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Engravidando

Idade e fertilidade: o que muda depois dos 35

O que a ciência diz sobre a fertilidade ao longo dos anos, quais cuidados a gravidez depois dos 35 pede e como planejar com informação, sem pânico.

7 min de leitura Publicado em Revisado em
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  1. Resumo rápido
  2. Por que a idade importa tanto para a mulher?
  3. Como a fertilidade muda com os anos?
  4. A gravidez depois dos 35 é mais arriscada?
  5. Existe exame que mostra quantos óvulos eu tenho?
  6. Congelar óvulos é uma opção?
  7. E a idade do homem, também conta?
  8. Como se planejar sem neura?
  9. Quando procurar ajuda?
  10. Perguntas frequentes
  11. Referências

Resumo rápido

  • A fertilidade da mulher começa a cair aos poucos depois dos 30 e de forma mais rápida depois dos 35, porque os óvulos diminuem em quantidade e em qualidade.
  • Aos 30 anos, a chance de engravidar em cada ciclo fica perto de 20%. Aos 40, fica abaixo de 5%.
  • Depois dos 35, aumentam os riscos de aborto espontâneo, alterações cromossômicas, diabetes gestacional e pressão alta. Mesmo assim, a maioria das gestações corre bem.
  • Procure ajuda depois de 6 meses tentando se você tem 35 anos ou mais, e logo no início se tem mais de 40.
  • No homem, a idade também pesa, mas de forma bem mais lenta.

Por que a idade importa tanto para a mulher?

A mulher já nasce com todos os óvulos que vai ter na vida. Ao nascer, são cerca de 1 milhão. Na puberdade, sobram uns 300 mil. Desses, só cerca de 300 chegam a ser liberados nas ovulações ao longo da vida. O resto vai sendo perdido naturalmente, todos os meses, mesmo em quem usa anticoncepcional ou está grávida.

Com o passar dos anos, acontecem duas coisas ao mesmo tempo:

  • A quantidade de óvulos diminui, o que os médicos chamam de reserva ovariana.
  • A qualidade também cai: óvulos mais velhos têm mais chance de ter erros nos cromossomos. Esses erros dificultam a gravidez e aumentam o risco de aborto.

É por isso que a idade é o fator que mais pesa na fertilidade feminina, mais até do que muitos problemas de saúde.

Como a fertilidade muda com os anos?

Os anos mais férteis da mulher são os 20 e poucos anos. A queda começa de forma lenta depois dos 30 e fica mais rápida depois dos 35, e ainda mais depois dos 37. Veja a chance aproximada de engravidar em cada ciclo, para uma mulher saudável tentando naturalmente:

IdadeChance de engravidar por ciclo
Por volta dos 30 anosCerca de 20%
Por volta dos 40 anosMenos de 5%
Metade dos 40 em dianteA gravidez com os próprios óvulos se torna rara

Esses números são médias. Cada corpo é diferente: tem mulher de 38 que engravida no primeiro mês e mulher de 30 que demora mais. O importante é saber que o tempo conta e planejar com isso em mente.

A gravidez depois dos 35 é mais arriscada?

A gravidez a partir dos 35 anos é chamada de idade materna avançada. O nome assusta, mas não quer dizer que a gravidez é doente ou perigosa. Quer dizer só que alguns riscos ficam um pouco maiores e merecem mais atenção no pré-natal:

  • Aborto espontâneo: fica mais comum com a idade, principalmente por causa das alterações nos cromossomos do óvulo.
  • Alterações cromossômicas no bebê, como a síndrome de Down.
  • Diabetes gestacional e pressão alta, incluindo a pré-eclâmpsia.
  • Gravidez de gêmeos, que é mais frequente nessa idade.
  • Parto prematuro e cesárea, que também ficam um pouco mais comuns.

A chance de síndrome de Down, por exemplo, aumenta assim com a idade da mãe no parto:

Idade da mãeChance aproximada de síndrome de Down
25 anos1 em 1.250
30 anos1 em 950
35 anos1 em 380
40 anos1 em 100
45 anos1 em 30

Mesmo aos 40, a grande maioria dos bebês nasce sem alterações cromossômicas. O pré-natal oferece exames de rastreio que ajudam a acompanhar isso com segurança.

Existe exame que mostra quantos óvulos eu tenho?

Existem exames que estimam a reserva ovariana, como a dosagem do hormônio antimülleriano (chamado de AMH) e a contagem de folículos no ultrassom.

Mas atenção: esses exames mostram mais ou menos a quantidade de óvulos, e não a qualidade deles. Um estudo importante com mulheres de 30 a 44 anos mostrou que um resultado baixo de AMH não diminuiu a chance de engravidar naturalmente nos meses seguintes.

Por isso, esses exames não servem como um "teste de fertilidade" para quem ainda nem começou a tentar. Eles são úteis em situações específicas, como na avaliação de quem já está com dificuldade para engravidar ou pensa em congelar óvulos.

Congelar óvulos é uma opção?

