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Diabetes Mellitus Tipo 2

Entenda o diabetes tipo 2, seus sinais e sintomas, fatores associados, exames usados no diagnóstico e medidas de tratamento e acompanhamento

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é o diabetes mellitus tipo 2?

O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença crônica caracterizada pelo aumento da quantidade de glicose no sangue, chamado de hiperglicemia.

A glicose é um dos principais combustíveis utilizados pelas células para produzir energia. Para que ela entre em muitas das células do organismo, é necessária a ação da insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas.

No diabetes tipo 2, o organismo geralmente começa a apresentar resistência à insulina, o que significa que as células passam a responder menos à ação desse hormônio. Fazendo com que haja o aumento e acúmulo de glicose no sangue.

Entendendo como a doença acontece

  1. Os alimentos são transformados em glicose, que passa para o sangue.

  2. O pâncreas libera insulina para ajudar as células a utilizarem essa glicose.

  3. No diabetes tipo 2, ocorre resistência à insulina e, com o tempo, redução da produção desse hormônio.

  4. A glicose se acumula no sangue, causando hiperglicemia.

  5. Quando permanece elevada por muito tempo, pode causar danos a diversos órgãos.

Número de pessoas afetadas

O diabetes mellitus é uma das doenças crônicas mais frequentes no mundo e representa um importante problema de saúde pública.

No Brasil, a Federação Internacional de Diabetes (IDF) estimou, para 2024, uma prevalência de 10,6% de diabetes entre adultos, correspondendo a aproximadamente 16,6 milhões de pessoas.


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Pré-diabetes

O pré-diabetes é uma situação em que a glicose está acima do nível considerado normal, mas ainda não atingiu os critérios diagnósticos para diabetes.

Na classificação da ADA, pode ser identificado por:

HbA1c entre 5,7% e 6,4%;

glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL;

glicemia de duas horas no teste oral de tolerância à glicose entre 140 e 199 mg/dL.


Tipos de diabetes

1. Diabetes mellitus tipo 1

Ocorre principalmente pela destruição autoimune, do próprio corpo, das células beta do pâncreas, levando à deficiência importante de insulina.

2. Diabetes mellitus tipo 2

Ocorre principalmente pela combinação de resistência à insulina e perda progressiva da capacidade das células beta de produzir insulina adequadamente.

3. Diabetes gestacional

É diagnosticado durante a gestação e apresenta características próprias de acompanhamento e tratamento.


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Também existem formas menos comuns relacionadas a alterações genéticas, doenças do pâncreas e uso de determinados medicamentos.


Sinais e sintomas

O diabetes tipo 2 pode permanecer silencioso por bastante tempo. Quando a glicose está elevada, podem surgir:

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Diabetes não acontece somente porque a pessoa come açúcar.

O consumo excessivo de açúcar pode contribuir para o ganho de peso e para uma alimentação desequilibrada, mas o diabetes tipo 2 resulta da combinação de vários fatores.

O que causa diabetes tipo 2?

O diabetes tipo 2 não possui uma única causa. Ele resulta da combinação de predisposição genética, alterações metabólicas e fatores ambientais e comportamentais. Entre os principais fatores associados estão:

Sedentarismo: A pouca prática de atividade física está associada a maior risco de diabetes tipo 2 e pode contribuir para alterações relacionadas ao controle da glicose e ao excesso de peso.

Histórico familiar: Ter histórico familiar de diabetes tipo 2, especialmente em parentes de primeiro grau, está associado a maior risco de desenvolver a condição.

Excesso de peso: O excesso de peso está associado ao aumento do risco de diabetes tipo 2 e também se relaciona à resistência à insulina e a alterações metabólicas.

Alimentação desequilibrada: Uma alimentação inadequada pode contribuir para o excesso de peso e para alterações metabólicas relacionadas ao desenvolvimento e ao controle do diabetes tipo 2.

