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Corrida

Frequência cardíaca e zonas de treino

Como usar os batimentos do coração para treinar melhor: calcular a frequência máxima, montar as zonas e entender os limites dos relógios.

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Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. Por que usar a frequência cardíaca?
  3. Como descobrir a frequência cardíaca máxima?
  4. Quais são as zonas de treino?
  5. O que é o método de Karvonen?
  6. Posso confiar no relógio?
  7. O que altera os batimentos?
  8. E se eu não tiver relógio?
  9. Perguntas frequentes
  10. Referências

Resumo rápido

  • As zonas de frequência cardíaca ajudam a controlar a intensidade: garantem que o treino leve seja leve de verdade e o forte, forte.
  • A fórmula 208 − 0,7 × idade estima a frequência máxima melhor do que a clássica 220 − idade, mas ambas podem errar em 10 batimentos ou mais.
  • A maior parte do treino deve ficar nas zonas mais leves, em que dá para conversar.
  • Cintas no peito são mais precisas que relógios de pulso, principalmente em treinos intensos.
  • Calor, cansaço, café e alguns remédios alteram os batimentos. A percepção de esforço continua sendo uma ótima referência.

Por que usar a frequência cardíaca?

A frequência cardíaca, o número de batimentos do coração por minuto, sobe conforme o esforço aumenta. Por isso, ela é uma forma prática de medir a intensidade do treino, independentemente da velocidade, do terreno ou do vento.

O principal benefício para corredores recreativos é evitar o erro mais comum: correr forte demais nos dias leves. Quando os treinos leves ficam na zona certa, sobra energia para os treinos fortes, e a evolução vem com menos risco de lesão e cansaço.

Como descobrir a frequência cardíaca máxima?

A frequência máxima é o maior número de batimentos que o coração alcança num esforço máximo. Ela diminui com a idade e varia muito de pessoa para pessoa. Existem três formas de estimar:

  • Fórmula clássica: 220 − idade. Simples, mas tende a subestimar a frequência máxima em pessoas mais velhas.
  • Fórmula de Tanaka: 208 − 0,7 × idade. Baseada em um grande estudo de 2001, costuma ser mais precisa. Para 40 anos, por exemplo: 208 − 28 = 180 batimentos por minuto.
  • Teste de esforço com médico do esporte ou cardiologista, a forma mais precisa, recomendada principalmente para quem tem mais de 40 anos, doenças ou quer treinar com mais precisão.

Qualquer fórmula pode errar em 10 a 12 batimentos ou mais para cima ou para baixo. Por isso, use as zonas calculadas como referência, e não como regra rígida.

Quais são as zonas de treino?

Uma forma comum de dividir as zonas usa a porcentagem da frequência máxima:

Zona% da frequência máximaComo você se sentePara que serve
Zona 150 a 60%Muito leve, conversa fácilAquecimento, desaceleração e recuperação
Zona 260 a 70%Leve, conversa em frases completasBase de resistência, a maior parte do treino
Zona 370 a 80%Moderado, conversa em frases curtasTreinos longos mais puxados e ritmo de provas longas
Zona 480 a 90%Forte, poucas palavrasRitmo de limiar e provas de 5 a 10 km
Zona 590 a 100%Máximo, sem conseguir falarTiros curtos e intensos

Exemplo para uma frequência máxima de 180: a zona 2 fica entre 108 e 126 batimentos por minuto. Muitos corredores iniciantes se surpreendem ao ver como precisam correr devagar para ficar nela, e está tudo bem: às vezes é preciso até intercalar com caminhada no começo.

O que é o método de Karvonen?

Um método um pouco mais personalizado leva em conta também a sua frequência de repouso, medida pela manhã, ao acordar, ainda deitada. A conta é:

Frequência alvo = frequência de repouso + (máxima − repouso) × porcentagem desejada

Exemplo: máxima de 180, repouso de 60 e treino a 60%. A reserva é 180 − 60 = 120. Então: 60 + 120 × 0,6 = 132 batimentos por minuto.

