O ceratocone é uma condição ocular que afeta a córnea, a parte transparente e curva localizada na frente do olho, responsável por ajudar a focar a luz. Nessa condição, a forma normalmente arredondada da córnea começa a afinar e a adquirir um formato de cone.
Isso acontece porque as fibras de colágeno que sustentam a córnea ficam mais fracas. Essa mudança de formato faz com que a visão fique distorcida, já que a luz deixa de ser focada corretamente na retina, a parte do olho que capta as imagens.
A condição geralmente começa na adolescência ou no início da idade adulta e pode progredir com o tempo. Por isso, é importante procurar avaliação oftalmológica diante da suspeita de ceratocone. O acompanhamento profissional ajuda a avaliar a evolução da condição e a definir as medidas adequadas para cada caso.
No mundo, a prevalência global média do ceratocone é de cerca de 289,1 casos por 100.000 pessoas, o que corresponde a aproximadamente 0,24% da população.
O ceratocone tende a aparecer com maior frequência entre pessoas jovens, especialmente adultos jovens. Alguns estudos identificam uma proporção maior de casos nessa faixa etária.
No Brasil, estudos e campanhas informam que cerca de 150 mil brasileiros por ano podem desenvolver ou receber o diagnóstico de ceratocone.
Nem sempre o grau dos óculos resolve o problema. Isso acontece porque, no ceratocone, a córnea fica com um formato irregular, fazendo com que a luz entre no olho de maneira desorganizada e dificultando a correção completa da visão apenas com lentes comuns.
Nesse estágio, a deformidade da córnea é mínima e a visão pode ser corrigida com óculos ou lentes de contato comuns. Muitas vezes, a pessoa não percebe os sintomas.
A curvatura da córnea se torna mais acentuada, causando maior distorção na visão. Lentes de contato rígidas geralmente são necessárias para melhorar a qualidade da visão.
A córnea apresenta uma deformidade significativa e, em alguns casos, pode surgir cicatrização. Lentes especiais ou procedimentos médicos mais avançados, como o implante de anéis intracorneanos, podem ser indicados.
Ocorre quando a condição piora com o tempo, geralmente afetando a visão de forma mais rápida. Tratamentos como o crosslinking podem ser recomendados para ajudar a estabilizar a córnea.
Os sinais e sintomas do ceratocone costumam surgir de forma gradual e podem passar despercebidos no início. Reconhecer essas alterações é essencial para buscar avaliação e possibilitar o diagnóstico precoce.
Coçar os olhos com frequência não é apenas um hábito: esse movimento pode provocar alterações inflamatórias e aumentar a pressão sobre a córnea. Com o tempo, o atrito repetido pode acelerar a progressão do ceratocone em pessoas predispostas.
O ceratocone não tem uma única causa. Ele resulta da combinação de fatores genéticos e ambientais que podem enfraquecer a estrutura da córnea ao longo do tempo.
Predisposição genética: A condição pode estar associada a fatores hereditários, embora não exista uma única causa genética estabelecida.
Alterações na estrutura do colágeno: O colágeno contribui para a sustentação da córnea. Alterações nessa estrutura podem comprometer sua resistência e favorecer o afinamento e a deformação característicos do ceratocone.
Esfregar os olhos com frequência: O atrito e a pressão repetidos sobre a córnea podem contribuir para a progressão da deformidade, especialmente em pessoas predispostas ao ceratocone.
Alergias oculares: As alergias podem provocar coceira e levar a pessoa a esfregar os olhos com frequência. Esse comportamento pode contribuir para o agravamento da condição.
Esfregação contínua dos olhos: Pode aumentar a deformação da córnea e piorar os sintomas.
Falta de diagnóstico precoce: O avanço da condição sem acompanhamento e tratamento adequados pode permitir a progressão das alterações da córnea.
Exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV): O material associa a exposição excessiva à radiação UV ao enfraquecimento do tecido corneano e ao agravamento do quadro.
É importante procurar um médico oftalmologista, que realizará a avaliação considerando a história clínica da pessoa e os exames necessários.
