Portal de informação e educação em saúde · O aplicativo Carteira de Saúde está na App Store e no Google Play
Ansiedade

Crise de pânico: o que é e como atravessar uma

Coração disparado, falta de ar e a certeza de que algo terrível vai acontecer. Entenda o que é a crise de pânico, por que ela passa e como agir durante e depois dela.

5 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. O que é uma crise de pânico?
  3. Por que os sintomas são tão fortes?
  4. Como saber se é pânico ou um problema no coração?
  5. O que fazer durante uma crise de pânico?
  6. O que é o transtorno de pânico?
  7. Como se trata o transtorno de pânico?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • A crise de pânico é um pico súbito de medo intenso que atinge o máximo em poucos minutos, com sintomas físicos fortes.
  • Ela é muito desconfortável, mas não é perigosa: não causa morte, loucura ou perda de controle.
  • A maioria das crises diminui em 10 a 30 minutos. Lutar contra ou fugir tende a prolongar o medo.
  • Na primeira crise, ou se houver dúvida, é correto procurar atendimento para descartar causas físicas.
  • O transtorno de pânico tem ótima resposta à terapia cognitivo-comportamental e, quando necessário, a remédios.

O que é uma crise de pânico?

É uma onda súbita de medo ou desconforto intenso, que chega ao pico em poucos minutos e vem com vários sintomas físicos e mentais ao mesmo tempo. Ela pode aparecer em uma situação de estresse, mas também "do nada", até durante o sono.

Os sintomas mais comuns são:

  • Coração disparado ou batendo forte.
  • Falta de ar, sensação de sufocamento.
  • Aperto ou dor no peito.
  • Tontura, sensação de desmaio, cabeça leve.
  • Tremores, suor, ondas de calor ou calafrios.
  • Formigamento nas mãos, nos pés ou ao redor da boca.
  • Náusea ou desconforto na barriga.
  • Sensação de irrealidade, como se estivesse fora do corpo ou "num sonho".
  • Medo de morrer, de enlouquecer ou de perder o controle.

Uma crise isolada é relativamente comum: muita gente terá ao menos uma na vida. O problema começa quando as crises se repetem e geram medo constante de novas crises.

Por que os sintomas são tão fortes?

Na crise, o sistema de alarme do cérebro dispara com força máxima e libera adrenalina, preparando o corpo para lutar ou fugir. Veja o mecanismo em o que acontece no cérebro e no corpo.

Um detalhe importante é a respiração. Na crise, a pessoa respira rápido e fundo demais (hiperventilação), o que reduz o gás carbônico do sangue. Isso causa formigamento, tontura, sensação de cabeça leve e até mais falta de ar, alimentando o medo. Forma-se um círculo: sintoma → interpretação catastrófica ("vou morrer") → mais medo → mais sintomas.

Entender esse círculo ajuda a quebrá-lo: os sintomas são a resposta de alarme, e não um sinal de que o corpo está falhando.

Como saber se é pânico ou um problema no coração?

Essa é uma dúvida legítima, e na primeira crise a orientação é procurar atendimento. Algumas diferenças ajudam, mas não substituem a avaliação médica:

Mais típico de crise de pânicoExige avaliação de urgência
Pessoa jovem, sem doenças cardíacas conhecidasIdade acima de 40 anos, diabetes, pressão alta, fumo, colesterol alto
Começa e atinge o pico em minutos, depois melhoraDor que dura mais de 20 minutos ou piora com esforço
Formigamento nas mãos e boca, medo intenso, sensação de irrealidadeDor que irradia para braço, mandíbula ou costas, com suor frio e náusea
Já teve crises parecidas com exames normaisDesmaio, falta de ar intensa e persistente, lábios roxos

Exames como eletrocardiograma, glicemia e avaliação da tireoide costumam ser feitos para descartar outras causas. Depois disso, não é necessário repetir exames a cada crise.

O que fazer durante uma crise de pânico?

  1. Nomeie o que está acontecendo: "isto é uma crise de pânico. É desconfortável, mas não é perigoso. Vai passar."
  2. Desacelere a respiração: inspire pelo nariz contando até 4 e solte pela boca contando até 6, como se apagasse uma vela. Faça por alguns minutos. Expirar mais devagar ativa o freio do sistema nervoso.
  3. Não lute contra os sintomas: tentar "parar à força" aumenta a tensão. Deixe as sensações virem e passarem, como uma onda.
  4. Ancore-se no presente: observe 5 coisas que você vê, 4 que você toca, 3 que você ouve, 2 cheiros e 1 gosto.
  5. Fique onde está, se for seguro: sair correndo ensina ao cérebro que aquele lugar era perigoso.
  6. Depois que passar, retome aos poucos o que estava fazendo.

Evite usar álcool para acalmar e evite tomar calmantes por conta própria. Se alguém estiver em crise perto de você, fale com calma, ofereça presença e respire devagar junto, sem pressionar.

O que é o transtorno de pânico?

É quando as crises se repetem de forma inesperada e, por pelo menos 1 mês, a pessoa vive com:

  • Medo persistente de ter novas crises ou de suas consequências.
  • Mudanças de comportamento para evitar crises, como não sair sozinha, evitar exercício, café ou lugares cheios.

Com o tempo, a vida pode encolher bastante, inclusive com agorafobia. Por isso, tratar cedo faz diferença.

Como se trata o transtorno de pânico?

  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): é a primeira escolha recomendada pelo NICE. Inclui entender o ciclo do pânico, reinterpretar as sensações e fazer exposição gradual às sensações do corpo (por exemplo, girar na cadeira para sentir tontura) e às situações evitadas.
  • Remédios: os antidepressivos do tipo ISRS são os mais usados no tratamento de longo prazo. Os calmantes (benzodiazepínicos) não são recomendados como tratamento principal por causa do risco de dependência. Veja remédios para ansiedade.
  • Hábitos: reduzir cafeína e álcool, dormir bem e fazer atividade física regular.

A maioria das pessoas tem melhora importante em semanas a poucos meses de tratamento.

Procure atendimento imediato se a dor no peito for diferente das crises anteriores, durar mais de 20 minutos, vier com desmaio ou se você tiver fatores de risco para doença cardíaca. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura uma crise de pânico?

O pico costuma acontecer em até 10 minutos e a maioria das crises diminui bastante em 20 a 30 minutos. A sensação de cansaço e "ressaca" pode durar horas.

Dá para desmaiar numa crise de pânico?

É raro. Na crise, a pressão costuma subir, e não cair. A exceção é a fobia de sangue e agulhas, em que a pressão pode cair e levar a desmaio.

Respirar em saco de papel ajuda?

Não é recomendado. Pode ser perigoso se a falta de ar tiver outra causa, como asma ou problema no coração. Prefira a respiração lenta, com expiração longa.

Crise de pânico à noite é normal?

Pode acontecer e acorda a pessoa com medo intenso. Não significa que algo grave esteja acontecendo, mas vale conversar com o médico, inclusive para avaliar apneia do sono.

Transtorno de pânico tem cura?

Muitas pessoas ficam sem crises ou com crises raras e leves depois do tratamento, e voltam a fazer tudo o que evitavam.

Referências

  1. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113). Londres, 2011 (atualizado 2020). Disponível em: Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults (NICE).
  2. National Institute of Mental Health (NIMH). Anxiety Disorders. Disponível em: Anxiety Disorders (NIMH).
  3. Carpenter JK, Andrews LA, Witcraft SM, et al. Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: a meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety, 2018. Disponível em: CBT for anxiety and related disorders: meta-analysis (Depression and Anxiety).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6