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Colesterol alto

Gorduras boas e ruins: saturada, trans e insaturada

Nem toda gordura faz mal. Veja quais sobem o colesterol, quais protegem o coração e como trocar uma pela outra no dia a dia.

4 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. Por que o tipo de gordura importa?
  3. O que é a gordura trans e onde ela está?
  4. O que é a gordura saturada e onde ela está?
  5. E as gorduras boas, as insaturadas?
  6. Como trocar as gorduras ruins pelas boas?
  7. Qual o melhor óleo para cozinhar?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • Gordura trans: a pior de todas. Sobe o LDL e baixa o HDL. A meta é zero.
  • Gordura saturada: sobe o LDL. Deve ficar abaixo de 7% das calorias para quem tem colesterol alto.
  • Gorduras insaturadas (mono e poli): quando substituem as saturadas, baixam o LDL e protegem o coração.
  • Bons exemplos: azeite, óleo de canola, abacate, castanhas, sementes e peixes.
  • O que importa é a troca: tirar a gordura ruim e colocar a boa, e não só somar.

Por que o tipo de gordura importa?

As gorduras são essenciais: ajudam a absorver vitaminas, formam as células e dão energia. Mas cada tipo age de um jeito no colesterol. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 recomenda que as gorduras totais fiquem entre 20 e 35% das calorias, com:

Tipo de gorduraRecomendação
SaturadaMenos de 7% das calorias
TransZero
MonoinsaturadaCerca de 15% das calorias
Poli-insaturada5 a 10% das calorias

O que é a gordura trans e onde ela está?

A gordura trans industrial é formada quando o óleo vegetal é parcialmente hidrogenado para ficar sólido e durar mais. Ela sobe o LDL e baixa o HDL, a pior combinação para o coração. A Organização Mundial da Saúde recomenda eliminar a gordura trans industrial dos alimentos.

No Brasil, a Anvisa restringiu o uso da gordura parcialmente hidrogenada, que hoje está proibida nos alimentos. Mesmo assim, vale ficar atento a:

  • Produtos antigos ou importados com "gordura vegetal hidrogenada" ou "parcialmente hidrogenada" na lista de ingredientes.
  • Óleo de fritura reaproveitado muitas vezes, que pode formar pequenas quantidades de gordura trans.

Pequenas quantidades de gordura trans natural existem no leite e na carne de boi, e não são o foco da preocupação.

O que é a gordura saturada e onde ela está?

É a gordura que costuma ficar sólida em temperatura ambiente. Em excesso, ela sobe o LDL. As principais fontes são:

  • Carnes gordas e pele de frango.
  • Embutidos: bacon, linguiça, salsicha, salame, mortadela.
  • Manteiga, banha, creme de leite, nata.
  • Queijos amarelos e leite integral.
  • Óleo de coco e óleo de palma (dendê).
  • Biscoitos, bolos, sorvetes e salgadinhos industrializados.

Não é preciso zerar, e sim reduzir. Leite, iogurte e queijos, em porções moderadas, podem fazer parte de uma alimentação saudável.

E as gorduras boas, as insaturadas?

São as que costumam ficar líquidas em temperatura ambiente. Quando substituem as saturadas, baixam o LDL e reduzem o risco cardiovascular.

  • Monoinsaturadas: azeite de oliva, abacate, castanhas, amendoim, óleo de canola.
  • Poli-insaturadas ômega-6: óleos de soja, girassol e milho, nozes, sementes.
  • Poli-insaturadas ômega-3: peixes gordos (sardinha, salmão, atum, cavalinha), linhaça, chia e nozes.

O estudo espanhol PREDIMED mostrou que uma alimentação mediterrânea rica em azeite extravirgem ou castanhas reduziu os eventos cardiovasculares em cerca de 30%. Veja mais em dieta mediterrânea.

Um estudo com mais de 90 mil americanos associou mais de meia colher de sopa de azeite por dia a menor mortalidade cardiovascular.

Como trocar as gorduras ruins pelas boas?

Em vez dePrefira
Manteiga no pãoAzeite, abacate amassado ou ricota
Banha ou gordura de coco no preparoÓleo de canola, soja ou azeite
Picanha, costela, cupimPatinho, alcatra, lagarto, frango sem pele, peixe
Bacon e linguiça no feijãoCebola, alho, louro e cominho
Creme de leite no molhoIogurte natural ou molho de tomate
Queijo amareloRicota, cottage, minas frescal
Biscoito recheadoCastanhas e frutas
Frango fritoFrango assado com ervas ou na air fryer

Qual o melhor óleo para cozinhar?

  • Azeite de oliva extravirgem: ótimo para saladas e para refogar e assar em temperatura moderada.
  • Óleo de canola: tem boa proporção de mono e ômega-3, é neutro e aguenta bem o calor do dia a dia.
  • Óleos de soja, girassol e milho: ricos em poli-insaturadas, podem ser usados, sem exagero.
  • Óleo de coco e banha: ricos em saturada, não são recomendados como gordura principal.

Mesmo as gorduras boas são calóricas: 1 colher de sopa de azeite tem cerca de 110 calorias. Use um fio, e não uma "piscina".

Óleo de fritura escuro, com cheiro forte ou que solta fumaça muito cedo deve ser descartado. Reaproveitar o óleo várias vezes forma compostos prejudiciais.

Perguntas frequentes

Margarina é melhor que manteiga?

As margarinas atuais não têm gordura trans e têm menos saturada que a manteiga, mas são ultraprocessadas. Em pequena quantidade, qualquer uma pode entrar; o azeite e o abacate são opções melhores.

Castanha engorda?

Castanhas são calóricas, mas em porções pequenas (um punhado por dia) estão ligadas a menor risco cardiovascular e não costumam levar a ganho de peso.

Óleo de coco é saudável?

Não para o colesterol. Ele tem mais gordura saturada que a manteiga e pode aumentar o LDL.

Preciso tomar ômega-3 em cápsula?

Para a maioria das pessoas, comer peixe 2 vezes por semana é suficiente. Cápsulas só com indicação médica, geralmente para triglicerídeos muito altos.

Leite integral faz mal para o colesterol?

Tem mais gordura saturada que o desnatado. Quem tem colesterol alto pode preferir o desnatado ou semidesnatado.

Referências

  1. Rached FH, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025;122(9):e20250640. Disponível em: Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 (SBC).
  2. World Health Organization (WHO). Trans fat. Fact sheet. Disponível em: Trans fat (OMS).
  3. Estruch R, Ros E, Salas-Salvadó J, et al. Primary prevention of cardiovascular disease with a Mediterranean diet supplemented with extra-virgin olive oil or nuts. New England Journal of Medicine, 2018. Disponível em: Primary prevention of cardiovascular disease with a Mediterranean diet (NEJM).
  4. Guasch-Ferré M, Li Y, Willett WC, et al. Consumption of olive oil and risk of total and cause-specific mortality among U.S. adults. Journal of the American College of Cardiology, 2022. Disponível em: Consumption of olive oil and risk of total and cause-specific mortality (JACC).
  5. U.S. Food and Drug Administration (FDA), U.S. Environmental Protection Agency (EPA). Advice about eating fish: for those who might become or are pregnant or breastfeeding and children ages 1 to 11 years. Disponível em: Advice about eating fish (FDA/EPA).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6