Portal de informação e educação em saúde · O aplicativo Carteira de Saúde está na App Store e no Google Play
Depressão

Depressão: muito além da tristeza

A depressão é uma condição de saúde comum, séria e tratável. Ela não é falta de força de vontade nem uma tristeza que se resolve "levantando a cabeça". Entenda o que ela é de fato.

5 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. Qual a diferença entre tristeza e depressão?
  3. A depressão é comum?
  4. O que causa a depressão?
  5. Quais são os tipos de depressão?
  6. Por que a depressão precisa ser levada a sério?
  7. A depressão tem cura?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • A depressão é um transtorno do humor que afeta o jeito de sentir, pensar, dormir, comer e agir, por pelo menos 2 semanas, quase todos os dias.
  • A OMS estima que cerca de 5% dos adultos no mundo tenham depressão. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 encontrou 10,2% dos adultos com diagnóstico médico de depressão.
  • Ela resulta da soma de fatores biológicos, psicológicos e sociais, e não de fraqueza ou falta de fé.
  • É mais comum em mulheres e pode aparecer em qualquer idade, inclusive na infância e na velhice.
  • A depressão tem tratamento eficaz: psicoterapia, antidepressivos, atividade física e apoio social, conforme a gravidade.

Qual a diferença entre tristeza e depressão?

A tristeza é uma emoção normal, que aparece diante de perdas, frustrações e decepções. Ela costuma ter um motivo, oscila ao longo do dia, deixa espaço para momentos bons e passa com o tempo.

A depressão é diferente. Ela é um estado persistente que muda o funcionamento da pessoa como um todo:

TristezaDepressão
Ligada a um acontecimentoPode surgir sem motivo claro ou ser desproporcional
Vem em ondas, com momentos de alívioEstá presente quase o dia todo, quase todos os dias
A pessoa ainda sente prazer em algumas coisasPerda de interesse ou prazer em quase tudo (anedonia)
A autoestima se mantémSentimentos de culpa, inutilidade e fracasso
Diminui com o tempo e o apoioDura semanas ou meses e atrapalha a vida

Uma pessoa com depressão nem sempre parece triste: muitas vezes ela está irritada, apática, cansada ou simplesmente "sem energia para nada".

A depressão é comum?

Muito. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 5% dos adultos no mundo vivam com depressão, sendo a condição mais frequente em mulheres (cerca de 1,5 vez mais que em homens). Mais de 10% das mulheres grávidas ou que acabaram de ter filho têm depressão.

No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostrou que 10,2% dos adultos, cerca de 16 milhões de pessoas, relataram já ter recebido diagnóstico de depressão por um profissional de saúde, um aumento em relação a 2013.

Mesmo assim, uma grande parte das pessoas com depressão não recebe tratamento, por falta de acesso, estigma ou por não reconhecer os sintomas.

O que causa a depressão?

A depressão surge da combinação de vários fatores, que se somam e interagem ao longo da vida:

  • Biológicos: predisposição genética (ter pais ou irmãos com depressão aumenta o risco), alterações nos circuitos cerebrais do humor, do estresse e da recompensa, alterações hormonais e inflamatórias.
  • Psicológicos: estilo de pensamento muito autocrítico, baixa autoestima, dificuldade em lidar com emoções, traumas na infância.
  • Sociais: perdas, separações, desemprego, dificuldades financeiras, solidão, violência, sobrecarga de cuidado.
  • Físicos: doenças crônicas (como diabetes, doenças do coração, dor crônica, hipotireoidismo), alguns remédios e uso de álcool e outras drogas.

Um evento difícil pode desencadear um episódio, mas a depressão também pode surgir em uma fase "sem motivo aparente". Entenda o que acontece no cérebro em depressão no cérebro.

Quais são os tipos de depressão?

