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Engravidando

Tentando há um tempo? Quando procurar ajuda

Quanto tempo esperar, quais exames o casal costuma fazer e o que pode estar por trás da demora. Informação para dar o próximo passo com mais tranquilidade.

6 min de leitura Publicado em Revisado em
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  1. Resumo rápido
  2. Quanto tempo é normal demorar?
  3. Quando procurar ajuda?
  4. Quais são as causas mais comuns?
  5. Quais exames o casal costuma fazer?
  6. Onde procurar atendimento?
  7. Quais são os tratamentos?
  8. E o lado emocional?
  9. Perguntas frequentes
  10. Referências

Resumo rápido

  • Procure ajuda depois de 12 meses tentando se a mulher tem menos de 35 anos, e depois de 6 meses se tem 35 anos ou mais.
  • Com mais de 40 anos ou com algum problema conhecido, como ciclos muito irregulares, o ideal é procurar logo no início.
  • A dificuldade para engravidar é comum: atinge cerca de 1 em cada 6 pessoas em idade reprodutiva no mundo.
  • A investigação é sempre do casal. O homem faz o espermograma, um exame simples e que deve ser feito cedo.
  • Muitos casos se resolvem com tratamentos simples, e nem todo casal vai precisar de fertilização in vitro.

Quanto tempo é normal demorar?

Engravidar raramente acontece no primeiro mês. Em um casal jovem e saudável, a chance em cada ciclo fica em torno de 20% a 25%. Mesmo assim, cerca de 8 em cada 10 casais conseguem em até 1 ano de relações regulares sem proteção.

Quando a gravidez não acontece depois desse tempo, os médicos falam em infertilidade. O nome assusta, mas não quer dizer que o casal nunca vai conseguir. Quer dizer só que vale a pena investigar o que está atrapalhando.

E você não está sozinha: segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 em cada 6 pessoas em idade reprodutiva passa por isso em algum momento da vida.

Quando procurar ajuda?

O tempo de espera muda conforme a idade da mulher, porque a fertilidade cai mais rápido depois dos 35:

SituaçãoQuando procurar ajuda
Mulher com menos de 35 anosDepois de 12 meses tentando
Mulher entre 35 e 40 anosDepois de 6 meses tentando
Mulher com mais de 40 anosLogo no início das tentativas

Também não precisa esperar quando existe alguma situação que já aumenta a chance de dificuldade, como:

  • Menstruação muito irregular, com ciclos de menos de 21 ou mais de 35 dias, ou que some por meses.
  • Endometriose, cirurgias na barriga ou na pelve, ou infecções pélvicas no passado.
  • Tratamento de câncer com quimioterapia ou radioterapia.
  • No homem: caxumba com inflamação nos testículos, varicocele, cirurgias na região ou uso de anabolizantes.

Quais são as causas mais comuns?

A dificuldade pode vir da mulher, do homem, dos dois ou, às vezes, não ter uma causa encontrada. As mais comuns são:

Na mulher

  • Problemas na ovulação: como a síndrome dos ovários policísticos, alterações da tireoide e excesso do hormônio prolactina.
  • Trompas bloqueadas ou danificadas: muitas vezes por infecções sexualmente transmissíveis antigas, como a clamídia, ou por endometriose.
  • Alterações no útero: como miomas e pólipos, dependendo do tamanho e do local.
  • Idade: que reduz a quantidade e a qualidade dos óvulos.

No homem

  • Alterações nos espermatozoides: poucos, com pouco movimento ou com forma alterada.
  • Varicocele: varizes nas veias do testículo.
  • Hábitos e remédios: cigarro, excesso de álcool e, principalmente, testosterona e anabolizantes.

Em uma parte dos casais, todos os exames vêm normais. É a chamada infertilidade sem causa aparente, que também tem tratamento.

Quais exames o casal costuma fazer?

A investigação começa com uma boa conversa e um exame físico dos dois. Depois, os exames mais pedidos são:

ExamePara que serve
EspermogramaAvalia a quantidade, o movimento e a forma dos espermatozoides
Exames de hormôniosConfirmam se a ovulação acontece e avaliam tireoide e prolactina
Ultrassom transvaginalAvalia o útero e os ovários
HisterossalpingografiaUm raio-x com contraste que mostra se as trompas estão abertas

O espermograma merece destaque: ele é simples, não dói e responde uma pergunta importante logo no começo. Não faz sentido a mulher passar por vários exames antes de o parceiro fazer o dele.

