Resumo rápido
- Muitos remédios atravessam a placenta e chegam ao bebê. Por isso, na gravidez, nenhum remédio deve ser tomado por conta própria.
- A fase de maior sensibilidade é a formação dos órgãos, entre a 5ª e a 10ª semana de gravidez, mais ou menos.
- Quem usa remédio contínuo não deve parar sozinha: em muitos casos, a doença sem tratamento é mais perigosa que o remédio.
- Anti-inflamatórios, como ibuprofeno e diclofenaco, devem ser evitados, principalmente a partir da 20ª semana.
- Chás e produtos naturais não são automaticamente seguros. Também precisam de orientação.
Por que tanto cuidado com remédios na gravidez?
Boa parte dos remédios passa da mãe para o bebê pela placenta. Alguns não causam nenhum problema, outros podem atrapalhar a formação dos órgãos ou o funcionamento da placenta, e muitos ainda foram pouco estudados em grávidas.
O risco muda com a fase da gravidez:
- Primeiras semanas depois da concepção: costuma valer a regra do "tudo ou nada". Ou a exposição não afeta o embrião, ou leva à perda da gravidez.
- Da 5ª à 10ª semana, mais ou menos: é a fase em que os órgãos se formam e o bebê está mais sensível.
- Segundo e terceiro trimestres: alguns remédios podem afetar o crescimento do bebê, os rins, o líquido amniótico ou o coração.
Por isso a regra de ouro é simples: antes de tomar qualquer coisa, pergunte ao profissional do pré-natal ou ao farmacêutico, e sempre diga que está grávida.
E quem já usa remédio todo dia?
Se você trata pressão alta, epilepsia, depressão, ansiedade, asma, tireoide, diabetes ou outra doença, não pare o remédio por conta própria quando descobrir a gravidez.
Em muitos casos, a doença sem controle traz mais riscos para você e para o bebê do que o próprio remédio. Uma crise convulsiva, uma crise de asma grave ou uma depressão sem tratamento, por exemplo, podem ser perigosas.
O certo é marcar uma consulta o quanto antes com quem prescreveu o remédio ou com a equipe do pré-natal. Às vezes o remédio é mantido, às vezes a dose muda, e às vezes ele é trocado por outro mais seguro.
E os remédios do dia a dia?
Veja os cuidados com os remédios mais usados no dia a dia. Mesmo os considerados mais seguros devem ser usados na menor dose e pelo menor tempo possível, e com orientação.
| Situação | O que se sabe |
|---|---|
| Dor e febre | O paracetamol é o mais usado na gravidez. A dipirona é comum no Brasil, mas a bula orienta evitar no primeiro e no terceiro trimestre |
| Anti-inflamatórios | Ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida e parecidos devem ser evitados, principalmente a partir da 20ª semana |
| Nariz entupido | Prefira soro fisiológico. Descongestionantes nasais e orais devem ser evitados |
| Azia | Alguns antiácidos podem ser usados, mas com orientação sobre qual e quanto |
| Alergia | Alguns antialérgicos podem ser usados com indicação profissional |
| Infecções | Muitos antibióticos são seguros, mas outros são contraindicados. Só com receita |
Sobre o paracetamol: em 2025 houve bastante discussão sobre uma possível relação com autismo. As principais sociedades médicas, como o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, avaliaram os estudos e mantiveram a orientação de que ele segue sendo a opção indicada para dor e febre na gravidez, quando necessário. Febre alta sem tratamento também traz riscos para o bebê.
Quais remédios são contraindicados?
Alguns remédios são conhecidos por causar malformações ou outros problemas graves e são contraindicados na gravidez. Entre os mais conhecidos estão:
- Isotretinoína, usada para acne, e outros derivados da vitamina A em comprimido.
- Ácido valproico, usado para epilepsia e transtorno bipolar.
- Varfarina, usada para afinar o sangue.
- Alguns remédios para pressão, como enalapril, captopril e losartana, principalmente a partir do segundo trimestre.
