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Condições da gravidez

Gravidez ectópica

Quando o embrião se implanta fora do útero, geralmente na trompa. Entenda os sinais, por que ela exige atenção rápida e como é o tratamento.

5 min de leitura Publicado em Revisado em
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. O que é a gravidez ectópica?
  3. Quem tem mais risco?
  4. Quais são os sintomas?
  5. Como é feito o diagnóstico?
  6. Como é o tratamento?
  7. E depois? Posso engravidar de novo?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • Na gravidez ectópica, o embrião se implanta fora do útero, quase sempre em uma das trompas. Ela acontece em cerca de 1 a 2 em cada 100 gestações.
  • Essa gravidez não consegue se desenvolver e, se crescer, pode romper a trompa e causar uma hemorragia grave.
  • Os sinais aparecem geralmente entre 4 e 12 semanas: dor de um lado da barriga, sangramento e, às vezes, dor no ombro e tontura.
  • O diagnóstico é feito com ultrassom transvaginal e beta-hCG no sangue.
  • O tratamento pode ser acompanhamento, remédio (metotrexato) ou cirurgia. A maioria das mulheres consegue engravidar de novo depois.

O que é a gravidez ectópica?

Normalmente, o óvulo é fecundado na trompa e desce até o útero, onde se implanta e se desenvolve. Na gravidez ectópica, o embrião se fixa antes de chegar ao útero. Em mais de 90% dos casos, isso acontece na trompa. Mais raramente, pode ser no ovário, no colo do útero, na cicatriz de uma cesárea ou na barriga.

A trompa não tem espaço nem estrutura para uma gravidez. Por isso, a gravidez ectópica não tem como seguir, e o embrião não consegue sobreviver. Se ela continuar crescendo, pode romper a trompa e causar um sangramento dentro da barriga, que é uma emergência.

Quem tem mais risco?

Qualquer mulher pode ter uma gravidez ectópica, mas o risco é maior em quem tem:

  • Gravidez ectópica anterior.
  • Cirurgia nas trompas, incluindo a laqueadura.
  • Doença inflamatória pélvica, geralmente causada por infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia.
  • Tratamento para engravidar, como a fertilização in vitro.
  • Gravidez com DIU. O DIU evita muito bem a gravidez, mas, se ela acontecer, a chance de ser ectópica é maior.
  • Fumo.
  • Idade acima de 35 anos.

Mesmo assim, cerca de metade das mulheres com gravidez ectópica não tem nenhum fator de risco conhecido.

Quais são os sintomas?

No começo, a gravidez ectópica pode parecer uma gravidez comum, com atraso menstrual e teste positivo. Os sintomas costumam aparecer entre a 4ª e a 12ª semana:

  • Dor no pé da barriga, geralmente de um lado só, que pode começar leve e piorar.
  • Sangramento vaginal ou corrimento marrom, muitas vezes diferente de uma menstruação.
  • Dor na ponta do ombro, causada pelo sangue que irrita a região abaixo do pulmão.
  • Desconforto ao urinar ou evacuar.

Procure atendimento imediatamente se estiver grávida, ou puder estar, e tiver dor forte na barriga, dor no ombro, tontura, desmaio, palidez ou sangramento intenso. Podem ser sinais de rompimento da trompa.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico combina dois exames:

  • Ultrassom transvaginal, que procura a gravidez dentro do útero e pode mostrar a gravidez na trompa.
  • Beta-hCG no sangue, o hormônio da gravidez. Muitas vezes ele é repetido depois de 48 horas, para ver se está subindo como esperado.

Às vezes, no começo, ainda não dá para ver onde a gravidez está. É a chamada gravidez de localização desconhecida. Nesses casos, a equipe acompanha com novos exames até ter certeza, e é muito importante voltar nas datas combinadas.

Como é o tratamento?

O tratamento depende dos sintomas, do tamanho da gravidez ectópica, do valor do beta-hCG e de haver ou não rompimento:

OpçãoQuando costuma ser indicada
AcompanhamentoPoucos sintomas e beta-hCG baixo e caindo. Muitas vezes, a gravidez é absorvida pelo próprio corpo
MetotrexatoMulher estável, sem rompimento, com gravidez ectópica pequena e beta-hCG não muito alto. É uma injeção que interrompe o crescimento da gravidez
CirurgiaRompimento, dor forte, sangramento na barriga ou quando os outros tratamentos não são possíveis. Geralmente por videolaparoscopia

Na cirurgia, a trompa pode ser retirada ou, em alguns casos, preservada, abrindo-a para retirar a gravidez. Em todos os tratamentos, o beta-hCG é acompanhado até ficar negativo. Se você for Rh negativo, pode precisar de imunoglobulina anti-D.

E depois? Posso engravidar de novo?

Sim. A maioria das mulheres consegue engravidar de novo naturalmente, mesmo com uma trompa só. O risco de ter outra gravidez ectópica é de cerca de 1 em cada 10. Por isso, na próxima gravidez, faça um ultrassom logo no início para confirmar que ela está no útero.

Depois do metotrexato, o recomendado é esperar pelo menos 3 meses para engravidar, porque o remédio pode fazer mal ao bebê. Depois da cirurgia ou do acompanhamento, a orientação geral é esperar ao menos duas menstruações. Converse com a equipe sobre um método para evitar a gravidez nesse período.

Perder uma gravidez, mesmo que ela não pudesse continuar, pode trazer tristeza, medo e luto. Esses sentimentos são legítimos. Procure apoio de pessoas próximas e da equipe de saúde se precisar.

Perguntas frequentes

O bebê de uma gravidez ectópica pode ser transferido para o útero?

Não. Não existe forma de transferir o embrião para o útero. A gravidez ectópica não tem como se desenvolver e precisa ser tratada.

Teste de farmácia mostra se a gravidez é ectópica?

Não. O teste dá positivo tanto na gravidez normal quanto na ectópica. Só o ultrassom e o beta-hCG no sangue mostram onde a gravidez está.

Tomar metotrexato dói?

É uma injeção. Nos dias seguintes, é comum ter um pouco de dor na barriga. Evite álcool, remédios com ácido fólico e anti-inflamatórios, conforme a orientação da equipe, e procure atendimento se a dor ficar forte.

Perdi uma trompa. Minha fertilidade acabou?

Não. Com uma trompa saudável, é possível engravidar naturalmente. Se houver dificuldade, a fertilização in vitro também é uma opção.

Gravidez ectópica pode acontecer de novo?

Pode, com um risco de cerca de 10%. Por isso, na próxima gravidez, procure o pré-natal cedo e faça um ultrassom no início.

Referências

  1. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Ectopic pregnancy and miscarriage: diagnosis and initial management. NG126, 2019. Disponível em: Ectopic pregnancy and miscarriage: diagnosis and initial management (NICE). Acesso em: 27/09/2026.
  2. NHS. Ectopic pregnancy. Disponível em: Ectopic pregnancy (NHS). Acesso em: 27/09/2026.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco. Brasília, 2022. Disponível em: Manual de Gestação de Alto Risco (Ministério da Saúde). Acesso em: 27/09/2026.
  4. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Ectopic Pregnancy. FAQ. Disponível em: Ectopic Pregnancy (ACOG). Acesso em: 27/09/2026.
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6