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Cirrose hepática

Entenda como a cirrose afeta o fígado, quais são suas possíveis causas, como é feito o diagnóstico e quais medidas fazem parte do tratamento.

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é a cirrose hepática?

A cirrose hepática é uma condição séria do fígado, na qual o tecido saudável do órgão é substituído por cicatrizes. Isso acontece quando há danos contínuos e prolongados ao fígado, fazendo com que ele se regenere de forma incorreta.

Assim, as cicatrizes dificultam o funcionamento normal do fígado, que é vital para filtrar toxinas do sangue, produzir proteínas importantes e ajudar na digestão.

Se há suspeita de cirrose, é importante buscar orientação médica para diagnóstico e tratamento adequado, pois manejá-la precocemente pode ajudar a melhorar a qualidade de vida e retardar sua progressão.

Número de pessoas afetadas

No Brasil, estima-se que milhares de pessoas convivam com a condição, sendo uma das principais causas de morte por problemas no fígado.

A doença é mais comum em homens, mas pode afetar pessoas de qualquer gênero e idade. Assim, fatores como má alimentação e obesidade também contribuem.

A prevalência é maior em adultos, especialmente entre indivíduos de 40 a 60 anos.

A cirrose está presente em todas as regiões do país, mas é mais prevalente nas áreas urbanas devido ao aumento de fatores de risco, como o consumo de álcool.

Tipos de cirrose hepática

1. Cirrose hepática alcoólica

Esse tipo de cirrose é **causado pelo consumo excessivo de álcool **ao longo do tempo. O fígado sofre danos contínuos, resultando na formação de cicatrizes que prejudicam seu funcionamento.

2. Cirrose hepática por hepatite viral

Ela é provocada por hepatites crônicas, como hepatite B ou C. O vírus causa inflamação constante no fígado, levando à formação de cicatrizes e, eventualmente, cirrose.

3. Cirrose hepática gordurosa (esteato-hepatite não alcoólica)

Essa forma de cirrose está associada ao acúmulo de gordura no fígado, que causa inflamação e danos. É comum em pessoas com obesidade, diabetes ou colesterol alto.

4. Cirrose hepática por doenças genéticas

Condições hereditárias, como hemocromatose (acúmulo de ferro) ou doença de Wilson (acúmulo de cobre), podem levar à cirrose ao causar danos contínuos ao fígado.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas da cirrose hepática podem variar em intensidade e são diversos. Abaixo seguem os principais:

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Se você sente esses sinais e sintomas, busque avaliação médica. Não ignore a condição, pois ela pode piorar.

O que causa a cirrose hepática?

A cirrose hepática é uma condição que tem uma série de causas e fatores de risco. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:

Consumo excessivo de álcool: o consumo frequente e prolongado de álcool pode causar lesões no fígado e favorecer a formação de cicatrizes.

Hepatites virais: as infecções crônicas pelos vírus das hepatites B e C podem provocar inflamação e danos progressivos ao fígado.

Doenças hepáticas gordurosas: o acúmulo de gordura no fígado, associado à inflamação e à lesão hepática, pode evoluir para fibrose e cirrose.

Distúrbios autoimunes: algumas doenças autoimunes podem levar o sistema imunológico a atacar estruturas do fígado, causando inflamação e lesões persistentes.

Uso prolongado de medicamentos: determinados medicamentos podem provocar lesões hepáticas. O risco depende da substância, da dose e do tempo de uso.

Distúrbios genéticos: algumas condições hereditárias, como hemocromatose e doença de Wilson, podem causar acúmulo de substâncias no fígado e provocar lesões.

O que faz piorar?

Consumo contínuo de álcool: pode manter ou agravar as lesões hepáticas.

Infecções hepáticas ativas: infecções que afetam o fígado podem contribuir para a progressão dos danos, dependendo da causa e do controle da doença.

Alimentação inadequada: uma alimentação desequilibrada pode prejudicar o estado nutricional, especialmente em pessoas com doença hepática avançada.

Buscando um diagnóstico

É importante procurar um clínico geral e, principalmente, hepatologistas e gastroenterologistas, que realizarão a avaliação considerando a história do paciente, os exames físicos e os laboratoriais.

O diagnóstico

O diagnóstico precoce é importante para identificar o estágio da doença, controlar suas complicações e orientar o tratamento adequado.

História clínica e exame físico

Investigação do consumo de álcool.

Avaliação do uso de medicamentos e histórico de hepatites virais.

Observação de sinais como icterícia (amarelamento da pele e dos olhos).

Avaliação do abdômen para detectar aumento do fígado ou presença de líquido (ascite).

Exames

Exames de sangue para avaliar a função do fígado.

Ultrassom do abdômen para analisar o tamanho do fígado, a textura e a presença de líquido.

Elastografia hepática, que mede a rigidez do fígado e ajuda a determinar o grau de fibrose.

Testes para hepatites virais e outras causas específicas de lesão hepática.

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Controle da ingestão de líquidos e alimentação: as orientações devem considerar o estado clínico e as necessidades de cada pessoa, especialmente quando há retenção de líquidos.

Vacinação contra hepatites e outras infecções: a vacinação indicada ajuda a prevenir infecções que podem agravar a saúde de pessoas com doença hepática.

Orientação nutricional especializada: contribui para adequar a alimentação às necessidades nutricionais e às possíveis complicações da cirrose.

Medidas não medicamentosas

Interrupção completa do consumo de álcool: é fundamental para pessoas com cirrose relacionada ao álcool e contribui para evitar novas lesões hepáticas.

Adoção de uma alimentação equilibrada: ajuda a manter o estado nutricional e deve ser adaptada às necessidades de cada pessoa.

Redução de sal na dieta: pode ser recomendada para pessoas com ascite ou retenção de líquidos, conforme orientação profissional.

Tratamento medicamentoso

Lactulose: ajuda a reduzir a absorção de amônia no intestino e pode ser utilizada no tratamento da encefalopatia hepática, conforme prescrição.

Diuréticos: ajudam no controle do acúmulo de líquidos e do inchaço em situações específicas, como na ascite.

Betabloqueadores: reduzem a pressão nos vasos sanguíneos do sistema porta e podem ser utilizados para diminuir o risco de complicações, conforme avaliação médica.

Onde buscar mais informações?

Sites importantes

Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH): informações sobre doenças do fígado, incluindo cirrose e suas complicações.

Ministério da Saúde: conteúdos educativos sobre hepatites, álcool e saúde hepática.

Livros e documentos orientativos

O Fígado Saudável — Dra. Norelle R. Reilly (edição em português): explica como funciona o fígado e quais cuidados ajudam a prevenir doenças.

Hepatologia para Leigos — Coleção de Saúde Geral: guia introdutório sobre doenças do fígado, com linguagem acessível.

Fontes

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Doenças do Fígado. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.

AMERICAN ASSOCIATION FOR THE STUDY OF LIVER DISEASES. Practice Guidelines: Cirrhosis. AASLD, 2021.

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