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Obesidade

Déficit calórico: como emagrecer sem passar fome

O princípio básico do emagrecimento, explicado sem complicação, e como fazer isso sem contar cada caloria nem passar fome.

4 min de leitura
Nesta página
  1. Resumo rápido
  2. O que é déficit calórico?
  3. Quantas calorias cortar?
  4. Como fazer déficit sem passar fome?
  5. Quais trocas criam o déficit sem contar calorias?
  6. Por que o corpo "trava" o emagrecimento?
  7. Quem deve ter cuidado com o déficit calórico?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Resumo rápido

  • Déficit calórico é comer um pouco menos energia do que o corpo gasta. É a base de qualquer dieta que emagrece.
  • Um déficit de 500 a 750 calorias por dia leva, em média, à perda de 0,5 a 1 kg por semana.
  • Dietas muito restritivas aumentam a fome, fazem perder músculo e favorecem o efeito sanfona.
  • O truque é escolher alimentos de baixa densidade calórica: muito volume e poucas calorias.
  • Não é preciso contar calorias: trocas simples no prato já criam o déficit.

O que é déficit calórico?

O corpo gasta energia o dia todo: para manter os órgãos funcionando, digerir os alimentos e se movimentar. Quando comemos menos energia do que gastamos, o corpo usa a gordura estocada para cobrir a diferença, e o peso cai.

Todas as dietas que emagrecem funcionam, no fundo, por esse princípio, seja low carb, jejum ou mediterrânea. O que muda é o caminho para chegar lá e o quanto cada pessoa consegue manter.

Quantas calorias cortar?

As diretrizes costumam indicar um déficit de 500 a 750 calorias por dia em relação ao que a pessoa gasta. Esse gasto depende de idade, peso, altura, músculos e atividade física.

Outra forma usada pelas diretrizes é uma faixa fixa (cerca de 1.200 a 1.500 calorias para mulheres e 1.500 a 1.800 para homens), mas ela serve para planos acompanhados por profissional. Para muitas pessoas, especialmente as mais pesadas ou ativas, a necessidade é maior. Não use esses números sozinho(a).

Comer menos de 1.200 calorias por dia sem acompanhamento não é recomendado. Abaixo de 800 calorias por dia, só com supervisão médica.

Como fazer déficit sem passar fome?

O segredo está na densidade calórica, que é a quantidade de calorias por grama de alimento. Alimentos com muita água e fibra enchem o prato e o estômago com poucas calorias.

Baixa densidade: coma maisAlta densidade: coma menos
Verduras, legumes e saladasFrituras e salgados
Frutas inteirasBiscoitos, bolos e doces
Sopas de legumesSalgadinhos de pacote
Feijões e lentilhaQueijos amarelos e embutidos
Iogurte naturalÓleos, manteiga e castanhas em excesso

Proteínas magras (frango, peixe, ovos) ficam numa linha própria: não são de baixa densidade calórica, mas dão muita saciedade. Use uma porção do tamanho de 1 palma da mão por refeição.

Veja também os alimentos que mais seguram a fome em proteína, fibras e saciedade.

Quais trocas criam o déficit sem contar calorias?

TrocaEconomia aproximada
1 lata de refrigerante por água com gás e limãocerca de 140 calorias
1 pacote de biscoito recheado por 1 fruta com iogurtecerca de 400 calorias
Frango frito por frango assadocerca de 150 calorias
2 colheres de sopa de óleo no preparo por 1 colher de chácerca de 180 calorias
Meio prato de arroz por 4 colheres de arroz e mais saladacerca de 150 calorias
Pão com manteiga por pão com ricotacerca de 60 calorias
2 latas de cerveja por água ou refrigerante zerocerca de 300 calorias

Poucas trocas por dia já somam o déficit necessário.

Por que o corpo "trava" o emagrecimento?

Quando emagrecemos, o corpo gasta um pouco menos energia e aumenta os hormônios da fome. É a chamada adaptação metabólica. Por isso, a perda de peso costuma desacelerar depois de alguns meses, o famoso platô.

Para lidar com isso:

  • Mantenha a proteína alta e faça exercícios de força, para preservar os músculos.
  • Não corte calorias demais: dietas muito restritivas pioram a adaptação.
  • Reavalie as porções de tempos em tempos.
  • Aumente o movimento no dia a dia: escadas, caminhadas, menos tempo sentado.

Entenda mais em efeito sanfona e platô.

Quem deve ter cuidado com o déficit calórico?

  • Grávidas e lactantes: não devem fazer dieta para emagrecer sem acompanhamento.
  • Crianças e adolescentes: o foco é a alimentação saudável, e não o corte de calorias.
  • Idosos: risco de perder músculo. Precisam de mais proteína e exercício de força.
  • Pessoas com diabetes que usam insulina ou sulfonilureias: risco de hipoglicemia.
  • Quem tem ou teve transtorno alimentar: a dieta deve ser acompanhada por equipe especializada.

Tontura, fraqueza, queda de cabelo intensa, falta de menstruação ou pensamentos obsessivos sobre comida são sinais de que a dieta está restritiva demais. Procure orientação.

Perguntas frequentes

Preciso contar calorias para emagrecer?

Não é obrigatório. Muitas pessoas emagrecem apenas com trocas de alimentos, controle de porções e redução dos ultraprocessados. Contar calorias pode ajudar quem gosta de números.

Comer à noite engorda?

O que engorda é o total de calorias do dia. Mas comer muito à noite costuma vir de fome acumulada, e isso pode atrapalhar. Distribuir as refeições ajuda.

Déficit calórico faz perder músculo?

Pode, se for muito grande e com pouca proteína. Com proteína adequada e exercício de força, a perda de músculo é pequena.

Quanto tempo leva para ver resultado?

Na balança, em 1 a 2 semanas. Nas medidas e nos exames, em 1 a 3 meses. A constância é mais importante que a velocidade.

Aplicativo de calorias funciona?

Pode ajudar a entender o que você come. Mas as estimativas de gasto e das porções têm margem de erro, então use como guia, e não como regra exata.

Referências

  1. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes Brasileiras de Obesidade. 4. ed. São Paulo, 2016. Disponível em: Diretrizes Brasileiras de Obesidade (ABESO).
  2. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), Departamento de Nutrição. Posicionamento sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade. São Paulo: ABESO, 2022. Disponível em: Posicionamento sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade (ABESO).
  3. Hall KD, Ayuketah A, Brychta R, et al. Ultra-processed diets cause excess calorie intake and weight gain: an inpatient randomized controlled trial of ad libitum food intake. Cell Metabolism, 2019. Disponível em: Ultra-processed diets cause excess calorie intake and weight gain (Cell Metabolism).
  4. Hall KD, Kahan S. Maintenance of lost weight and long-term management of obesity. Medical Clinics of North America, 2018. Disponível em: Maintenance of lost weight and long-term management of obesity (Med Clin North Am).
  5. Leidy HJ, Clifton PM, Astrup A, et al. The role of protein in weight loss and maintenance. American Journal of Clinical Nutrition, 2015. Disponível em: The role of protein in weight loss and maintenance (AJCN).
  6. Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA/UNICAMP). Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO). 4. ed. Campinas, 2011. Disponível em: Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, TACO (NEPA/UNICAMP).
Escrito porEditora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde
Revisado porMédico Clínico Geral · CRM 5293516-6

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Em caso de dúvida ou de sintomas, procure atendimento.

Vanessa Miranda

Editora Técnica e Enfermeira Mestre em Saúde

Diogo Strauch Ribeiro

Médico Clínico Geral · CRM 5293516-6