Resumo rápido
- Os antidepressivos são eficazes, principalmente na depressão moderada e grave, e também tratam ansiedade, TOC e dor crônica.
- O efeito começa em 2 a 6 semanas; os efeitos colaterais costumam aparecer antes e diminuem com o tempo.
- Eles não causam vício, mas parar de repente pode causar sintomas de descontinuação.
- Depois da melhora, o tratamento costuma continuar por 6 a 12 meses, ou mais em quem teve vários episódios.
- A retirada deve ser gradual e acompanhada pelo médico.
Quais são os tipos de antidepressivos?
| Classe | Exemplos | Características |
|---|---|---|
| ISRS | Fluoxetina, sertralina, escitalopram, citalopram, paroxetina | Primeira escolha na maioria dos casos. Boa tolerância |
| IRSN | Venlafaxina, desvenlafaxina, duloxetina | Podem ajudar também na dor crônica. Atenção à pressão arterial |
| Atípicos | Bupropiona, mirtazapina, agomelatina, vortioxetina, trazodona | Perfis diferentes: a bupropiona tem menos efeito sexual; a mirtazapina ajuda no sono e no apetite |
| Tricíclicos | Amitriptilina, nortriptilina, clomipramina, imipramina | Eficazes, mas com mais efeitos colaterais e mais perigosos em superdose |
| IMAO | Tranilcipromina | Usados em casos específicos, com restrições alimentares |
A escolha leva em conta os sintomas principais, outras doenças, remédios em uso, efeitos colaterais que a pessoa quer evitar e respostas anteriores.
Como os antidepressivos funcionam?
A maioria age aumentando a disponibilidade de serotonina, noradrenalina ou dopamina entre os neurônios. Mas esse efeito químico acontece em horas, enquanto a melhora do humor leva semanas. Isso indica que o efeito principal vem das adaptações que o cérebro faz ao longo do tempo: mudanças em receptores, aumento de fatores de crescimento e da neuroplasticidade, e mudanças na forma de processar emoções.
Um efeito precoce bem estudado é a mudança no viés emocional: em poucos dias, o cérebro passa a dar um pouco menos de peso às informações negativas, e isso, somado às experiências do dia a dia, vai melhorando o humor. Entenda mais em depressão no cérebro.
O que esperar nas primeiras semanas?
| Período | O que costuma acontecer |
|---|---|
| Dias 1 a 14 | Efeitos colaterais mais frequentes: náusea, dor de cabeça, alteração do sono, sensação de agitação ou ansiedade. A energia pode melhorar antes do humor |
| Semanas 2 a 6 | Melhora gradual do sono, da energia, do apetite e, depois, do humor |
| Semanas 6 a 12 | Avaliação da resposta. Se a melhora for parcial, o médico pode ajustar a dose ou trocar |
| Depois da remissão | Manter o tratamento por pelo menos 6 a 12 meses |
Um ponto importante: em jovens com menos de 25 anos, o início do tratamento exige acompanhamento mais próximo, pois há relatos de aumento de pensamentos suicidas nas primeiras semanas. Isso não significa que o remédio seja perigoso, e sim que a pessoa e a família devem ficar atentas e manter contato com o médico.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
- Náusea e desconforto no estômago: tomar depois de comer ajuda; costuma passar em dias.
- Alterações do sono: insônia ou sonolência, conforme o remédio. Ajustar o horário pode ajudar.
- Efeitos sexuais: diminuição do desejo, dificuldade de ereção ou de orgasmo. São comuns com ISRS e IRSN e devem ser conversados sem constrangimento, porque há alternativas.
- Suor excessivo, boca seca.
- Mudança de peso: alguns remédios, como a mirtazapina e a paroxetina, tendem a aumentar o peso.
- Sensação de "embotamento": alguns relatam emoções menos intensas. Também merece ajuste.
Antidepressivos interagem com outros remédios, como anti-inflamatórios, anticoagulantes, triptanos e tramadol. Sempre informe todos os remédios e suplementos que usa, incluindo a erva-de-são-joão.
Como parar o antidepressivo com segurança?
Antidepressivos não causam vício: a pessoa não sente fissura nem precisa de doses cada vez maiores. Mas o cérebro se adapta ao remédio, e parar de repente pode causar a síndrome de descontinuação:
- Tontura, sensação de "choquinhos" na cabeça.
- Irritabilidade, ansiedade, choro fácil.
- Insônia e sonhos intensos.
- Náusea e sintomas parecidos com gripe.
Os sintomas são mais comuns com remédios de meia-vida curta, como paroxetina e venlafaxina. Para evitar:
- Decida com o médico o momento certo, de preferência numa fase estável da vida.
- Reduza a dose aos poucos, ao longo de semanas ou meses.
- Observe sintomas de descontinuação ou de retorno da depressão, que são diferentes.
- Mantenha a psicoterapia e os hábitos protetores durante a retirada.
Mitos e verdades sobre antidepressivos
| Mito | Verdade |
|---|---|
| "Antidepressivo é para sempre" | A maioria usa por um período e depois retira. Quem teve vários episódios pode se beneficiar de uso prolongado |
| "Vou virar outra pessoa" | O objetivo é você voltar a ser você. Se sentir embotamento, converse sobre ajuste |
| "É só placebo" | Grandes estudos mostram efeito superior ao placebo, especialmente na depressão moderada e grave |
| "Se não funcionou o primeiro, nenhum vai funcionar" | Muitas pessoas respondem ao segundo ou terceiro remédio, ou a combinações |
| "Natural é melhor" | Fitoterápicos também têm efeitos e interações, e a evidência é menor |
Não pare o antidepressivo por conta própria e não use remédios de outras pessoas. Se surgirem pensamentos de morte, agitação intensa ou ideias de se machucar, especialmente no início do tratamento, procure o médico ou ligue para o CVV (188) ou SAMU (192).
Perguntas frequentes
Antidepressivo vicia?
Não no sentido de vício. Mas o corpo se adapta, e parar de repente pode causar sintomas de descontinuação. A retirada deve ser gradual.
Posso beber tomando antidepressivo?
O ideal é evitar. O álcool piora a depressão e a ansiedade e pode aumentar a sonolência e outros efeitos.
Antidepressivo engorda?
Alguns podem levar a ganho de peso, como a mirtazapina e a paroxetina. Outros, como a fluoxetina e a bupropiona, têm menos esse efeito.
Posso tomar antidepressivo na gravidez?
Em muitos casos, sim, quando os benefícios superam os riscos. A depressão sem tratamento também traz riscos para mãe e bebê. Decida com o médico.
O que fazer se esquecer uma dose?
Em geral, tome assim que lembrar, a menos que já esteja perto da próxima dose. Não dobre a dose. Confira a orientação específica com o médico ou farmacêutico.
Referências
- Cipriani A, Furukawa TA, Salanti G, et al. Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for the acute treatment of adults with major depressive disorder. The Lancet, 2018. Disponível em: Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs (The Lancet).
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Depression in adults: treatment and management (NG222). Londres, 2022. Disponível em: Depression in adults: treatment and management (NICE).
- National Institute of Mental Health (NIMH). Depression. Disponível em: Depression (NIMH).
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

