e sedativos | Todos | Reduz o relaxamento da garganta durante o sono |
O CPAP exige um período de adaptação, mas quem usa todas as noites costuma relatar mais disposição, melhor humor e concentração em poucas semanas.
Se você cochila ao dirigir, não dirija até ser avaliado. A sonolência da apneia é uma causa importante de acidentes de trânsito.
Perguntas frequentes
Todo ronco é apneia?
Não. Muitas pessoas roncam sem ter apneia. O sinal de alerta é ronco alto com pausas na respiração, engasgos ou sonolência durante o dia.
Apneia do sono tem cura?
Em algumas pessoas, a perda de peso ou uma cirurgia podem resolver. Na maioria, a apneia é controlada com tratamento contínuo, como o CPAP, que elimina os eventos enquanto é usado.
CPAP é para a vida toda?
Em geral, enquanto a causa persistir. Mudanças como perda de peso importante podem permitir reavaliar a necessidade com novo exame.
O SUS faz polissonografia e fornece CPAP?
A polissonografia está disponível no SUS em alguns serviços, e o acesso ao CPAP varia conforme o estado e o município. A UBS é a porta de entrada para o encaminhamento.
Remédio para dormir pode piorar a apneia?
Sim. Sedativos e álcool relaxam a musculatura da garganta e podem aumentar as pausas respiratórias. Informe o médico se você ronca antes de usar qualquer remédio para dormir.
Referências
- Benjafield AV, Ayas NT, Eastwood PR, et al. Estimation of the global prevalence and burden of obstructive sleep apnoea: a literature-based analysis. The Lancet Respiratory Medicine, 2019. Disponível em: Global prevalence and burden of obstructive sleep apnoea (Lancet Respir Med).
- Tufik S, Santos-Silva R, Taddei JA, Bittencourt LR. Obstructive sleep apnea syndrome in the Sao Paulo Epidemiologic Sleep Study. Sleep Medicine, 2010. Disponível em: Obstructive sleep apnea in the Sao Paulo Epidemiologic Sleep Study (Sleep Medicine).
- Sateia MJ, Buysse DJ, Krystal AD, et al. Clinical practice guideline for the pharmacologic treatment of chronic insomnia in adults: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. Journal of Clinical Sleep Medicine, 2017. Disponível em: Pharmacologic treatment of chronic insomnia in adults (AASM/JCSM).
- Watson NF, Badr MS, Belenky G, et al. Recommended amount of sleep for a healthy adult: a joint consensus statement of the American Academy of Sleep Medicine and Sleep Research Society. Journal of Clinical Sleep Medicine, 2015. Disponível em: Recommended amount of sleep for a healthy adult (AASM/SRS).
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

