Resumo rápido
- Uma lata de 350 ml de refrigerante comum tem cerca de 35 g de açúcar, perto de 7 colheres de chá.
- Só uma lata já passa do limite ideal de 25 g de açúcar livre por dia recomendado pela OMS.
- O consumo frequente está ligado a ganho de peso, diabetes tipo 2, gordura no fígado, cáries e doença cardiovascular.
- O açúcar líquido não dá saciedade: as calorias se somam ao resto do dia.
- O refrigerante zero é melhor que o comum, mas o ideal é trocar por água.
Quanto açúcar tem um refrigerante?
| Bebida | Porção | Açúcar aproximado |
|---|---|---|
| Refrigerante comum | 1 lata (350 ml) | 35 g (cerca de 7 colheres de chá) |
| Refrigerante comum | 1 garrafa de 600 ml | 60 g (cerca de 12 colheres de chá) |
| Refrigerante comum | 1 copo de 250 ml | 25 g (cerca de 5 colheres de chá) |
| Refrigerante zero ou diet | 1 lata (350 ml) | 0 g (usa adoçantes) |
Os valores variam conforme a marca e o sabor. Confira a tabela nutricional: muitos refrigerantes trazem a lupa "ALTO EM AÇÚCAR ADICIONADO" na frente da embalagem.
A Organização Mundial da Saúde recomenda menos de 50 g de açúcar livre por dia, e idealmente menos de 25 g. Uma única garrafinha de 600 ml já passa do limite máximo.
O que o refrigerante faz com o corpo?
- Peso: o açúcar líquido não dá saciedade. As calorias da bebida não fazem a pessoa comer menos depois, e se acumulam.
- Glicose e diabetes: o açúcar é absorvido muito rápido. Estudos com grandes grupos mostram que cada porção diária de bebida açucarada aumenta o risco de diabetes tipo 2.
- Fígado: o excesso de frutose é transformado em gordura pelo fígado e contribui para a gordura no fígado.
- Triglicerídeos e coração: o consumo regular está ligado a triglicerídeos mais altos e a maior risco cardiovascular.
- Dentes: o açúcar e a acidez favorecem cáries e desgaste do esmalte.
- Ossos: refrigerantes de cola têm ácido fosfórico, e o consumo alto tem sido associado a menor densidade óssea em alguns estudos.
O que dizem os estudos?
Uma análise com mais de 118 mil adultos americanos acompanhados por décadas, publicada na revista *Circulation*, mostrou que quem tomava 2 ou mais bebidas açucaradas por dia tinha maior risco de morte, principalmente por doença cardiovascular, do que quem raramente tomava.
Outra revisão, publicada no *BMJ*, mostrou que o consumo habitual de bebidas açucaradas estava ligado a mais diabetes tipo 2, mesmo em pessoas sem excesso de peso.
Refrigerante zero faz mal?
O refrigerante zero ou diet não tem açúcar e, por isso, é melhor que o comum, principalmente para quem tem diabetes. Mas ele não é uma bebida saudável:
- A OMS não recomenda adoçantes como estratégia para emagrecer a longo prazo.
- Alguns estudos observacionais associam o consumo muito alto de bebidas adoçadas a risco cardiovascular, embora a relação de causa não esteja clara.
- Ele mantém o hábito e o gosto pelo muito doce.
- A acidez continua prejudicando os dentes.
Use como transição, e não como bebida do dia a dia.
Como parar de tomar refrigerante?
- Reduza aos poucos: se toma todo dia, passe para dias alternados, depois só no fim de semana.
- Diminua o tamanho: troque a garrafa de 2 litros pela lata.
- Não tenha em casa: o que não está na geladeira não é tomado por impulso.
- Troque o "gelado com gás": água com gás e limão, laranja ou hortelã imita a sensação.
- Chá gelado caseiro sem açúcar, com frutas, é uma boa alternativa.
- Nas refeições, água: o refrigerante no almoço é um dos hábitos mais difíceis. Comece por ele.
- Cuidado com o suco de caixinha: não é uma troca melhor, como explicamos em suco de caixinha e néctar.
Existe uma quantidade segura?
Não existe necessidade nenhuma de refrigerante na alimentação. Para quem gosta, um copo de vez em quando, em uma festa, cabe dentro de uma alimentação saudável. O problema é o hábito diário.
Para crianças, a recomendação é não oferecer refrigerante, principalmente antes dos 2 anos, como orienta o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos.
Quem tem diabetes deve evitar refrigerante comum no dia a dia. A exceção é o tratamento da hipoglicemia: 150 ml (cerca de ¾ de copo americano) de refrigerante comum, nunca o zero, têm cerca de 15 g de açúcar. Meça a glicose de novo após 15 minutos, como explicamos em lanches e prevenção de hipoglicemia.
Perguntas frequentes
Refrigerante de guaraná tem menos açúcar que o de cola?
Não costuma haver diferença importante. A maioria dos refrigerantes comuns tem entre 9 e 11 g de açúcar por 100 ml.
Água tônica é refrigerante?
A água tônica comum tem açúcar, em quantidade parecida com a de um refrigerante. Existe a versão zero.
Refrigerante tira a sede?
Mata a sede por pouco tempo, mas traz açúcar e calorias de que o corpo não precisa. Água é a melhor bebida para hidratar.
Refrigerante de vez em quando engorda?
Um copo ocasional não engorda por si só. O problema é o consumo diário e em grandes quantidades.
Refrigerante sem açúcar e sem adoçante existe?
Existem águas gaseificadas saborizadas sem açúcar e sem adoçante. Confira a lista de ingredientes.
Referências
- World Health Organization (WHO). Guideline: sugars intake for adults and children. Genebra, 2015. Disponível em: Guideline: sugars intake for adults and children (OMS).
- Malik VS, Li Y, Pan A, et al. Long-term consumption of sugar-sweetened and artificially sweetened beverages and risk of mortality in US adults. Circulation, 2019. Disponível em: Sugar-sweetened and artificially sweetened beverages and risk of mortality (Circulation).
- Imamura F, O’Connor L, Ye Z, et al. Consumption of sugar sweetened beverages, artificially sweetened beverages, and fruit juice and incidence of type 2 diabetes. BMJ, 2015. Disponível em: Sugar sweetened beverages, artificially sweetened beverages and fruit juice and type 2 diabetes (BMJ).
- World Health Organization (WHO). Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline. Genebra, 2023. Disponível em: Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline (OMS).
- Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos: versão resumida. Brasília, 2021. Disponível em: Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (Ministério da Saúde).
- American Diabetes Association (ADA). Hypoglycemia (Low Blood Glucose). Disponível em: Hypoglycemia (Low Blood Glucose) (ADA).
- Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília, 2014. Disponível em: Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde).
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

