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Ansiedade

Tratamento da ansiedade: o que funciona de verdade

Ansiedade tem tratamento eficaz, e não precisa ser uma coisa só. Veja como funcionam as terapias, quando entram os remédios e qual é o papel dos hábitos.

5 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. Como o tratamento é organizado?
  3. Como funciona a terapia cognitivo-comportamental?
  4. Por que enfrentar o medo é tão importante?
  5. Existem outras terapias que ajudam?
  6. Quando os remédios entram?
  7. Qual é o papel dos hábitos?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é o tratamento psicológico com mais evidência para os transtornos de ansiedade.
  • A exposição gradual ao que dá medo é um dos ingredientes mais potentes do tratamento.
  • Os remédios de primeira linha são antidepressivos do tipo ISRS e IRSN. Calmantes devem ser usados por pouco tempo e com cautela.
  • Atividade física, sono, menos cafeína e álcool e práticas como mindfulness potencializam o tratamento.
  • O tratamento costuma seguir degraus: começa pelo mais simples e intensifica conforme a necessidade.

Como o tratamento é organizado?

Diretrizes como a do NICE, do Reino Unido, organizam o cuidado em degraus, do mais simples ao mais intensivo:

DegrauPara quemO que inclui
1Sintomas leves ou suspeita de transtornoInformação sobre ansiedade, acompanhamento, mudança de hábitos
2Sintomas que persistemAutoajuda guiada (livros, programas e aplicativos baseados em TCC), grupos psicoeducativos
3Prejuízo importante ou sem melhoraPsicoterapia individual (TCC) ou remédio, conforme preferência e avaliação
4Casos graves, complexos ou com riscoEquipe especializada, combinação de terapia e remédios, CAPS

Isso significa que nem todo mundo precisa começar com remédio, e que não melhorar com uma estratégia não significa que nada vai funcionar.

Como funciona a terapia cognitivo-comportamental?

A TCC parte da ideia de que pensamentos, emoções, sensações do corpo e comportamentos se influenciam o tempo todo. Ela é estruturada, focada no presente e costuma durar de 12 a 20 sessões, com tarefas entre as sessões. Os principais componentes são:

  • Psicoeducação: entender o que é a ansiedade e por que os sintomas acontecem.
  • Reestruturação cognitiva: identificar pensamentos catastróficos ("vou passar mal e todos vão rir") e testá-los contra os fatos.
  • Exposição gradual: enfrentar aos poucos, de forma planejada, as situações e sensações evitadas, até que o medo diminua.
  • Redução de comportamentos de segurança: abandonar aos poucos as "muletas" que mantêm o medo.
  • Treino de tolerância à incerteza, especialmente na ansiedade generalizada.
  • Prevenção de recaída: um plano para quando os sintomas voltarem.

Uma análise de estudos controlados com placebo mostrou que a TCC tem efeito consistente nos transtornos de ansiedade, com resultados que tendem a se manter depois do fim da terapia.

Por que enfrentar o medo é tão importante?

A exposição é o antídoto do ciclo da evitação. Ela funciona como uma nova aprendizagem: o cérebro descobre, pela experiência, que a situação temida é suportável e que o desastre previsto não acontece.

Ela é feita em uma escada, do mais fácil ao mais difícil. Por exemplo, para quem tem medo de pegar ônibus:

  1. Ver fotos e vídeos de ônibus.
  2. Ficar no ponto observando os ônibus passarem.
  3. Andar uma parada acompanhado.
  4. Andar uma parada sozinho.
  5. Fazer o trajeto completo no horário de pico.

Cada degrau é repetido até a ansiedade diminuir, e só então se passa ao próximo. Feita do jeito certo, a exposição é desafiadora, mas não traumática.

Existem outras terapias que ajudam?

  • Mindfulness (atenção plena): em um estudo publicado em 2023 no *JAMA Psychiatry*, um programa de 8 semanas de redução de estresse baseada em mindfulness teve resultado semelhante ao do escitalopram, um antidepressivo, para transtornos de ansiedade.
  • Terapia de aceitação e compromisso (ACT): trabalha a aceitação das sensações e o foco em valores pessoais.
  • Terapias psicodinâmicas: exploram padrões de relação e conflitos; podem ajudar, com evidência menor que a TCC para ansiedade.
  • Programas digitais e autoajuda guiada baseados em TCC: boa opção para casos leves e moderados.

