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Transtornos do sono

Outros distúrbios do sono: pesadelos, sonambulismo e mais

Nem todo problema de sono é insônia. Pesadelos frequentes, pernas que não param, falar ou se debater dormindo e sono fora de hora têm causas e tratamentos próprios. Veja os principais.

5 min de leitura
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  1. Resumo rápido
  2. Quais são os principais grupos de distúrbios do sono?
  3. Pesadelos frequentes são normais?
  4. O que são sonambulismo, terror noturno e paralisia do sono?
  5. O que é a síndrome das pernas inquietas?
  6. Ranger os dentes à noite é um problema de sono?
  7. E quem tem sono "fora de hora"?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • A medicina do sono reconhece dezenas de distúrbios, agrupados em insônias, distúrbios respiratórios, hipersonias, alterações do relógio biológico, parassonias e distúrbios de movimento.
  • Pesadelos frequentes são comuns no estresse e no trauma e têm tratamento psicológico eficaz.
  • A síndrome das pernas inquietas está muitas vezes ligada à falta de ferro e tem tratamento.
  • Gritar, se debater ou "lutar" durante os sonhos em adultos mais velhos deve ser avaliado por um especialista.
  • Sonolência excessiva persistente, mesmo dormindo bem, pode indicar narcolepsia ou outra hipersonia.

Quais são os principais grupos de distúrbios do sono?

GrupoExemplos
InsôniasInsônia aguda e crônica; veja insônia
Distúrbios respiratóriosApneia do sono, ronco
HipersoniasNarcolepsia, hipersonia idiopática
Distúrbios do ritmo circadianoAtraso de fase, trabalho em turnos, jet lag
ParassoniasPesadelos, terror noturno, sonambulismo, distúrbio comportamental do sono REM, paralisia do sono
Distúrbios de movimentoSíndrome das pernas inquietas, movimentos periódicos dos membros, bruxismo

Pesadelos frequentes são normais?

Pesadelos ocasionais são normais, principalmente em fases de estresse. Fala-se em transtorno de pesadelos quando eles são frequentes, causam medo de dormir, prejudicam o sono e o dia.

São muito comuns no estresse pós-traumático, na ansiedade, na depressão e com alguns remédios (inclusive a retirada de álcool e de certos antidepressivos).

O tratamento psicológico mais recomendado é a terapia de ensaio de imagens (imagery rehearsal therapy): a pessoa escreve o pesadelo, muda o enredo para um final diferente, menos ameaçador, e ensaia mentalmente a nova versão por alguns minutos todos os dias. Com o tempo, o pesadelo perde força. Quando há trauma, a terapia focada no trauma também é indicada. Alguns remédios podem ser usados em casos específicos, com orientação médica.

O que são sonambulismo, terror noturno e paralisia do sono?

DistúrbioComo éQuem tem maisO que fazer
SonambulismoLevantar e andar dormindo, sem lembrar depoisCrianças; pode persistir em adultosDeixar o ambiente seguro (trancar portas e janelas, tirar objetos do caminho), dormir o suficiente, reduzir estresse e álcool
Terror noturnoAcordar de repente gritando, assustado, suado, sem responder; não lembra depoisCrianças de 3 a 7 anosNão tentar acordar à força; garantir segurança; costuma passar com a idade
Paralisia do sonoAcordar sem conseguir se mexer por segundos a minutos, às vezes com sensação de presença ou imagensAdultos jovens, privação de sono, horários irregularesRegularizar o sono; saber que é benigna e passageira ajuda a reduzir o medo
Distúrbio comportamental do sono REM"Encenar" os sonhos: socar, chutar, gritar, cair da camaHomens acima de 50 anosProcurar neurologista ou médico do sono: pode anteceder, em anos, doenças como Parkinson

Episódios que causam ferimentos, acontecem muitas vezes por semana ou começam na vida adulta devem ser avaliados por um especialista.

O que é a síndrome das pernas inquietas?

É uma vontade incontrolável de mexer as pernas, geralmente com sensações desconfortáveis (formigamento, repuxar, "bichinhos andando"), que:

  • Aparece ou piora em repouso, sentado ou deitado.
  • Melhora com o movimento, como andar ou alongar.
  • É pior no fim da tarde e à noite, atrapalhando o início do sono.

