Burnout é uma síndrome de exaustão emocional, física e mental causada por estresse excessivo e prolongado, tipicamente relacionado ao ambiente de trabalho. Caracteriza-se por um sentimento persistente de esgotamento, distanciamento emocional do trabalho e uma percepção de ineficácia ou falta de realização.
O esgotamento se desenvolve quando a demanda emocional e profissional supera a capacidade de enfrentamento do indivíduo, afetando os mecanismos de adaptação e resposta ao estresse. Os indivíduos com burnout frequentemente experimentam cansaço extremo e uma falta de energia.
Segundo Christina Maslach o burnout é composto por três elementos:
ESGOTAMENTO EMOCIONAL
DESPERSONALIZAÇÃO
BAIXA REALIZAÇÃO PESSOAL
O Brasil está entre os países com maior índice, estima-se que cerca de 30% dos trabalhadores sofram com sintomas.
Cerca de 46% dos profissionais da Geração Z e 41% dos Millennials relataram sentir esgotamento frequente no trabalho.
70% dos profissionais de saúde relataram sintomas de burnout após a pandemia de COVID-19.
A “cultura do excesso” alimenta o burnout: Expressões como “trabalhe enquanto eles dormem” e “hustle culture” incentivam um ritmo insustentável, levando muitos ao limite. O descanso adequado não é luxo, mas uma necessidade para a produtividade e a saúde.
Ocorre principalmente em relação ao trabalho. Aqui, a pessoa se sente exausta, desmotivada e sobrecarregada pelas suas tarefas diárias. Isso pode levar a sentimentos de eficácia reduzida e desapego do trabalho.
Este tipo afeta estudantes que se sentem esgotados com a pressão dos estudos e das demandas escolares.
Este tipo acontece quando pais se sentem sobrecarregados pelas demandas de cuidar dos filhos. Pode resultar em sentimentos de exaustão emocional, despersonalização em relação aos filhos e uma sensação de ineficácia na função parental.
Este tipo de burnout pode ocorrer em relacionamentos pessoais, como em casamentos, onde um ou ambos parceiros se sentem emocionalmente esgotados e incapazes de desfrutar do relacionamento.
Burnout pode se manifestar de forma assintomática inicialmente, mas tende a levar a sintomas diversificados e debilitantes. Aqui estão alguns sinais e sintomas comuns da síndrome de burnout:
O reconhecimento de burnout:
Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional desde 2019. Diferente do estresse comum, o burnout é um processo crônico que afeta diretamente a saúde mental e física, impactando não apenas o desempenho no trabalho, mas também a qualidade de vida pessoal.
O burnout é uma condição que tem uma série de causas e fatores de riscos. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:
Desvalorização: A falta de valorização pode contribuir para um desequilíbrio entre o esforço realizado e o reconhecimento recebido no trabalho, favorecendo estresse e esgotamento.
Pressão constante: A pressão contínua e as demandas elevadas podem aumentar o estresse ocupacional, especialmente quando associadas a excesso de trabalho ou pouco controle sobre as tarefas.
Falta de reconhecimento: A ausência de reconhecimento por parte de colegas ou supervisores pode estar associada a maior risco de burnout, enquanto o reconhecimento profissional pode atuar como fator protetor.
Falta de suporte: A falta de apoio no ambiente de trabalho é reconhecida como um fator de risco para estresse ocupacional e burnout.
É importante procurar um psicólogo e psiquiatra que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.
A história clínica investiga a duração e a natureza do estresse no ambiente de trabalho.
Analisa sintomas de esgotamento emocional, despersonalização e baixa realização pessoal.
Inclui o histórico de saúde mental anterior, se houver.
A avaliação psicológica pode utilizar questionários e entrevistas para identificar sintomas de burnout.
Ajuda a entender o impacto do burnout na qualidade de vida do indivíduo e estabelecer estratégias de acompanhamento psicológico para cada caso.
Regular o sono: Manter uma rotina regular de sono e períodos adequados de descanso contribui para a recuperação e para o manejo do estresse.
Exercícios como caminhada: A atividade física, incluindo caminhada, é uma estratégia associada à promoção da saúde mental e à redução do estresse.
Estabelecer limites: Estabelecer limites pode ajudar a reduzir a exposição a demandas excessivas e a organizar melhor a relação entre as exigências do trabalho e os períodos de descanso.
Psicoterapia: A psicoterapia pode ajudar a lidar com estresse prolongado, emoções, pensamentos e comportamentos que estejam causando sofrimento, além de contribuir para o funcionamento diário e a qualidade de vida.
Técnicas relaxamento: Técnicas de relaxamento, como respiração, relaxamento muscular e mindfulness, podem auxiliar no manejo do estresse e na redução do sofrimento emocional.
Apoio social: O apoio de familiares, amigos, colegas e outras redes sociais pode contribuir para reduzir o isolamento e oferecer suporte diante do estresse.
Antidepressivos: São medicamentos utilizados principalmente no tratamento da depressão e também podem ser utilizados em alguns transtornos de ansiedade. Sua utilização depende da condição clínica avaliada pelo profissional de saúde.
Ansiolíticos: São medicamentos destinados a reduzir sintomas de ansiedade. Diferentes classes podem ser utilizadas conforme a condição apresentada e a avaliação profissional.
Vitaminas: As vitaminas são nutrientes necessários ao funcionamento adequado do organismo. A suplementação pode ser utilizada para corrigir deficiências específicas, conforme avaliação clínica.
Empresas brasileiras têm implementado políticas para prevenir o Burnout entre seus colaboradores, tais como:
Promoção do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal: Incentivo a pausas regulares, férias e atividades fora do ambiente de trabalho.
Gestão adequada da carga de trabalho: Estabelecimento de limites para a quantidade de tarefas e distribuição equilibrada das responsabilidades.
Ambiente de apoio e colaboração: Criação de um espaço onde os funcionários se sintam ouvidos, apoiados e valorizados.
Treinamento de lideranças: Capacitação de gestores para motivar e apoiar suas equipes de forma eficaz e saudável.
Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT): atua diretamente na área de saúde do trabalhador, reunindo conteúdos científicos e profissionais relacionados à prevenção, promoção da saúde e ao adoecimento relacionado ao trabalho.
Organização Mundial da Saúde (OMS): referência internacional para informações sobre saúde e por estabelecer a classificação do burnout na CID-11
Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT): Voltada especificamente à Psicologia Organizacional e do Trabalho, área diretamente relacionada aos aspectos psicológicos, organizacionais e psicossociais envolvidos no burnout.
"O Dilema das Redes"– Explora como a hiperconectividade impacta a saúde mental e pode contribuir para o burnout.
"Explicando: A Mente" – Episódios sobre estresse e ansiedade, abordando o impacto do esgotamento.
“Burnout: O segredo para resgatar sua vida” – Emily Nagoski e Amelia Nagoski
Fontes
MASLACH, Christina; LEITER, Michael P. Understanding the burnout experience: recent research and its implications for psychiatry. World Psychiatry, v. 19, n. 2, p. 103-111, 2020.
RODRIGUES, Mariane F.; TEIXEIRA, Marcio A. P. Burnout e saúde mental no ambiente de trabalho: uma revisão crítica das intervenções psicológicas. Revista Brasileira de Psicologia, v. 41, n. 4, p. 125-140, 2022.
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