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Alimentos para evitar

Refrigerante faz mal? O que acontece no corpo

Quanto açúcar tem uma lata, o que o refrigerante faz com o corpo, se a versão zero resolve e estratégias para largar o hábito.

4 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. Quanto açúcar tem um refrigerante?
  3. O que o refrigerante faz com o corpo?
  4. O que dizem os estudos?
  5. Refrigerante zero faz mal?
  6. Como parar de tomar refrigerante?
  7. Existe uma quantidade segura?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • Uma lata de 350 ml de refrigerante comum tem cerca de 35 g de açúcar, perto de 7 colheres de chá.
  • Só uma lata já passa do limite ideal de 25 g de açúcar livre por dia recomendado pela OMS.
  • O consumo frequente está ligado a ganho de peso, diabetes tipo 2, gordura no fígado, cáries e doença cardiovascular.
  • O açúcar líquido não dá saciedade: as calorias se somam ao resto do dia.
  • O refrigerante zero é melhor que o comum, mas o ideal é trocar por água.

Quanto açúcar tem um refrigerante?

BebidaPorçãoAçúcar aproximado
Refrigerante comum1 lata (350 ml)35 g (cerca de 7 colheres de chá)
Refrigerante comum1 garrafa de 600 ml60 g (cerca de 12 colheres de chá)
Refrigerante comum1 copo de 250 ml25 g (cerca de 5 colheres de chá)
Refrigerante zero ou diet1 lata (350 ml)0 g (usa adoçantes)

Os valores variam conforme a marca e o sabor. Confira a tabela nutricional: muitos refrigerantes trazem a lupa "ALTO EM AÇÚCAR ADICIONADO" na frente da embalagem.

A Organização Mundial da Saúde recomenda menos de 50 g de açúcar livre por dia, e idealmente menos de 25 g. Uma única garrafinha de 600 ml já passa do limite máximo.

O que o refrigerante faz com o corpo?

  • Peso: o açúcar líquido não dá saciedade. As calorias da bebida não fazem a pessoa comer menos depois, e se acumulam.
  • Glicose e diabetes: o açúcar é absorvido muito rápido. Estudos com grandes grupos mostram que cada porção diária de bebida açucarada aumenta o risco de diabetes tipo 2.
  • Fígado: o excesso de frutose é transformado em gordura pelo fígado e contribui para a gordura no fígado.
  • Triglicerídeos e coração: o consumo regular está ligado a triglicerídeos mais altos e a maior risco cardiovascular.
  • Dentes: o açúcar e a acidez favorecem cáries e desgaste do esmalte.
  • Ossos: refrigerantes de cola têm ácido fosfórico, e o consumo alto tem sido associado a menor densidade óssea em alguns estudos.

O que dizem os estudos?

Uma análise com mais de 118 mil adultos americanos acompanhados por décadas, publicada na revista *Circulation*, mostrou que quem tomava 2 ou mais bebidas açucaradas por dia tinha maior risco de morte, principalmente por doença cardiovascular, do que quem raramente tomava.

Outra revisão, publicada no *BMJ*, mostrou que o consumo habitual de bebidas açucaradas estava ligado a mais diabetes tipo 2, mesmo em pessoas sem excesso de peso.

Refrigerante zero faz mal?

O refrigerante zero ou diet não tem açúcar e, por isso, é melhor que o comum, principalmente para quem tem diabetes. Mas ele não é uma bebida saudável:

  • A OMS não recomenda adoçantes como estratégia para emagrecer a longo prazo.
  • Alguns estudos observacionais associam o consumo muito alto de bebidas adoçadas a risco cardiovascular, embora a relação de causa não esteja clara.
  • Ele mantém o hábito e o gosto pelo muito doce.
  • A acidez continua prejudicando os dentes.

Use como transição, e não como bebida do dia a dia.

Como parar de tomar refrigerante?

  1. Reduza aos poucos: se toma todo dia, passe para dias alternados, depois só no fim de semana.
  2. Diminua o tamanho: troque a garrafa de 2 litros pela lata.
  3. Não tenha em casa: o que não está na geladeira não é tomado por impulso.
  4. Troque o "gelado com gás": água com gás e limão, laranja ou hortelã imita a sensação.
  5. Chá gelado caseiro sem açúcar, com frutas, é uma boa alternativa.
  6. Nas refeições, água: o refrigerante no almoço é um dos hábitos mais difíceis. Comece por ele.
  7. Cuidado com o suco de caixinha: não é uma troca melhor, como explicamos em suco de caixinha e néctar.

Existe uma quantidade segura?

Não existe necessidade nenhuma de refrigerante na alimentação. Para quem gosta, um copo de vez em quando, em uma festa, cabe dentro de uma alimentação saudável. O problema é o hábito diário.

Para crianças, a recomendação é não oferecer refrigerante, principalmente antes dos 2 anos, como orienta o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos.

Quem tem diabetes deve evitar refrigerante comum no dia a dia. A exceção é o tratamento da hipoglicemia: 150 ml (cerca de ¾ de copo americano) de refrigerante comum, nunca o zero, têm cerca de 15 g de açúcar. Meça a glicose de novo após 15 minutos, como explicamos em lanches e prevenção de hipoglicemia.

Perguntas frequentes

Refrigerante de guaraná tem menos açúcar que o de cola?

Não costuma haver diferença importante. A maioria dos refrigerantes comuns tem entre 9 e 11 g de açúcar por 100 ml.

Água tônica é refrigerante?

A água tônica comum tem açúcar, em quantidade parecida com a de um refrigerante. Existe a versão zero.

Refrigerante tira a sede?

Mata a sede por pouco tempo, mas traz açúcar e calorias de que o corpo não precisa. Água é a melhor bebida para hidratar.

Refrigerante de vez em quando engorda?

Um copo ocasional não engorda por si só. O problema é o consumo diário e em grandes quantidades.

Refrigerante sem açúcar e sem adoçante existe?

Existem águas gaseificadas saborizadas sem açúcar e sem adoçante. Confira a lista de ingredientes.

Referências

  1. World Health Organization (WHO). Guideline: sugars intake for adults and children. Genebra, 2015. Disponível em: Guideline: sugars intake for adults and children (OMS).
  2. Malik VS, Li Y, Pan A, et al. Long-term consumption of sugar-sweetened and artificially sweetened beverages and risk of mortality in US adults. Circulation, 2019. Disponível em: Sugar-sweetened and artificially sweetened beverages and risk of mortality (Circulation).
  3. Imamura F, O’Connor L, Ye Z, et al. Consumption of sugar sweetened beverages, artificially sweetened beverages, and fruit juice and incidence of type 2 diabetes. BMJ, 2015. Disponível em: Sugar sweetened beverages, artificially sweetened beverages and fruit juice and type 2 diabetes (BMJ).
  4. World Health Organization (WHO). Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline. Genebra, 2023. Disponível em: Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline (OMS).
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos: versão resumida. Brasília, 2021. Disponível em: Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (Ministério da Saúde).
  6. American Diabetes Association (ADA). Hypoglycemia (Low Blood Glucose). Disponível em: Hypoglycemia (Low Blood Glucose) (ADA).
  7. Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília, 2014. Disponível em: Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6