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Diabetes

Carboidratos e índice glicêmico: como afetam a glicose

Por que alguns carboidratos sobem a glicose mais rápido que outros, o que é índice e carga glicêmica e como usar isso no prato.

4 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. Todos os carboidratos são iguais?
  3. O que é índice glicêmico e carga glicêmica?
  4. Qual é o índice glicêmico dos alimentos mais comuns?
  5. O preparo muda o índice glicêmico?
  6. Como combinar os alimentos para a glicose subir menos?
  7. Posso comer à vontade se o índice for baixo?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • O índice glicêmico (IG) mostra quanto um alimento sobe a glicose nas 2 horas seguintes, em comparação com a glicose pura.
  • A carga glicêmica considera também a quantidade comida, e por isso é mais útil na prática.
  • Fibras, proteínas e gorduras boas na mesma refeição fazem a glicose subir mais devagar.
  • O preparo muda o IG: cozinhar demais, amassar e bater aumentam o índice.
  • O IG é uma ferramenta a mais, e não substitui o controle da quantidade total de carboidratos.

Todos os carboidratos são iguais?

Não. Os carboidratos podem ser simples, como o açúcar, o mel e os sucos, que são digeridos muito rápido; ou complexos, como os grãos, os tubérculos e os feijões, que precisam ser quebrados em partes menores antes de virar glicose.

Mais importante que essa divisão é a presença de fibras. Grãos integrais, feijões, frutas com casca e verduras têm fibras que deixam a digestão mais lenta. Uma grande revisão publicada na revista *The Lancet* mostrou que dietas ricas em fibras e grãos integrais estão ligadas a menor risco de diabetes, doença cardíaca e morte.

O que é índice glicêmico e carga glicêmica?

O índice glicêmico compara quanto um alimento sobe a glicose em relação à glicose pura, que vale 100:

  • IG baixo: 55 ou menos
  • IG médio: 56 a 69
  • IG alto: 70 ou mais

O problema é que o IG não leva em conta a porção. A melancia, por exemplo, tem IG alto, mas uma fatia tem pouco carboidrato. Por isso existe a carga glicêmica, que multiplica o IG pelos gramas de carboidrato da porção e divide por 100. Na prática, ela é mais útil para decidir o que e quanto comer.

Qual é o índice glicêmico dos alimentos mais comuns?

Os valores abaixo são aproximados e podem variar conforme a variedade, o preparo e a combinação com outros alimentos.

AlimentoÍndice glicêmico
Feijão, lentilha, grão-de-bicoBaixo
Leite e iogurte naturalBaixo
Maçã, pera, laranja, morangoBaixo
Aveia em flocos grossosBaixo a médio
Macarrão cozido al denteBaixo a médio
Banana madura, manga, mamãoMédio
Arroz integralMédio
Batata-doce cozidaMédio
Arroz brancoAlto
Pão francês e pão de forma brancoAlto
TapiocaAlto
Batata inglesa cozida ou purêAlto
Cereais matinais açucaradosAlto
RefrigerantesMédio
Sucos de frutaBaixo a médio*

*Mesmo com IG não tão alto, refrigerantes e sucos são líquidos sem fibra e com muito açúcar por copo (carga glicêmica alta), então sobem a glicose rápido.

O preparo muda o índice glicêmico?

Muda bastante. Algumas regras práticas:

  • Cozinhar menos: macarrão al dente e legumes mais firmes têm IG menor que os muito cozidos.
  • Evitar amassar e bater: purê e sucos sobem a glicose mais rápido que a batata inteira e a fruta inteira.
  • Resfriar: arroz, batata e macarrão cozidos e depois resfriados formam o chamado amido resistente, que é digerido mais devagar.
  • Manter a casca: frutas e legumes com casca têm mais fibras.
  • Preferir grãos inteiros: aveia em flocos grossos em vez de instantânea, arroz integral em vez de branco.

Como combinar os alimentos para a glicose subir menos?

O que você come junto com o carboidrato faz diferença:

  • Some fibra: salada e legumes no prato.
  • Some proteína: ovo no pão, frango no almoço, iogurte com a fruta.
  • Some gordura boa, com moderação: azeite na salada, castanhas com a fruta.
  • Coma na ordem certa: primeiro a salada, depois a proteína, e por último o carboidrato.
  • Divida os carboidratos ao longo do dia, em vez de concentrar em uma refeição.
Em vez dePrefira
Pão francês puroPão integral com ovo ou queijo branco
Suco de laranjaLaranja inteira, em gomos
Tapioca com doceTapioca pequena com ovo e salada, ou crepioca
Purê de batataBatata cozida inteira com casca, ou batata-doce
Arroz branco sozinhoArroz com feijão e salada

Posso comer à vontade se o índice for baixo?

Não. Um alimento de IG baixo em grande quantidade ainda vai subir a glicose, e pode ter muitas calorias. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes lembra que o IG tem efeito discreto no controle geral do diabetes. O que mais pesa é a quantidade total de carboidratos e a qualidade da alimentação como um todo.

Por isso, o IG funciona melhor como critério para escolher entre opções parecidas, junto com o controle das porções explicado em método do prato e contagem de carboidratos.

Perguntas frequentes

Fruta tem índice glicêmico alto?

A maioria das frutas inteiras tem IG baixo ou médio. O suco, mesmo natural, sobe a glicose mais rápido que a fruta inteira.

Arroz integral pode à vontade?

Não. Ele tem mais fibras que o branco, mas ainda é carboidrato. A porção continua importante.

Tapioca é boa para diabético?

A tapioca tem IG alto e quase nenhuma fibra. Se comer, faça porção pequena e com recheio de proteína, como ovo ou frango, e acompanhe com salada.

Batata-doce é melhor que batata inglesa?

Costuma ter IG um pouco menor e mais fibras, principalmente cozida com casca, mas a porção continua importante nas duas.

Preciso consultar a tabela de IG em toda refeição?

Não. Com as regras práticas de preferir integrais, fruta inteira e combinar com proteína e salada, você já aproveita a maior parte do benefício.

Referências

  1. Atkinson FS, Brand-Miller JC, Foster-Powell K, et al. International tables of glycemic index and glycemic load values 2021: a systematic review. American Journal of Clinical Nutrition, 2021. Disponível em: International tables of glycemic index and glycemic load values 2021 (AJCN).
  2. Reynolds A, Mann J, Cummings J, et al. Carbohydrate quality and human health: a series of systematic reviews and meta-analyses. The Lancet, 2019. Disponível em: Carbohydrate quality and human health (The Lancet).
  3. Ramos S, Campos LF, Baptista DR, et al. Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes mellitus tipo 2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/5238993.2023-8. Disponível em: Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes tipo 2 (Diretriz SBD).
  4. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 5. Facilitating Positive Health Behaviors and Well-being to Improve Health Outcomes: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care, 2026;49(Suppl 1):S89. Disponível em: Standards of Care in Diabetes—2026, seção 5 (ADA).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6