Está associada a falta de ferro, gravidez, doença renal crônica, neuropatias e alguns remédios (alguns antidepressivos, antialérgicos sedativos e antipsicóticos). A diretriz americana de 2024 recomenda dosar o ferro e repor quando a ferritina estiver baixa (até 75 ng/mL ou saturação de transferrina abaixo de 20%). Alguns remédios, como gabapentina e pregabalina, são opções; os agonistas de dopamina, muito usados antes, hoje são menos indicados por causa do risco de piora paradoxal com o tempo.

Medidas que ajudam: reduzir cafeína, álcool e nicotina, alongar as pernas, massagem, banho morno e atividade física regular.

Ranger os dentes à noite é um problema de sono?

O bruxismo do sono é o ato de ranger ou apertar os dentes durante a noite. Pode causar desgaste dos dentes, dor na mandíbula e no rosto e dor de cabeça ao acordar.

Ele está associado a estresse e ansiedade, cafeína, álcool, tabagismo, alguns antidepressivos e à apneia do sono. O tratamento envolve o dentista, que pode indicar uma placa de proteção, além do manejo do estresse e da investigação de apneia quando há ronco.

E quem tem sono "fora de hora"?

  • Atraso de fase do sono: a pessoa só consegue dormir muito tarde (2h, 3h da manhã) e tem enorme dificuldade de acordar cedo, mas dorme bem quando segue seus próprios horários. É muito comum em adolescentes e jovens. O tratamento envolve luz forte pela manhã, menos luz à noite, horários regulares e, às vezes, melatonina em horário específico, com orientação.
  • Trabalho em turnos: insônia e sonolência por trabalhar à noite ou em escalas variáveis. Ajudam: escurecer totalmente o quarto para dormir de dia, horários fixos sempre que possível e cochilo antes do plantão.
  • Narcolepsia: sonolência intensa durante o dia, ataques de sono, perda súbita de força muscular com emoções fortes (cataplexia), paralisia do sono e alucinações ao adormecer. Exige avaliação de um médico do sono.

Sonolência que faz você cochilar dirigindo, trabalhando ou conversando nunca deve ser ignorada. Procure avaliação médica e evite dirigir até lá.

Perguntas frequentes

Falar dormindo é perigoso?

Na maioria das vezes, não. Falar dormindo (sonilóquio) é comum e benigno. Se vier com gritos, socos ou quedas da cama, especialmente após os 50 anos, procure avaliação.

Devo acordar um sonâmbulo?

Não é perigoso, mas costuma deixar a pessoa confusa. O melhor é conduzi-la calmamente de volta para a cama e garantir que o ambiente seja seguro.

Pernas inquietas tem cura?

Quando há uma causa tratável, como falta de ferro, os sintomas podem desaparecer. Nos outros casos, o tratamento controla bem os sintomas na maioria das pessoas.

Paralisia do sono é espiritual?

Do ponto de vista médico, é um fenômeno do sono REM: o cérebro desperta antes de o corpo sair da paralisia natural dos sonhos. É benigna e mais comum com privação de sono e estresse.

Que especialista procurar?

O médico de família pode iniciar a avaliação. Médicos do sono, neurologistas, pneumologistas, otorrinolaringologistas, psiquiatras e dentistas atuam conforme o problema.

Referências

  1. Morgenthaler TI, Auerbach S, Casey KR, et al. Position paper for the treatment of nightmare disorder in adults: an American Academy of Sleep Medicine position paper. Journal of Clinical Sleep Medicine, 2018. Disponível em: Treatment of nightmare disorder in adults (JCSM).
  2. Winkelman JW, Berkowski JA, DelRosso LM, et al. Treatment of restless legs syndrome and periodic limb movement disorder: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. Journal of Clinical Sleep Medicine, 2025. Disponível em: Treatment of restless legs syndrome: AASM guideline (JCSM).
  3. Riemann D, Espie CA, Altena E, et al. The European Insomnia Guideline: an update on the diagnosis and treatment of insomnia 2023. Journal of Sleep Research, 2023. Disponível em: The European Insomnia Guideline 2023 (Journal of Sleep Research).
  4. Watson NF, Badr MS, Belenky G, et al. Recommended amount of sleep for a healthy adult: a joint consensus statement of the American Academy of Sleep Medicine and Sleep Research Society. Journal of Clinical Sleep Medicine, 2015. Disponível em: Recommended amount of sleep for a healthy adult (AASM/SRS).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6