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Rotina e propósito

Exercício e saúde mental: o movimento como tratamento

O exercício não é só bom para o corpo. Grandes revisões mostram efeitos importantes na depressão, na ansiedade e no estresse, comparáveis a outros tratamentos. Entenda e veja como começar.

4 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. O que as pesquisas mostram?
  3. Como o exercício age no cérebro?
  4. Quanto exercício é preciso?
  5. Qual é o melhor tipo de exercício para a saúde mental?
  6. Como começar quando falta energia?
  7. Quais cuidados tomar?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • Uma grande revisão publicada no BMJ em 2024 mostrou que caminhada ou corrida, ioga e musculação reduzem sintomas de depressão, com efeito comparável à psicoterapia.
  • Outra revisão, com mais de 1.000 estudos, mostrou melhora de depressão, ansiedade e estresse com atividade física em adultos.
  • O exercício age no cérebro por vários caminhos: neurotransmissores, inflamação, sono, autoestima e contato social.
  • A OMS recomenda 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada e fortalecimento muscular 2 vezes por semana.
  • Para a saúde mental, qualquer quantidade é melhor que nada, e a regularidade importa mais que a intensidade.

O que as pesquisas mostram?

  • Uma revisão com 218 estudos e mais de 14 mil participantes com depressão, publicada no BMJ em 2024, mostrou que caminhada ou corrida, ioga, musculação e exercícios mistos reduziram de forma importante os sintomas. Os efeitos foram maiores com intensidade mais vigorosa, mas apareceram também com atividades leves.
  • Uma revisão de revisões, com 97 revisões e mais de 1.000 estudos, publicada em 2023, encontrou benefícios da atividade física para depressão, ansiedade e estresse em várias populações, inclusive pessoas com doenças crônicas.
  • O exercício é recomendado pelo NICE como uma das opções de tratamento para depressão.

O exercício não substitui outros tratamentos em casos moderados e graves, mas é um aliado poderoso.

Como o exercício age no cérebro?

MecanismoEfeito
NeurotransmissoresAumenta a disponibilidade de serotonina, dopamina, noradrenalina e endocanabinoides
BDNFEstimula uma proteína que favorece a formação de novas conexões entre neurônios
EstresseTreina o corpo a lidar com a ativação e reduz a reatividade ao estresse
InflamaçãoReduz marcadores inflamatórios ligados à depressão
SonoAprofunda o sono e ajuda a regular o relógio biológico
AutoestimaSensação de capacidade e de progresso
DistraçãoInterrompe a ruminação
Contato socialAtividades em grupo reduzem o isolamento

A famosa "endorfina" é só parte da história: os efeitos no humor vêm da soma desses mecanismos.

Quanto exercício é preciso?

Recomendação da OMS para adultosExemplos
150 a 300 minutos por semana de atividade moderadaCaminhada rápida, dança, pedalar em ritmo leve, hidroginástica
Ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosaCorrida, natação em ritmo forte, futebol, ciclismo intenso
Fortalecimento muscular 2 ou mais dias por semanaMusculação, exercícios com peso do corpo, elásticos, pilates
Reduzir o tempo sentadoLevantar e se mover a cada 30 a 60 minutos

Para a saúde mental, mesmo menos que isso já ajuda. Atividade moderada é aquela em que você consegue falar, mas não cantar.

Qual é o melhor tipo de exercício para a saúde mental?

AtividadeDestaques
Caminhada ou corridaAcessível, pode ser feita ao ar livre, com efeito importante na depressão
MusculaçãoBons resultados na depressão e na autoestima
IogaCombina movimento, respiração e atenção; ajuda na depressão e na ansiedade
DançaMovimento, música e contato social
Esportes coletivosPertencimento e diversão
Atividades na naturezaBenefícios extras para o estresse

O melhor exercício é aquele que você consegue manter. Escolha pelo prazer, pela praticidade e pela companhia.

Como começar quando falta energia?

  1. Comece pequeno: 5 a 10 minutos de caminhada já contam.
  2. Agende: defina dia, horário e lugar. Veja como criar hábitos.
  3. Companhia: combine com alguém ou entre em um grupo.
  4. Aumente aos poucos: 5 minutos a mais por semana.
  5. Registre como se sente antes e depois: perceber a melhora do humor motiva.
  6. Planeje para os dias ruins: a versão mínima é melhor que nada.

Ideias práticas de caminhada e treino estão em Exercícios.

Quais cuidados tomar?

  • Pessoas com doenças do coração, pressão alta descontrolada, diabetes ou outras condições devem conversar com o médico antes de iniciar atividades intensas.
  • Em transtornos alimentares, o exercício pode ser usado de forma compulsiva e deve ser acompanhado pela equipe de tratamento.
  • Exercício em excesso, sem descanso, pode piorar o sono e o humor.
  • Hidrate-se e respeite os sinais do corpo.

Dor no peito, falta de ar intensa, desmaio ou palpitações durante o exercício exigem parar e procurar atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Perguntas frequentes

Exercício substitui o antidepressivo?

Na depressão leve, pode ser um tratamento principal. Na moderada e grave, é um complemento importante, e qualquer mudança de remédio deve ser feita com o médico.

Em quanto tempo o exercício melhora o humor?

Uma única sessão já pode melhorar o humor por algumas horas. Os efeitos na depressão costumam aparecer em algumas semanas de prática regular.

Caminhar ajuda na ansiedade?

Sim. A caminhada regular reduz sintomas de ansiedade e estresse e é uma das formas mais acessíveis de começar.

Qual o melhor horário para fazer exercício?

O que encaixar na sua rotina. Atividades pela manhã, ao ar livre, ajudam também o relógio biológico. À noite, prefira intensidade leve a moderada perto da hora de dormir.

Exercício ajuda no sono?

Sim. A atividade física regular ajuda a adormecer mais rápido e a ter um sono mais profundo.

Referências

  1. Noetel M, Sanders T, Gallardo-Gómez D, et al. Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ, 2024. Disponível em: Effect of exercise for depression (BMJ).
  2. Singh B, Olds T, Curtis R, et al. Effectiveness of physical activity interventions for improving depression, anxiety and distress: an overview of systematic reviews. British Journal of Sports Medicine, 2023. Disponível em: Physical activity for depression, anxiety and distress (BJSM).
  3. World Health Organization (WHO). WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour. Genebra, 2020. Disponível em: WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour (OMS).
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Depression in adults: treatment and management (NG222). Londres, 2022. Disponível em: Depression in adults: treatment and management (NICE).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6