A frequência de repouso também é um bom termômetro da recuperação. Se ela amanhecer 5 a 10 batimentos acima do seu normal por alguns dias, pode ser sinal de cansaço acumulado, sono ruim ou de que você está ficando doente.

Posso confiar no relógio?

  • Cinta no peito: mede o sinal elétrico do coração e é a opção mais precisa para treinos.
  • Relógio de pulso: usa luz para detectar o fluxo de sangue. Funciona bem em ritmos leves e constantes, mas pode errar em treinos intervalados, em mudanças rápidas de ritmo, com o relógio frouxo, no frio ou com o pulso suado.

Dicas: ajuste bem o relógio, um pouco acima do osso do punho, e desconfie de números que não combinam com o que você sente.

O que altera os batimentos?

  • Calor e umidade: a frequência sobe mais para o mesmo ritmo. Em dias quentes, diminua a velocidade para manter a zona.
  • Desidratação e cansaço acumulado.
  • Cafeína, estresse e noite mal dormida.
  • Treinos longos: a frequência tende a subir aos poucos, mesmo mantendo o ritmo.
  • Remédios, como os betabloqueadores usados para pressão e arritmias, que diminuem os batimentos. Quem usa esses remédios deve se guiar pela percepção de esforço e conversar com o médico sobre as zonas.

Procure atendimento se notar batimentos muito acelerados ou irregulares sem explicação, frequência que não baixa depois de parar, dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura ou desmaio durante o exercício.

E se eu não tiver relógio?

A percepção de esforço funciona muito bem. Use o teste da fala e uma escala de 0 a 10:

  • 2 a 4: conversa fácil, equivalente às zonas 1 e 2.
  • 5 a 6: frases curtas, equivalente à zona 3.
  • 7 a 8: poucas palavras, equivalente à zona 4.
  • 9 a 10: sem conseguir falar, equivalente à zona 5.

O ideal é usar os dois juntos: os números do relógio e o que o seu corpo está dizendo.

Perguntas frequentes

O que é o treino na zona 2?

É um treino leve, em que dá para conversar em frases completas. Ele constrói a base de resistência com pouco desgaste e deve ser a maior parte da semana.

Minha frequência passa da máxima calculada. É perigoso?

Não necessariamente. As fórmulas são estimativas e podem errar. Se você se sente bem, provavelmente a sua máxima real é mais alta. Na dúvida, faça uma avaliação com teste de esforço.

Qual é uma frequência de repouso normal?

Em adultos, costuma ficar entre 60 e 100 batimentos por minuto. Pessoas bem condicionadas podem ter valores abaixo de 60 sem que isso seja problema.

Preciso de teste de esforço para começar a correr?

Nem todo mundo precisa. É recomendado para quem tem doenças do coração, fatores de risco importantes, sintomas ao esforço ou quer treinar em alta intensidade após os 40 anos, conforme avaliação médica.

Por que minha frequência está mais alta hoje no mesmo ritmo?

Calor, desidratação, cansaço, noite mal dormida, café e estresse aumentam os batimentos. Em dias assim, diminua o ritmo ou faça um treino mais leve.

Referências

  1. Tanaka H, Monahan KD, Seals DR. Age-predicted maximal heart rate revisited. Journal of the American College of Cardiology, 2001. Disponível em: Age-predicted maximal heart rate revisited (Journal of the American College of Cardiology). Acesso em: 27/09/2026.
  2. American Heart Association. Target Heart Rates Chart. Disponível em: Target Heart Rates Chart (American Heart Association). Acesso em: 27/09/2026.
  3. Seiler S. What is best practice for training intensity and duration distribution in endurance athletes? International Journal of Sports Physiology and Performance, 2010. Disponível em: What is best practice for training intensity and duration distribution in endurance athletes? (IJSPP). Acesso em: 27/09/2026.
  4. Riebe D, Franklin BA, Thompson PD, et al. Updating ACSM's Recommendations for Exercise Preparticipation Health Screening. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2015. Disponível em: Updating ACSM's Recommendations for Exercise Preparticipation Health Screening (ACSM). Acesso em: 27/09/2026.
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6