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Diabetes

Açúcar, adoçantes e doces no diabetes

O que fazer com o açúcar, quais adoçantes estão disponíveis, o que a ciência diz sobre eles e como encaixar um doce de vez em quando.

5 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. Diabético pode comer açúcar?
  3. Açúcar mascavo, mel ou demerara são melhores?
  4. Quais são os tipos de adoçante?
  5. Adoçante faz mal?
  6. Como comer um doce sem descontrolar a glicose?
  7. Como diminuir a vontade de doce?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • O açúcar não é "proibido", mas deve ser pouco: a OMS recomenda menos de 10% das calorias em açúcar livre, e o ideal é menos de 5%.
  • Açúcar mascavo, demerara, mel e rapadura sobem a glicose como o açúcar branco.
  • Adoçantes aprovados pela Anvisa são seguros nas quantidades habituais e podem ajudar na transição.
  • A OMS não recomenda adoçantes como estratégia para emagrecer a longo prazo.
  • O melhor caminho é reduzir o gosto pelo doce aos poucos.

Diabético pode comer açúcar?

Em pequenas quantidades e de vez em quando, pode. O açúcar é um carboidrato de absorção rápida, que sobe a glicose em poucos minutos, e não traz fibras nem nutrientes. Por isso, deve ser exceção.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que o açúcar livre (o adicionado aos alimentos, mais o do mel e dos sucos) fique abaixo de 10% das calorias do dia, cerca de 50 g para quem come 2.000 calorias. O ideal é ficar abaixo de 5%, perto de 25 g, ou 6 colheres de chá.

As bebidas açucaradas são as vilãs principais: uma lata de refrigerante já tem cerca de 35 g de açúcar.

Açúcar mascavo, mel ou demerara são melhores?

Não para a glicose. Açúcar mascavo, demerara, de coco, mel, melado e rapadura têm quantidade de carboidrato parecida com a do açúcar branco e sobem a glicose de forma semelhante. As pequenas quantidades de minerais não compensam.

Para quem tem diabetes, todos entram na mesma conta: quanto menos, melhor.

Quais são os tipos de adoçante?

AdoçanteOrigemObservações
Stevia (estévia)PlantaPode ter sabor residual amargo. Muitos produtos misturam com outros adoçantes
SucraloseSintético, derivado do açúcarSabor parecido com o do açúcar. Evite assar em temperatura alta (acima de 120 °C)
AspartameSintéticoPerde o sabor no calor. Proibido para quem tem fenilcetonúria
Acessulfame-KSintéticoMuito usado em bebidas, em mistura com outros
Sacarina e ciclamatoSintéticosMais antigos, podem deixar gosto metálico
Eritritol e xilitolÁlcoois de açúcarPouco efeito na glicose; em excesso, podem causar gases e diarreia. Estudos recentes levantaram dúvidas sobre o uso em grande quantidade por quem tem doença cardiovascular

Todos os adoçantes vendidos no Brasil são avaliados pela Anvisa e considerados seguros dentro da ingestão diária aceitável, que é bem maior do que a maioria das pessoas consome.

Adoçante faz mal?

Nas quantidades usadas no dia a dia, os adoçantes aprovados são considerados seguros. Mas há dois pontos importantes:

  • Em 2023, a OMS publicou uma recomendação contra o uso de adoçantes para controle do peso a longo prazo, porque os estudos não mostraram benefício duradouro e algumas pesquisas observacionais associaram o uso frequente a maior risco de diabetes e doença cardiovascular. Essas associações podem ter outras explicações, e a própria OMS diz que a orientação não se aplica a quem já tem diabetes.
  • A Associação Americana de Diabetes considera que os adoçantes podem ser usados no lugar do açúcar, como estratégia de transição, desde que a pessoa não "compense" comendo mais em outras refeições.

Na prática: o adoçante é melhor que o açúcar para quem tem diabetes, mas o objetivo é reduzir o gosto pelo doce com o tempo.

