Resumo rápido
- Na depressão leve, psicoterapia, ativação comportamental, atividade física e autoajuda guiada costumam ser a primeira escolha.
- Na depressão moderada a grave, a combinação de psicoterapia com antidepressivo é a mais eficaz.
- Um estudo de 2024 no *BMJ* mostrou que caminhada, corrida, musculação e ioga reduzem sintomas de depressão.
- Quando dois tratamentos não funcionam, há opções para depressão resistente, como ajuste de remédios, estimulação magnética e eletroconvulsoterapia.
- O tratamento deve continuar por meses após a melhora para prevenir recaídas.
Como a gravidade muda o tratamento?
A diretriz do NICE, de 2022, organiza as opções de acordo com a gravidade e a preferência da pessoa:
| Gravidade | Opções mais indicadas |
|---|---|
| Menos grave (leve) | Autoajuda guiada com TCC, ativação comportamental, TCC em grupo, atividade física em grupo, mindfulness, terapia de resolução de problemas. Antidepressivo não é a primeira escolha de rotina |
| Mais grave (moderada a grave) | Combinação de TCC individual e antidepressivo; TCC ou ativação comportamental individual; antidepressivo; terapia interpessoal; psicoterapia psicodinâmica breve |
| Depressão com sintomas psicóticos ou risco alto | Atendimento especializado, muitas vezes com antidepressivo associado a antipsicótico e acompanhamento próximo |
Em todos os casos, a escolha deve ser compartilhada: o profissional explica as opções e a pessoa participa da decisão.
Quais psicoterapias funcionam para depressão?
| Abordagem | Como funciona |
|---|---|
| Terapia cognitivo-comportamental (TCC) | Identifica e testa pensamentos negativos automáticos e muda comportamentos que mantêm a depressão |
| Ativação comportamental | Retoma aos poucos atividades que dão prazer e sentido, quebrando o ciclo de inércia. Veja o guia prático |
| Terapia interpessoal | Foca em relações, conflitos, transições de papel e luto |
| Terapia de resolução de problemas | Ensina a dividir problemas grandes em passos manejáveis |
| Psicoterapia psicodinâmica breve | Explora padrões emocionais e de relação que se repetem |
| Terapia cognitiva baseada em mindfulness | Muito usada para prevenir recaídas em quem já teve vários episódios |
Em geral, são 8 a 20 sessões para um episódio, com variações. Conheça as diferenças em tipos de psicoterapia.
Quando usar antidepressivo?
Os antidepressivos são especialmente úteis na depressão moderada e grave, na depressão recorrente e quando a psicoterapia sozinha não foi suficiente. Uma grande análise publicada no *The Lancet* em 2018, com 522 estudos e mais de 116 mil pessoas, mostrou que todos os 21 antidepressivos avaliados foram mais eficazes que o placebo em adultos com depressão maior.
Eles levam de 2 a 6 semanas para começar a fazer efeito, e a melhora continua nos meses seguintes. Os mais usados como primeira escolha são os ISRS, como sertralina, escitalopram e fluoxetina. Veja tudo em antidepressivos.
Atividade física trata depressão?
Sim, como parte do tratamento. Uma revisão com mais de 200 estudos publicada no *BMJ* em 2024 mostrou que caminhada ou corrida, ioga, musculação e exercícios mistos reduzem os sintomas de depressão, com efeitos maiores quando a intensidade é mais vigorosa. A musculação e a ioga também tiveram boa adesão.
Dicas para começar mesmo sem energia:
- Comece pequeno: 10 minutos de caminhada contam.
- Prefira horário fixo e, se possível, companhia ou grupo.
- Valorize o fazer, e não o desempenho.
Veja mais em atividade física e saúde mental.
E quando o tratamento não funciona?
Cerca de um terço das pessoas não melhora o suficiente com os primeiros tratamentos. Antes de falar em depressão resistente, o profissional revisa:
- Se o diagnóstico está correto (por exemplo, transtorno bipolar).
- Se a dose e o tempo do remédio foram adequados.
- Se há uso de álcool, outras substâncias ou doenças físicas.
- Se a pessoa está conseguindo tomar o remédio e fazer a terapia.
Depois disso, as opções incluem trocar ou combinar remédios, potencializar com outras medicações, intensificar a psicoterapia e tratamentos como a estimulação magnética transcraniana, a escetamina nasal, aprovada no Brasil, e a eletroconvulsoterapia (ECT). A ECT moderna é feita com anestesia, é segura e está entre os tratamentos mais eficazes para depressão grave.
Quanto tempo dura o tratamento?
| Fase | Duração aproximada | Objetivo |
|---|---|---|
| Aguda | 6 a 12 semanas | Reduzir os sintomas até a remissão |
| Continuação | 6 a 12 meses após a melhora | Evitar que o mesmo episódio volte |
| Manutenção | Anos, em alguns casos | Prevenir novos episódios em quem teve vários ou episódios graves |
Interromper o tratamento cedo é uma das principais causas de recaída. Qualquer mudança deve ser combinada com o profissional.
Procure ajuda imediata se houver pensamentos de morte ou de se machucar, se a pessoa parar de se alimentar ou se houver sintomas como ouvir vozes. CVV 188 (24 horas, gratuito) ou SAMU 192.
Perguntas frequentes
Terapia ou remédio: qual é melhor?
Para depressão leve, a psicoterapia costuma ser a primeira escolha. Na moderada e grave, a combinação dos dois tende a ser mais eficaz. A decisão depende de cada caso.
Quanto tempo leva para melhorar?
Muitas pessoas notam melhora em 4 a 8 semanas. A recuperação completa pode levar alguns meses.
Exercício substitui o antidepressivo?
Na depressão leve, pode ser uma das principais estratégias. Na moderada e grave, deve ser somado ao tratamento, e não usado no lugar dele.
Eletroconvulsoterapia é perigosa?
A ECT atual é feita com anestesia e relaxante muscular, em ambiente hospitalar. É segura e muito eficaz para depressão grave. O efeito colateral mais comum é perda de memória temporária.
O SUS oferece tratamento para depressão?
Sim. A porta de entrada é a UBS. Casos graves podem ser acompanhados nos CAPS. Antidepressivos como fluoxetina e amitriptilina estão na lista de medicamentos essenciais.
Referências
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Depression in adults: treatment and management (NG222). Londres, 2022. Disponível em: Depression in adults: treatment and management (NICE).
- Cipriani A, Furukawa TA, Salanti G, et al. Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for the acute treatment of adults with major depressive disorder. The Lancet, 2018. Disponível em: Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs (The Lancet).
- Noetel M, Sanders T, Gallardo-Gómez D, et al. Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ, 2024. Disponível em: Effect of exercise for depression (BMJ).
- World Health Organization (WHO). Depressive disorder (depression). Fact sheet. Disponível em: Depressive disorder (OMS).
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