TipoCaracterísticas principais
Episódio depressivo (depressão maior)Sintomas intensos por pelo menos 2 semanas; pode ser leve, moderado ou grave
Depressão recorrenteEpisódios que se repetem ao longo da vida
Distimia (transtorno depressivo persistente)Sintomas mais leves, porém presentes na maior parte do tempo por 2 anos ou mais
Depressão perinatalDurante a gravidez ou até 1 ano após o parto. Veja depressão pós-parto
Transtorno disfórico pré-menstrualSintomas intensos de humor na semana antes da menstruação
Depressão no transtorno bipolarFases de depressão alternadas com fases de euforia ou irritabilidade (mania ou hipomania)
Depressão com padrão sazonalEpisódios que se repetem em certa época do ano, mais comum em lugares com inverno longo

A distinção entre depressão "unipolar" e transtorno bipolar é muito importante, porque o tratamento é diferente. Por isso, o profissional sempre pergunta sobre fases de muita energia, pouca necessidade de sono e impulsividade.

Por que a depressão precisa ser levada a sério?

  • Ela é uma das principais causas de incapacidade no mundo, afetando trabalho, estudos e relações.
  • Aumenta o risco de outras doenças, como doenças cardiovasculares, e piora a evolução de doenças crônicas.
  • Está associada a maior risco de uso abusivo de álcool e outras substâncias.
  • Nos casos graves, pode levar a pensamentos de morte e suicídio. Saiba como agir em pensamentos suicidas: como pedir e oferecer ajuda.

Ao mesmo tempo, quanto mais cedo o tratamento começa, maiores as chances de recuperação completa.

A depressão tem cura?

A maioria das pessoas com depressão melhora muito com tratamento, e muitas ficam totalmente sem sintomas (remissão). As principais estratégias são:

  • Psicoterapia: terapia cognitivo-comportamental, ativação comportamental, terapia interpessoal, entre outras.
  • Antidepressivos: indicados principalmente nos casos moderados e graves.
  • Atividade física: tem efeito comprovado na redução dos sintomas.
  • Apoio social, sono e rotina.

Detalhes em tratamento da depressão. Como a depressão pode voltar, o tratamento também inclui prevenção de recaídas.

Se você ou alguém próximo estiver com pensamentos de morte ou de se machucar, procure ajuda agora. O CVV atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br. Em emergência, ligue 192 (SAMU) ou vá a uma UPA.

Perguntas frequentes

Depressão é frescura?

Não. A depressão é uma condição de saúde reconhecida, com alterações reais no cérebro e no corpo. Ninguém escolhe ter depressão, assim como ninguém escolhe ter diabetes.

Depressão pode ter causa física?

Sim. Hipotireoidismo, anemia, deficiência de vitamina B12, alguns remédios e doenças crônicas podem causar ou piorar sintomas depressivos. Por isso, a avaliação pode incluir exames.

Homens têm menos depressão?

Os homens recebem menos diagnósticos, mas muitas vezes a depressão neles aparece como irritabilidade, isolamento, excesso de trabalho ou uso de álcool, e acaba passando despercebida.

Criança pode ter depressão?

Pode. Em crianças e adolescentes, a depressão muitas vezes aparece como irritabilidade, queda no rendimento escolar, isolamento e queixas físicas. Converse com o pediatra.

Depressão volta depois de tratada?

Pode voltar, principalmente se o tratamento for interrompido cedo. Manter o tratamento pelo tempo indicado e conhecer os sinais de alerta reduz bastante esse risco.

Referências

  1. World Health Organization (WHO). Depressive disorder (depression). Fact sheet. Disponível em: Depressive disorder (OMS).
  2. Brito VCA, Bello-Corassa R, Stopa SR, et al. Prevalência de depressão autorreferida no Brasil: Pesquisa Nacional de Saúde 2019 e 2013. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 2022. Disponível em: Prevalência de depressão autorreferida no Brasil: PNS 2019 e 2013 (RESS/SciELO).
  3. National Institute of Mental Health (NIMH). Depression. Disponível em: Depression (NIMH).
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Depression in adults: treatment and management (NG222). Londres, 2022. Disponível em: Depression in adults: treatment and management (NICE).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6