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Engravidando

Como engravidar: o que realmente ajuda

Dias certos, frequência das relações e hábitos que fazem diferença: o que a ciência mostra que funciona, o que é mito e quando vale procurar ajuda.

6 min de leitura Publicado em Revisado em
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. Quando é mais fácil engravidar?
  3. Como descobrir seus dias férteis?
  4. Com que frequência ter relações?
  5. O que realmente ajuda e o que é mito?
  6. O parceiro também precisa se cuidar?
  7. Quanto tempo pode demorar?
  8. Quando procurar ajuda?
  9. Perguntas frequentes
  10. Referências

Resumo rápido

  • A chance de engravidar é maior nos 6 dias do período fértil: os 5 dias antes da ovulação e o próprio dia dela.
  • Ter relações a cada 1 ou 2 dias nessa janela, ou a cada 2 ou 3 dias ao longo do mês, é o que mais aumenta as chances.
  • Posição, perna pra cima e orgasmo não mudam o resultado. Já cigarro, álcool e peso fora do ideal atrapalham.
  • Comece o ácido fólico antes de engravidar: 0,4 mg por dia, idealmente uns dois meses antes.
  • Cerca de 8 em cada 10 casais engravidam em até 1 ano. Procure ajuda após 12 meses tentando, ou após 6 meses se a mulher tiver 35 anos ou mais.

Quando é mais fácil engravidar?

A gravidez só acontece em uma janela curta de cada ciclo, chamada período fértil. Ela dura cerca de 6 dias: os 5 dias antes da ovulação e o dia em que ela acontece.

Isso tem uma explicação simples. O óvulo, depois de liberado, vive só de 12 a 24 horas. Já os espermatozoides conseguem sobreviver até 5 dias dentro do corpo da mulher. Por isso, a relação que acontece antes da ovulação conta muito: os espermatozoides já estão lá, esperando o óvulo chegar.

Os dias com maior chance são os dois ou três dias antes da ovulação e o próprio dia dela. Depois que a ovulação passa, a chance cai rapidamente até o próximo ciclo.

Como descobrir seus dias férteis?

A ovulação costuma acontecer cerca de 14 dias antes da próxima menstruação, e não necessariamente no 14º dia do ciclo. Em um ciclo de 28 dias, isso cai perto do 14º dia. Em um ciclo de 32 dias, fica mais perto do 18º.

Algumas formas de perceber quando ela está chegando:

  • Muco do colo do útero: perto da ovulação, a secreção vaginal fica transparente, elástica e escorregadia, parecida com clara de ovo. É um dos sinais mais confiáveis e não custa nada.
  • Teste de ovulação (LH): vendido em farmácia, detecta o hormônio que dispara a ovulação. Quando dá positivo, a ovulação costuma acontecer nas próximas 24 a 36 horas.
  • Calendário e aplicativos: ajudam a ter uma ideia, principalmente se o ciclo é regular. Mas são estimativas: não dá pra confiar só neles, porque o ciclo varia de um mês para outro.

Com que frequência ter relações?

A recomendação mais usada pelos especialistas é ter relações a cada 1 ou 2 dias durante o período fértil. Se você não quer (ou não consegue) acompanhar o ciclo, ter relações a cada 2 ou 3 dias ao longo do mês também funciona muito bem, porque assim sempre haverá espermatozoides esperando quando a ovulação chegar.

E aquela história de "guardar" o parceiro por vários dias para o esperma ficar mais forte? Não ajuda. Longos períodos sem ejacular não aumentam a chance, e ter relação todos os dias também não atrapalha a fertilidade de quem tem espermatozoides normais.

Um ponto importante: transformar o sexo em uma obrigação com hora marcada costuma gerar ansiedade e cansaço no casal. Se a pressão estiver pesando, a frequência de 2 a 3 vezes por semana, sem ficar contando os dias, é uma ótima saída.

O que realmente ajuda e o que é mito?

Tem muita dica circulando por aí. Separamos o que tem apoio da ciência e o que não passa de crença popular.

O que ajuda de verdade

  • Peso saudável: estar muito abaixo ou muito acima do peso pode bagunçar a ovulação. Em quem tem sobrepeso, perder mesmo uma parte pequena do peso já pode ajudar o ciclo a voltar ao normal.
  • Parar de fumar: o cigarro reduz a fertilidade da mulher e do homem e aumenta o risco de aborto. Vale para os dois.
  • Evitar álcool: o consumo frequente reduz as chances, e na gravidez não existe quantidade segura. Por isso, o ideal é parar já na fase de tentativas.
  • Café com moderação: até 1 ou 2 xícaras por dia (cerca de 200 mg de cafeína) não parece atrapalhar.
  • Ácido fólico: não aumenta a chance de engravidar, mas protege o bebê contra problemas na formação da coluna e do cérebro. O Ministério da Saúde orienta 0,4 mg por dia, começando uns dois meses antes.

