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Segundo trimestre

Curva glicêmica e outros exames

Os exames do segundo trimestre, explicados sem jargão: como se preparar para a curva glicêmica, como entender os valores e o que mais costuma ser pedido nessa fase.

6 min de leitura Publicado em Revisado em
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  1. Resumo rápido
  2. Quais exames são feitos no segundo trimestre?
  3. O que é a curva glicêmica?
  4. Como se preparar e como é o exame?
  5. Como entender o resultado?
  6. E se der diabetes gestacional?
  7. E os outros exames dessa fase?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • A curva glicêmica, ou TOTG, é feita entre a 24ª e a 28ª semana para rastrear o diabetes gestacional.
  • Ela é indicada para quem teve glicemia de jejum abaixo de 92 mg/dL no começo da gravidez.
  • O diabetes gestacional é confirmado se algum valor ficar igual ou acima de 92 em jejum, 180 com 1 hora ou 153 com 2 horas.
  • O segundo trimestre também tem o ultrassom morfológico e, para quem é Rh negativo, o Coombs indireto.
  • Em algumas situações, podem ser pedidos a medida do colo do útero e o ecocardiograma fetal.

Quais exames são feitos no segundo trimestre?

ExameQuandoPara quem
Ultrassom morfológico20 a 24 semanasTodas as gestantes, conforme disponibilidade
Curva glicêmica (TOTG)24 a 28 semanasQuem teve glicemia de jejum normal no início
Coombs indiretoAo longo da gravidez, incluindo por volta de 28 semanasQuem tem sangue Rh negativo
ToxoplasmoseA cada trimestre ou conforme o serviçoQuem não tem proteção
Medida do colo do útero20 a 24 semanasConforme o serviço e o risco
Ecocardiograma fetal24 a 28 semanasQuando há indicação

Nas consultas mensais, a equipe também mede a pressão, o peso e a altura do útero, escuta o coração do bebê e pergunta sobre os movimentos. Tudo isso faz parte da avaliação.

O que é a curva glicêmica?

A curva glicêmica, chamada pelos médicos de TOTG (teste oral de tolerância à glicose), mostra como o seu corpo lida com o açúcar. Na gravidez, os hormônios da placenta dificultam a ação da insulina, e algumas mulheres desenvolvem o diabetes gestacional, que costuma aparecer justamente no segundo trimestre.

O exame é feito entre a 24ª e a 28ª semana por quem teve a glicemia de jejum abaixo de 92 mg/dL no começo do pré-natal. Isso é importante: um jejum normal no início não descarta o diabetes gestacional.

Como se preparar e como é o exame?

Antes do exame

  • Nos dias anteriores, coma normalmente, sem cortar carboidratos. Fazer dieta antes do exame pode alterar o resultado.
  • Faça jejum de 8 horas, podendo beber água, ou siga o tempo orientado pelo laboratório.
  • Leve algo para se distrair: o exame leva cerca de 2 horas.

Durante o exame

  1. É feita a primeira coleta de sangue, em jejum.
  2. Você toma uma bebida com 75 g de glicose, bem doce, em até 5 minutos.
  3. Novas coletas são feitas 1 hora e 2 horas depois.

Entre as coletas, fique sentada e em repouso, sem comer, sem fumar e sem caminhar pelo prédio. Se vomitar a bebida, avise o laboratório: o exame precisa ser remarcado.

Como entender o resultado?

Pelos critérios usados no Brasil, o diabetes gestacional é confirmado se pelo menos um dos valores ficar igual ou acima de:

ColetaValor que indica diabetes gestacional
Em jejum92 mg/dL ou mais
1 hora depois180 mg/dL ou mais
2 horas depois153 mg/dL ou mais

Se o valor de 2 horas passar de 200 mg/dL, é provável que o diabetes já existisse antes da gravidez.

Em lugares onde a curva não está disponível, a equipe pode usar só a glicemia de jejum para o rastreio.

E se der diabetes gestacional?

Receber esse diagnóstico assusta, mas o diabetes gestacional tem tratamento, e a maioria das mulheres consegue controlá-lo bem. O cuidado costuma incluir:

  • Ajustes na alimentação, de preferência com orientação de nutricionista.
  • Atividade física regular, se não houver contraindicação.
  • Medição da glicose em casa, com aparelho de ponta de dedo.
  • Remédio ou insulina, quando só a alimentação e o exercício não bastam.

Controlar a glicose protege o bebê de crescer demais e de ter hipoglicemia ao nascer, e diminui o risco de pré-eclâmpsia e de cesárea. Depois do parto, o diabetes costuma desaparecer, mas é importante repetir o exame algumas semanas depois e manter o acompanhamento, porque o risco de diabetes no futuro fica maior.

E os outros exames dessa fase?

  • Coombs indireto: para quem é Rh negativo, procura anticorpos contra o sangue do bebê. Por volta da 28ª semana, quando indicado, é aplicada a imunoglobulina anti-D.
  • Medida do colo do útero: feita por ultrassom transvaginal, em alguns serviços, junto com o morfológico. Um colo muito curto aumenta o risco de parto prematuro, e existe tratamento para reduzir esse risco.
  • Ecocardiograma fetal: um ultrassom detalhado do coração do bebê, indicado em situações como diabetes antes da gravidez, casos de doença do coração na família, alteração no morfológico ou uso de alguns remédios.
  • Toxoplasmose: repetida para quem não tem proteção, para identificar uma infecção nova cedo.

Perguntas frequentes

Posso fazer a curva glicêmica antes de 24 semanas?

Em algumas situações, com fatores de risco, o médico pode pedir antes. Mas, para a maioria das gestantes, o momento certo é entre a 24ª e a 28ª semana, quando o diabetes gestacional costuma aparecer.

Passei mal com a bebida da curva. É normal?

É comum sentir enjoo, tontura ou mal-estar leve com a bebida muito doce. Se vomitar, avise o laboratório, porque o exame precisa ser refeito outro dia.

Diabetes gestacional faz mal ao bebê?

Sem controle, pode fazer o bebê crescer demais e ter hipoglicemia ao nascer, entre outros riscos. Com tratamento e glicose controlada, a grande maioria das gestações corre bem.

Tive diabetes gestacional. Vou ter de novo na próxima gravidez?

O risco é maior, mas não é certo. Chegar à próxima gravidez com peso saudável e hábitos ativos ajuda a diminuir essa chance.

O ecocardiograma fetal é feito em todas as gestantes?

Não. Ele é indicado em situações específicas. Na maioria das gestações, o coração do bebê é avaliado no ultrassom morfológico.

Referências

  1. Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde; Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia; Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, 2016. Disponível em: Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil (OPAS). Acesso em: 27/09/2026.
  2. TelessaúdeRS-UFRGS. Como realizar o rastreamento de diabetes na gestação? Disponível em: Como realizar o rastreamento de diabetes na gestação (TelessaúdeRS-UFRGS). Acesso em: 27/09/2026.
  3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes. Disponível em: Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação (SBD). Acesso em: 27/09/2026.
  4. Salomon LJ, Alfirevic Z, Berghella V, et al. ISUOG Practice Guidelines (updated): performance of the routine mid-trimester fetal ultrasound scan. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology, 2022;59(6):840-856. Disponível em: Performance of the routine mid-trimester fetal ultrasound scan (ISUOG). Acesso em: 27/09/2026.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Cadernos de Atenção Básica, n. 32. Brasília, 2012. Disponível em: Atenção ao pré-natal de baixo risco (Ministério da Saúde). Acesso em: 27/09/2026.
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6