Sinais de emergência

Confusão mental, desmaio ou dificuldade para acordar;

Convulsões

Fraqueza intensa ou comportamento muito diferente do habitual;

Suor frio e tremores.


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O sono influencia o metabolismo da glicose. Alterações crônicas do sono podem interferir na sensibilidade à insulina e na regulação hormonal, estando associadas a maior risco de desenvolver diabetes tipo 2.


Buscando um diagnóstico

É importante procurar um clínico geral que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.

O diagnóstico é realizado por meio de exames que avaliam a quantidade de glicose no sangue ou a hemoglobina glicada (HbA1c).

Glicemia de jejum: Avalia a quantidade de glicose no sangue após um período de jejum.: Um resultado de 126 mg/dL ou mais pode indicar diabetes.

Hemoglobina glicada (HbA1c): Um resultado de 6,5% ou mais é compatível com diabetes, desde que o exame seja realizado por método adequado e o diagnóstico seja confirmado quando necessário.

Teste oral de tolerância à glicose: Uma glicemia de 200 mg/dL ou mais após duas horas pode indicar diabetes.

Glicemia ao acaso: uma glicemia plasmática casual de 200 mg/dL ou mais pode estabelecer o diagnóstico.

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Monitorar a glicemia: A monitorização permite acompanhar os níveis de glicose e avaliar o controle glicêmico ao longo do tratamento.

Realizar exames periódicos: O acompanhamento periódico permite avaliar o controle glicêmico e identificar alterações relacionadas ao diabetes e suas complicações.

Manter a pressão e o colesterol controlados: O controle desses fatores contribui para reduzir riscos cardiovasculares associados ao diabetes.

Monitorar os olhos: O acompanhamento oftalmológico permite identificar alterações oculares do diabetes, inclusive em fases em que podem não existir sintomas.

Medidas não medicamentosas

Ter uma alimentação boa: Uma alimentação saudável contribui para o controle glicêmico, metabólico e do peso durante o tratamento do diabetes tipo 2.

Buscar perda de peso: Em pessoas com excesso de peso, a redução do peso pode contribuir para melhorar o controle metabólico e reduzir o risco de progressão do diabetes tipo 2.

Moderar o consumo de álcool: O álcool pode provocar alterações da glicemia e aumentar o risco de hipoglicemia, especialmente em determinadas situações e com alguns tratamentos, por isso seu consumo deve ser moderado.

Cuidar dos pés: O cuidado regular dos pés ajuda a identificar precocemente alterações e contribui para a prevenção de lesões e úlceras nos pés de pessoas com diabetes.

Tratamento medicamentoso

Metformina: A metformina melhora o controle da glicose, principalmente ao reduzir a produção hepática de glicose e aumentar a sensibilidade à insulina.

Inibidores de SGLT2: Esses medicamentos favorecem a eliminação de glicose pela urina e podem contribuir para o controle glicêmico, além de apresentarem benefícios cardiorrenais em pessoas com diabetes tipo 2.

Agonistas do receptor de GLP-1: Esses medicamentos contribuem para o controle glicêmico e podem atuar no controle do peso; a classe também apresenta benefícios cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2 em determinadas situações.

Insulina: A insulina fornece ao organismo o hormônio necessário para favorecer a utilização da glicose pelas células e reduzir a glicemia, sendo utilizada como terapia para controle glicêmico.

Onde buscar mais informações?

Sites importantes

Ministério da Saúde: informações sobre diabetes, prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento pelo SUS.

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD): conteúdos científicos e educativos sobre diabetes, alimentação, medicamentos, prevenção e autocuidado.

Livros e documentos orientativos

That Sugar Film: documentário que discute o consumo de açúcar e seus efeitos metabólicos, podendo ser utilizado como material complementar para educação em saúde.

Fed Up: aborda alimentação, consumo de açúcar e fatores relacionados à obesidade e às doenças metabólicas.

Fontes:

BRASIL. Ministério da Saúde. Diabete Melito Tipo 2: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2006-2024: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.

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