A história clínica permite identificar sintomas iniciais, como visão embaçada, distorção das imagens e dificuldade para enxergar à noite.
Também ajuda a reconhecer sensibilidade à luz, necessidade frequente de mudar o grau dos óculos e dificuldade para obter boa visão mesmo com lentes novas.
Além disso, a avaliação investiga hábitos que podem piorar o quadro, como esfregar os olhos com frequência.
Topografia corneana: Mapeia a curvatura da córnea, ajudando a identificar irregularidades em sua superfície.
Tomografia corneana: Analisa a córnea em camadas, avaliando tanto a curvatura quanto a espessura.
Paquimetria: É uma técnica que mede a espessura da córnea e auxilia no acompanhamento da progressão da condição ao longo do tempo.
O tratamento do ceratocone depende do estágio da condição, das alterações da córnea e das necessidades visuais de cada pessoa. O acompanhamento oftalmológico permite avaliar a evolução e definir as medidas mais adequadas.
Evitar coçar os olhos: Evitar o atrito repetido ajuda a reduzir a pressão sobre a córnea e o risco de agravar sua deformação.
Tratar alergias oculares: O controle das alergias pode aliviar a coceira e diminuir a tendência de esfregar os olhos, comportamento associado à progressão do ceratocone.
Utilizar corretamente os óculos: O uso adequado dos óculos pode ajudar a corrigir alterações visuais, especialmente nas fases em que esse recurso oferece correção suficiente.
Manter acompanhamento oftalmológico: As consultas permitem acompanhar as alterações da córnea e avaliar a evolução da condição ao longo do tempo.
Uso de óculos nas fases iniciais: Os óculos podem ajudar a corrigir a visão quando as alterações da córnea ainda permitem uma correção adequada com lentes comuns.
Adaptação de lentes de contato especiais: Lentes especiais podem melhorar a qualidade da visão quando a irregularidade da córnea dificulta a correção apenas com óculos ou lentes comuns.
Crosslinking da córnea: O crosslinking é um procedimento destinado a aumentar a resistência da córnea e ajudar a estabilizar o ceratocone progressivo.
Colírios lubrificantes para aliviar sintomas de ressecamento: Os colírios lubrificantes ajudam a aliviar o desconforto relacionado ao ressecamento ocular.
Colírios antialérgicos: São utilizados para aliviar manifestações de alergias oculares, como a coceira, que pode favorecer o ato de esfregar os olhos.
Medicamentos para controle da inflamação ou alergias: Esses medicamentos contribuem para o controle das manifestações inflamatórias ou alérgicas associadas.
Instituto de Oftalmologia Paulista (IOP): Explica o ceratocone, seus tratamentos e exames de forma clara.
Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos (CBCO): Disponibiliza conteúdos sobre causas, evolução e principais abordagens de tratamento do ceratocone.
Associação Brasileira de Oftalmologia (CBO): Disponibiliza artigos acessíveis ao público geral sobre saúde ocular, incluindo o ceratocone.
Guia Prático de Saúde dos Olhos: Aborda de forma simples diversas doenças oculares, incluindo o ceratocone.
Fontes
Instituto de Oftalmologia Paulista (IOP). Tratamento do Ceratocone. Disponível em: https://www.iopaulista.com.br/tratamento-ceratocone. Acesso em: 30 nov. 2025.
Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE). Ceratocone. Disponível em: https://www.hope.com.br/ceratocone. Acesso em: 30 nov. 2025.
Carteira de Saúde segue diretrizes rigorosas para a seleção de fontes, baseando seu conteúdo em artigos de periódicos científicos e em instituições e organizações de referência na área da saúde. Nosso compromisso é utilizar apenas fontes confiáveis e de alta qualidade, garantindo a precisão e a integridade das informações. Além disso, todo o material é revisado em pares por uma equipe multiprofissional de saúde, assegurando ainda mais a credibilidade e a atualização dos conteúdos. Para saber mais sobre nosso processo editorial, acesse Política Editorial.