Para quem quer adiar a gravidez, o congelamento de óvulos é uma possibilidade. A ideia é guardar óvulos mais jovens para usar no futuro.

O resultado depende muito da idade em que os óvulos são congelados: quanto mais jovem, melhores as chances. Depois dos 35, os resultados vão ficando menos favoráveis. Também é importante saber que o congelamento aumenta as chances, mas não garante uma gravidez no futuro.

Esse é um tratamento particular e caro na maioria dos casos. Vale conversar com um especialista em reprodução humana para entender se faz sentido para você.

E a idade do homem, também conta?

Conta, mas bem menos. O homem produz espermatozoides novos a vida toda, e a queda na qualidade do sêmen acontece de forma lenta, ficando mais importante geralmente depois dos 60 anos.

Mesmo assim, com o passar dos anos pode levar um pouco mais de tempo para o casal engravidar, e existe um pequeno aumento no risco de algumas alterações genéticas no bebê. Hábitos como não fumar, evitar álcool e manter o peso saudável ajudam a preservar a fertilidade masculina em qualquer idade.

Como se planejar sem neura?

Saber que a idade pesa não precisa virar motivo de ansiedade. Informação serve para decidir com calma. Algumas atitudes ajudam, em qualquer idade:

  • Converse sobre o assunto nas consultas de rotina. Contar ao ginecologista ou ao médico de família que você pensa em engravidar, agora ou daqui a alguns anos, já ajuda a planejar.
  • Cuide da saúde geral. Peso saudável, atividade física e sono em dia ajudam a manter a ovulação regular.
  • Pare de fumar. O cigarro acelera a perda de óvulos e pode antecipar a menopausa em alguns anos.
  • Trate o que precisa ser tratado. Doenças como problemas de tireoide, diabetes e infecções sexualmente transmissíveis podem afetar a fertilidade e merecem atenção.
  • Não adie a busca por ajuda. Depois dos 35, esperar mais do que o necessário pode custar um tempo precioso.

Quando procurar ajuda?

Como o tempo pesa mais depois dos 35, a orientação de quando procurar um especialista muda com a idade da mulher:

  • Menos de 35 anos: depois de 12 meses de relações regulares sem proteção.
  • Entre 35 e 40 anos: depois de 6 meses tentando.
  • Mais de 40 anos: logo no início, antes mesmo de completar 6 meses.

Também vale procurar ajuda antes se a menstruação é muito irregular ou se você tem algum problema conhecido, como endometriose.

Se você tem mais de 35 anos e quer engravidar, uma consulta antes de começar a tentar ajuda a colocar exames e vacinas em dia, iniciar o ácido fólico e deixar tudo pronto sem perder tempo.

Perguntas frequentes

Com que idade a fertilidade começa a cair?

A queda começa de forma lenta por volta dos 30 a 32 anos e fica mais rápida depois dos 35, principalmente depois dos 37. Isso é uma média: cada mulher tem o seu ritmo.

É possível engravidar naturalmente depois dos 40?

Sim, é possível, mas a chance por ciclo é bem menor, geralmente abaixo de 5%, e o risco de aborto é maior. Por isso, depois dos 40 a orientação é procurar um especialista logo no início das tentativas.

Tomar anticoncepcional por muitos anos gasta os óvulos?

Não. O anticoncepcional não faz a mulher perder óvulos mais rápido nem guarda óvulos para depois. A perda natural acontece todo mês, com ou sem anticoncepcional.

Quem menstrua certinho ainda é fértil?

Menstruação regular é um bom sinal de que a ovulação está acontecendo, mas não garante a qualidade dos óvulos. Por isso a idade continua sendo importante, mesmo com ciclos regulares.

A fertilização in vitro resolve o efeito da idade?

Não totalmente. A fertilização in vitro também depende da qualidade dos óvulos, e as chances de sucesso com os próprios óvulos caem com a idade, ficando bem baixas depois dos 43 anos.

Referências

  1. American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Age and Fertility: a guide for patients. ReproductiveFacts.org. Disponível em: Age and Fertility: patient education booklet (ASRM). Acesso em: 27/09/2026.
  2. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Female age-related fertility decline. Committee Opinion n. 589, 2014. Disponível em: Female Age-Related Fertility Decline (ACOG). Acesso em: 27/09/2026.
  3. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Having a Baby After Age 35: How Aging Affects Fertility and Pregnancy. Disponível em: Having a Baby After Age 35 (ACOG). Acesso em: 27/09/2026.
  4. Steiner AZ, Pritchard D, Stanczyk FZ, et al. Association between biomarkers of ovarian reserve and infertility among older women of reproductive age. JAMA, 2017;318(14):1367-1376. Disponível em: Biomarkers of ovarian reserve and infertility (JAMA, 2017). Acesso em: 27/09/2026.
  5. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Fertility problems: assessment and treatment (CG156). Disponível em: Fertility problems: assessment and treatment (NICE CG156). Acesso em: 27/09/2026.
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6