O que é mito

  • Posição sexual: nenhuma posição aumenta a chance de engravidar.
  • Ficar deitada com as pernas pra cima: não é necessário. Os espermatozoides chegam ao colo do útero em poucos minutos.
  • Orgasmo feminino: é ótimo para o casal, mas não há provas de que mude a chance de gravidez.
  • Chás e simpatias: não têm efeito comprovado, e alguns chás podem até fazer mal no começo da gravidez.

Atenção aos lubrificantes: alguns, à base de água ou silicone, podem atrapalhar o movimento dos espermatozoides. Se precisar usar, prefira os que dizem na embalagem que são próprios para quem quer engravidar.

O parceiro também precisa se cuidar?

Sim, e muito. Em cerca de metade dos casais com dificuldade para engravidar, existe algum fator masculino envolvido.

O corpo do homem leva de 2 a 3 meses para produzir um espermatozoide novo. Ou seja, mudanças de hábito feitas hoje aparecem na qualidade do sêmen alguns meses depois. O que faz diferença:

  • Não fumar e evitar álcool em excesso.
  • Manter o peso saudável e se exercitar.
  • Nunca usar testosterona ou anabolizantes por conta própria: eles podem reduzir muito, ou até zerar, a produção de espermatozoides.
  • Evitar calor excessivo e prolongado nos testículos, como sauna frequente ou notebook no colo por horas.

Quanto tempo pode demorar?

Engravidar raramente acontece na primeira tentativa, e isso é normal. Mesmo em um casal jovem e saudável, a chance em cada ciclo fica em torno de 20% a 25%.

Na prática, a maioria dos casais engravida nos primeiros 6 meses, e cerca de 8 em cada 10 conseguem em até 1 ano de tentativas regulares. Com 2 anos, esse número passa de 9 em cada 10.

A idade da mulher é o fator que mais pesa: a fertilidade começa a cair aos poucos depois dos 30 e de forma mais rápida depois dos 35.

Quando procurar ajuda?

Não é preciso esperar demais. Procure um ginecologista ou a unidade de saúde:

  • Depois de 12 meses de relações regulares sem proteção, se a mulher tem menos de 35 anos.
  • Depois de 6 meses, se a mulher tem 35 anos ou mais.
  • Logo no início, se a mulher tem mais de 40 anos, menstruação muito irregular ou ausente, endometriose, cirurgia ou infecção pélvica no passado, ou se o homem tem algum problema conhecido nos testículos.

A avaliação é sempre do casal, e não só da mulher. E se vocês ainda estão no começo, uma boa ideia é marcar uma consulta antes de engravidar, que ajuda a deixar tudo pronto com segurança.

Perguntas frequentes

Deitar com as pernas pra cima depois da relação ajuda a engravidar?

Não. Os espermatozoides chegam ao colo do útero poucos minutos depois da ejaculação, e não há evidência de que ficar deitada ou levantar as pernas aumente a chance de gravidez.

Ter relação todo dia diminui a chance de engravidar?

Não, para quem tem espermatozoides normais. Relações diárias não atrapalham, mas a cada 1 ou 2 dias no período fértil já é suficiente e costuma ser menos cansativo para o casal.

Dá pra engravidar fora do período fértil?

É bem menos provável, mas pode acontecer, principalmente quando o ciclo é irregular e a ovulação vem antes ou depois do esperado. Por isso as contas de calendário nunca são 100% certas.

Aplicativo de ciclo é confiável para quem quer engravidar?

Ajuda a organizar, mas faz só uma estimativa com base nos ciclos anteriores. Para mais precisão, combine com a observação do muco vaginal ou com testes de ovulação de farmácia.

Quanto tempo depois de parar o anticoncepcional dá pra engravidar?

Com pílula, adesivo, anel ou DIU, a fertilidade costuma voltar já no primeiro ou no segundo ciclo. Com a injeção trimestral, o retorno pode demorar mais, em média alguns meses depois da última dose.

Referências

  1. Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Optimizing natural fertility: a committee opinion. Fertility and Sterility, 2022;117(1):53-63. Disponível em: Optimizing natural fertility: a committee opinion (ASRM). Acesso em: 27/09/2026.
  2. Wilcox AJ, Weinberg CR, Baird DD. Timing of sexual intercourse in relation to ovulation: effects on the probability of conception, survival of the pregnancy, and sex of the baby. New England Journal of Medicine, 1995;333(23):1517-21. Disponível em: Timing of sexual intercourse in relation to ovulation (NEJM). Acesso em: 27/09/2026.
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Fertility problems: assessment and treatment (CG156). Disponível em: Fertility problems: assessment and treatment (NICE CG156). Acesso em: 27/09/2026.
  4. BVS Atenção Primária em Saúde. Como utilizar o ácido fólico no período gestacional? Disponível em: Como utilizar o ácido fólico no período gestacional (BVS APS). Acesso em: 27/09/2026.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Cadernos de Atenção Básica, n. 32. Brasília, 2012. Disponível em: Atenção ao pré-natal de baixo risco (Ministério da Saúde). Acesso em: 27/09/2026.
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6