Conheça as diferenças em tipos de psicoterapia.

Quando os remédios entram?

Os remédios são indicados quando os sintomas são moderados a graves, atrapalham muito a vida, quando a pessoa prefere ou quando a terapia sozinha não foi suficiente. Os principais grupos são:

GrupoExemplosPapel
ISRSSertralina, escitalopram, paroxetina, fluoxetinaPrimeira escolha para tratamento de longo prazo
IRSNVenlafaxina, duloxetinaAlternativa de primeira linha
Pregabalina—Opção na ansiedade generalizada
BenzodiazepínicosClonazepam, alprazolam, diazepamAlívio rápido, mas só por curto prazo, pelo risco de dependência

Os detalhes, inclusive efeitos colaterais e como parar, estão em remédios para ansiedade. Terapia e remédio podem ser combinados.

Qual é o papel dos hábitos?

Hábitos não substituem o tratamento quando há um transtorno, mas potencializam os resultados:

  • Atividade física: uma grande revisão de estudos publicada no *British Journal of Sports Medicine* em 2023 mostrou que a atividade física reduz sintomas de ansiedade e depressão em adultos. Caminhada, corrida, musculação, ioga: o importante é a regularidade.
  • Sono: dormir mal deixa o alarme do cérebro mais sensível. Veja sono e saúde mental.
  • Cafeína: reduzir ou evitar, principalmente depois do almoço.
  • Álcool: alivia na hora e piora a ansiedade nos dias seguintes.
  • Rotina e conexões: horários regulares e pessoas próximas são fatores de proteção.

Para um plano passo a passo, veja o guia prático para lidar com a ansiedade.

Não pare nem mude a dose de remédios por conta própria. Se a ansiedade vier com pensamentos de morte ou de se machucar, procure ajuda imediatamente: CVV 188 (24 horas, gratuito) ou SAMU 192.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura o tratamento da ansiedade?

A TCC costuma ter de 12 a 20 sessões. Os remédios geralmente são mantidos por pelo menos 6 a 12 meses depois da melhora, para reduzir o risco de recaída.

Dá para tratar ansiedade sem remédio?

Sim. Em muitos casos leves e moderados, a psicoterapia e as mudanças de hábito são suficientes. A decisão é feita com o profissional, conforme a gravidade e a sua preferência.

Chás e suplementos funcionam para ansiedade?

Camomila, passiflora e outros têm efeito pequeno ou incerto. Podem fazer parte da rotina, mas não substituem tratamento. Alguns suplementos interagem com remédios; avise o médico.

Aplicativos de meditação ajudam?

Podem ajudar como complemento, principalmente os baseados em mindfulness ou TCC. Para transtornos moderados a graves, não substituem o acompanhamento profissional.

Onde fazer tratamento gratuito?

Pelo SUS, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde. Clínicas-escola de psicologia e os CAPS também atendem. Veja o artigo sobre atendimento gratuito em saúde mental.

Referências

  1. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113). Londres, 2011 (atualizado 2020). Disponível em: Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults (NICE).
  2. Carpenter JK, Andrews LA, Witcraft SM, et al. Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: a meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety, 2018. Disponível em: CBT for anxiety and related disorders: meta-analysis (Depression and Anxiety).
  3. Hoge EA, Bui E, Mete M, et al. Mindfulness-based stress reduction vs escitalopram for the treatment of adults with anxiety disorders: a randomized clinical trial. JAMA Psychiatry, 2023. Disponível em: Mindfulness-based stress reduction vs escitalopram (JAMA Psychiatry).
  4. Singh B, Olds T, Curtis R, et al. Effectiveness of physical activity interventions for improving depression, anxiety and distress: an overview of systematic reviews. British Journal of Sports Medicine, 2023. Disponível em: Physical activity for depression, anxiety and distress (BJSM).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6