- Metotrexato, misoprostol e talidomida.
- Alguns antibióticos, como as tetraciclinas.
Se você usa algum deles e está grávida ou quer engravidar, procure seu médico logo. Não interrompa por conta própria sem conversar, principalmente no caso dos remédios para epilepsia.
O que significam as letras A, B, C, D e X na bula?
Muitas bulas no Brasil ainda trazem uma classificação por letras para o uso na gravidez. De forma simplificada, a letra A indica estudos sem risco demonstrado, e a X indica que o remédio é contraindicado. As letras do meio mostram graus diferentes de incerteza ou de risco.
Essa classificação ajuda, mas é limitada: ela não leva em conta a dose, a fase da gravidez nem a sua doença. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela foi substituída por descrições mais detalhadas. Por isso, a bula não substitui a conversa com um profissional.
Chás e produtos naturais são seguros?
Natural não quer dizer seguro. Muitas plantas têm substâncias ativas que podem causar contrações, sangramento ou fazer mal ao bebê, e a maioria não foi estudada em grávidas.
Evite chás e fitoterápicos sem orientação, principalmente arruda, sene, boldo e cáscara-sagrada. Suplementos e vitaminas também devem ser indicados no pré-natal, porque o excesso de algumas vitaminas, como a A, faz mal.
Tomei remédio antes de saber que estava grávida. E agora?
Isso acontece com muitas mulheres e, na grande maioria das vezes, não traz problema para o bebê. Faça assim:
- Anote o nome do remédio, a dose e as datas em que tomou.
- Conte na primeira consulta de pré-natal ou procure a equipe antes, se estiver preocupada.
- Não tome decisões por medo: o profissional vai avaliar o seu caso com calma.
Perguntas frequentes
Grávida pode tomar paracetamol?
Sim, quando necessário e com orientação. O paracetamol é o remédio mais indicado para dor e febre na gravidez, sempre na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.
Grávida pode tomar dipirona?
A dipirona é muito usada no Brasil, mas a bula orienta evitar o uso no primeiro e no terceiro trimestre. Use só com orientação de um profissional.
Posso tomar ibuprofeno na gravidez?
Os anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, devem ser evitados na gravidez, principalmente a partir da 20ª semana, porque podem diminuir o líquido amniótico e afetar o coração do bebê.
O AAS infantil que o médico passou não é perigoso?
O AAS em dose baixa é indicado em algumas gestações para ajudar a prevenir a pré-eclâmpsia. É bem diferente do uso em dose alta para dor. Siga exatamente a orientação da equipe.
Posso usar pomadas e cremes na gravidez?
Muitos são seguros, mas alguns também são absorvidos pela pele, como os cremes com derivados da vitamina A para acne. Mostre o produto ao profissional antes de usar.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Cadernos de Atenção Básica, n. 32. Brasília, 2012. Disponível em: Atenção ao pré-natal de baixo risco (Ministério da Saúde). Acesso em: 27/09/2026.
- U.S. Food and Drug Administration (FDA). FDA recommends avoiding use of NSAIDs in pregnancy at 20 weeks or later because they can result in low amniotic fluid. Drug Safety Communication, 2020. Disponível em: Avoiding NSAIDs in pregnancy at 20 weeks or later (FDA). Acesso em: 27/09/2026.
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Acetaminophen Use in Pregnancy and Neurodevelopmental Outcomes. Practice Advisory, 2025. Disponível em: Acetaminophen Use in Pregnancy and Neurodevelopmental Outcomes (ACOG). Acesso em: 27/09/2026.
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). ACOG Affirms Safety and Benefits of Acetaminophen during Pregnancy. 2025. Disponível em: ACOG Affirms Safety and Benefits of Acetaminophen during Pregnancy (ACOG). Acesso em: 27/09/2026.
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Treating for Two: a national strategy for safer medication use in pregnancy. Disponível em: Treating for Two: safer medication use in pregnancy (CDC). Acesso em: 27/09/2026.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