Dependendo da idade e da história, o médico também pode pedir exames que estimam a reserva de óvulos.

Onde procurar atendimento?

O primeiro passo pode ser dado na unidade básica de saúde, pelo SUS, ou com um ginecologista. Lá já é possível começar a conversa e pedir os primeiros exames. Quando necessário, o casal é encaminhado para um serviço especializado em reprodução humana.

Leve para a consulta as datas das suas últimas menstruações, a lista de remédios que vocês usam e os exames que já tiverem. Isso ajuda a ganhar tempo.

Quais são os tratamentos?

O tratamento depende da causa, da idade da mulher e do tempo de tentativa. As opções vão das mais simples às mais complexas:

  • Mudanças de hábitos: ajustar o peso, parar de fumar e tratar doenças como problemas de tireoide.
  • Remédios para induzir a ovulação: muito usados em quem não ovula todo mês, como na síndrome dos ovários policísticos.
  • Cirurgia: em alguns casos de endometriose, miomas, pólipos ou varicocele.
  • Inseminação intrauterina: os espermatozoides são colocados direto no útero, no período fértil.
  • Fertilização in vitro: óvulos e espermatozoides se encontram no laboratório, e o embrião é colocado no útero.

Muitos casais conseguem engravidar com as opções mais simples. A fertilização in vitro é indicada em situações específicas, e não é o primeiro passo para todo mundo.

E o lado emocional?

A espera por um positivo que não vem pode ser muito pesada. Frustração a cada menstruação, ansiedade, culpa e desgaste na relação são sentimentos comuns, e merecem cuidado tanto quanto os exames.

Conversar com o parceiro, dividir o peso com pessoas de confiança e buscar apoio de um psicólogo ajudam muito nessa fase. E lembre: a dificuldade para engravidar é um problema de saúde, e não uma falha de ninguém.

Perguntas frequentes

Estresse impede de engravidar?

O estresse do dia a dia não costuma ser a causa principal da dificuldade para engravidar. Mas ele pesa na qualidade de vida e no relacionamento, e cuidar disso faz parte do processo.

Já tenho um filho. Posso ter dificuldade para engravidar de novo?

Sim. É a chamada infertilidade secundária, e ela é bem comum. A idade, mudanças no peso, infecções ou alterações no parceiro podem aparecer entre uma gravidez e outra. Os prazos para procurar ajuda são os mesmos.

O espermograma precisa de preparo?

Sim. Em geral, pede-se de 2 a 5 dias sem ejacular antes da coleta. O laboratório passa as orientações certinhas, e às vezes é preciso repetir o exame para confirmar um resultado alterado.

O SUS faz tratamento para engravidar?

O SUS faz a investigação inicial e alguns tratamentos. Existem serviços públicos de reprodução humana, inclusive com fertilização in vitro, mas eles são poucos e costumam ter fila. A unidade básica é a porta de entrada para esse encaminhamento.

Menstruação regular garante que estou ovulando?

Na maioria das vezes, ciclos regulares indicam que a ovulação está acontecendo. Mas isso não descarta outros problemas, como alterações nas trompas ou no parceiro. Por isso a investigação olha o casal como um todo.

Referências

  1. World Health Organization (WHO). 1 in 6 people globally affected by infertility. Genebra, 2023. Disponível em: 1 in 6 people globally affected by infertility (OMS). Acesso em: 27/09/2026.
  2. American College of Obstetricians and Gynecologists; American Society for Reproductive Medicine. Infertility workup for the women's health specialist. ACOG Committee Opinion n. 781. Obstetrics & Gynecology, 2019;133(6):e377-e384. Disponível em: Infertility Workup for the Women's Health Specialist (ACOG). Acesso em: 27/09/2026.
  3. Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Fertility evaluation of infertile women: a committee opinion. Fertility and Sterility, 2021. Disponível em: Fertility evaluation of infertile women: a committee opinion (ASRM). Acesso em: 27/09/2026.
  4. American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Defining infertility. ReproductiveFacts.org. Disponível em: Defining Infertility: patient fact sheet (ASRM). Acesso em: 27/09/2026.
  5. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Fertility problems: assessment and treatment (CG156). Disponível em: Fertility problems: assessment and treatment (NICE CG156). Acesso em: 27/09/2026.
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6