A condromalácia patelar é uma condição que afeta a cartilagem localizada na parte de trás da patela, o osso conhecido como “rótula”, que fica na frente do joelho. Essa condição é caracterizada pelo amolecimento ou desgaste da cartilagem, que tem a função de proteger e reduzir o atrito entre a patela e o fêmur durante os movimentos.
Quando a cartilagem está danificada, pode ocorrer atrito excessivo, levando a sintomas como dor na região anterior do joelho, especialmente ao subir ou descer escadas, agachar ou permanecer sentado por longos períodos. A condromalácia é frequentemente associada a desalinhamentos ou sobrecarga nos joelhos.
A patela fica embutida no tendão do músculo quadríceps e tem uma função importante: ela atua como uma “polia”, aumentando a eficiência do quadríceps ao estender o joelho.
É mais frequente em mulheres e jovens ativos, como atletas ou pessoas que praticam esportes, mas também pode afetar adultos em geral.
Embora comum na faixa etária entre 15 e 35 anos, pode surgir em qualquer idade.
O excesso de peso, lesões repetitivas ou desalinhamento do joelho aumentam o risco.
Neste estágio inicial, há apenas um amolecimento da cartilagem que cobre a parte de trás da patela (rótula). É uma alteração leve e, muitas vezes, não causa sintomas significativos.
A cartilagem começa a apresentar algumas rachaduras ou fragmentos. Apesar de leve, pode causar dor ou desconforto ao dobrar os joelhos ou realizar atividades físicas.
Neste grau, as rachaduras na cartilagem são mais profundas, podendo atingir a camada intermediária. A dor ao caminhar, subir escadas ou se agachar tende a ser bem mais acentuada, e o joelho pode apresentar inchaço.
É o estágio mais grave, com a cartilagem desgastada até o ponto de expor o osso abaixo dela. Isso pode causar dor intensa, estalos no joelho e dificuldade para realizar movimentos básicos, como andar ou correr.
As sinais e sintomas da condromalácia patelar são diversos. A seguir, estão os principais sinais e sintomas desta condição.
O estalo no joelho nem sempre é sinal de gravidade. Muitas pessoas com condromalácia percebem crepitações (estalidos ou sensação de “areia”), mas isso não significa necessariamente que haja progressão do desgaste.
As causas da condromalácia patelar são multifatoriais e envolvem fatores biomecânicos, musculares e hábitos que podem aumentar o estresse sobre a articulação do joelho.
Sobrecarga do joelho: O aumento repetido da carga sobre a articulação pode elevar a pressão entre a patela e o fêmur, contribuindo para o aparecimento ou agravamento da dor.
Traumas ou impactos diretos: Pancadas e lesões na região do joelho podem afetar as estruturas articulares e estar associados ao surgimento de sintomas.
Alterações no alinhamento: Quando a patela não se movimenta de maneira adequada em relação ao fêmur, a distribuição das forças na articulação pode ser alterada, aumentando a sobrecarga em determinadas regiões.
Subir e, principalmente, descer escadas: Esses movimentos aumentam a demanda sobre a articulação entre a patela e o fêmur, podendo intensificar a dor em pessoas com sintomas.
Agachamentos profundos: A flexão acentuada do joelho pode aumentar a pressão na articulação patelofemoral e agravar o desconforto.
Corridas, saltos e atividades de impacto: Essas atividades envolvem cargas repetidas sobre o joelho, podendo intensificar os sintomas quando a articulação está sobrecarregada.
Permanecer muito tempo sentado com os joelhos flexionados: Manter o joelho dobrado por períodos prolongados pode aumentar o desconforto na região anterior do joelho em algumas pessoas.
Ganho de peso: O aumento do peso corporal pode elevar a carga suportada pelos joelhos durante atividades cotidianas, contribuindo para a sobrecarga articular.
É importante procurar um ortopedista, que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e, quando necessário, complementares.
Avaliação do alinhamento do joelho e da posição da patela.
Testes simples para identificar dor ao movimentar ou pressionar a patela.
Observação de inchaço, sensibilidade local e força muscular.
Observação da forma de caminhar, subir escadas e realizar movimentos do dia a dia.
Radiografia: Pode ser solicitada para avaliar o alinhamento do joelho e a posição da patela.
Ressonância magnética: É utilizada para visualizar a cartilagem e avaliar alterações nas estruturas do joelho.
Exercícios terapêuticos: Podem fortalecer os músculos envolvidos na movimentação e estabilização do joelho, contribuindo para melhorar a função articular e reduzir a dor.
Joelheiras ou estabilizadores patelares: São recursos externos que podem oferecer suporte ao joelho em situações específicas.
Alongamento: Pode contribuir para melhorar a flexibilidade muscular e a mobilidade, conforme as necessidades individuais. Deve ser realizado de forma adequada para evitar o agravamento da dor.
Reduzir atividades de impacto: Diminuir temporariamente atividades que provocam dor pode ajudar a controlar os sintomas e reduzir a sobrecarga sobre o joelho.
Evitar agachamentos profundos: Limitar movimentos que aumentam a dor pode reduzir o desconforto e a pressão sobre a articulação patelofemoral.
Retornar às atividades de forma gradual: Aumentar progressivamente a intensidade e a duração das atividades permite que o joelho se adapte à carga, evitando aumentos bruscos que possam agravar os sintomas.
Analgésicos: São medicamentos utilizados para aliviar a dor.
Anti-inflamatórios: Podem ser utilizados para aliviar a dor e a inflamação em situações específicas.
Glicosamina + condroitina: São substâncias presentes em produtos destinados ao cuidado das articulações.
Conselho Federal de Medicina (CFM): Informações gerais sobre doenças ortopédicas e orientações ao paciente.
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT): Conteúdo educativo sobre problemas do joelho e cuidados musculoesqueléticos.
Cartilha de cuidados com o joelho – SBOT: Material educativo voltado à prevenção e ao tratamento conservador.
Fontes
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA. Dor anterior no joelho e condromalácia patelar. São Paulo: SBOT, 2023. Disponível em: https://sbot.org.br. Acesso em: 2025.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Biblioteca Virtual em Saúde. Brasília: MS, 2024. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br. Acesso em: 2025.
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