Como comer um doce sem descontrolar a glicose?

  • Escolha a porção: um pedaço pequeno, e não a embalagem inteira.
  • Coma logo após uma refeição, e não em jejum ou no lanche isolado.
  • Troque o carboidrato da refeição: se vai comer sobremesa, reduza o arroz ou o pão.
  • Prefira doces caseiros com menos açúcar, frutas, aveia e canela.
  • Cuidado com produtos "diet" e "zero": podem não ter açúcar, mas ter farinha branca, gordura e muitas calorias.
  • Meça a glicose 2 horas depois para aprender como seu corpo reage.

Como diminuir a vontade de doce?

  1. Reduza o açúcar do café aos poucos, meia colher a menos por semana.
  2. Troque o refrigerante por água com gás e limão ou chá gelado sem açúcar.
  3. Tenha fruta sempre à mão para quando a vontade aparecer.
  4. Use canela, baunilha e cacau para dar sensação de doce.
  5. Durma bem e não pule refeições: fome e cansaço aumentam a vontade de açúcar.

O paladar se adapta em algumas semanas. Com o tempo, muitas pessoas deixam de sentir falta até do adoçante. Veja outras trocas nos lanches em lanches e prevenção de hipoglicemia.

Perguntas frequentes

Qual o melhor adoçante para diabético?

Não há um único melhor. Stevia e sucralose são boas opções. Eritritol e xilitol: estudos recentes levantaram dúvidas sobre o uso em grande quantidade por quem tem doença cardiovascular, então prefira quantidades pequenas. Escolha o que você tolera melhor e use com moderação.

Adoçante aumenta a glicose?

Os adoçantes sem calorias praticamente não sobem a glicose. Mas alguns adoçantes em pó usam maltodextrina ou dextrose como veículo, que têm carboidrato. Confira o rótulo.

Produto diet pode ser comido à vontade?

Não. Diet significa sem um ingrediente, geralmente o açúcar, mas o produto pode ter muita gordura, farinha e calorias.

Mel é mais saudável que açúcar para diabético?

Não. O mel sobe a glicose de forma parecida com o açúcar e deve ser evitado ou usado em pequena quantidade.

Grávida com diabetes pode usar adoçante?

Alguns adoçantes, como sucralose e stevia, são considerados seguros na gestação em quantidade moderada. Sacarina e ciclamato costumam ser evitados. Converse com o obstetra.

Referências

  1. World Health Organization (WHO). Guideline: sugars intake for adults and children. Genebra, 2015. Disponível em: Guideline: sugars intake for adults and children (OMS).
  2. World Health Organization (WHO). Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline. Genebra, 2023. Disponível em: Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline (OMS).
  3. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 5. Facilitating Positive Health Behaviors and Well-being to Improve Health Outcomes: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care, 2026;49(Suppl 1):S89. Disponível em: Standards of Care in Diabetes—2026, seção 5 (ADA).
  4. Ramos S, Campos LF, Baptista DR, et al. Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes mellitus tipo 2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/5238993.2023-8. Disponível em: Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes tipo 2 (Diretriz SBD).
  5. Bundesinstitut für Risikobewertung (BfR). Harmful compounds might be formed when foods containing the sweetener sucralose are heated. BfR Opinion No 012/2019. Berlim, 2019. Disponível em: Harmful compounds might be formed when foods containing sucralose are heated (BfR).
  6. Witkowski M, Nemet I, Alamri H, et al. The artificial sweetener erythritol and cardiovascular event risk. Nature Medicine, 2023;29:710-718. Disponível em: The artificial sweetener erythritol and cardiovascular event risk (Nature Medicine).
  7. Witkowski M, Nemet I, Li XS, et al. Xylitol is prothrombotic and associated with cardiovascular risk. European Heart Journal, 2024;45(27):2439-2452. Disponível em: Xylitol is prothrombotic and associated with cardiovascular risk (European Heart Journal).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6