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Burnout

Conheça os tipos, sinais, fatores relacionados, diagnóstico, tratamento e ações preventivas no ambiente de trabalho.

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é o Burnout?

Burnout é uma síndrome de exaustão emocional, física e mental causada por estresse excessivo e prolongado, tipicamente relacionado ao ambiente de trabalho. Caracteriza-se por um sentimento persistente de esgotamento, distanciamento emocional do trabalho e uma percepção de ineficácia ou falta de realização.

O esgotamento se desenvolve quando a demanda emocional e profissional supera a capacidade de enfrentamento do indivíduo, afetando os mecanismos de adaptação e resposta ao estresse. Os indivíduos com burnout frequentemente experimentam cansaço extremo e uma falta de energia.

Segundo Christina Maslach o burnout é composto por três elementos:

ESGOTAMENTO EMOCIONAL

DESPERSONALIZAÇÃO

BAIXA REALIZAÇÃO PESSOAL

Número de pessoas afetadas

O Brasil está entre os países com maior índice, estima-se que cerca de 30% dos trabalhadores sofram com sintomas.

Cerca de 46% dos profissionais da Geração Z e 41% dos Millennials relataram sentir esgotamento frequente no trabalho.

70% dos profissionais de saúde relataram sintomas de burnout após a pandemia de COVID-19.


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A “cultura do excesso” alimenta o burnout: Expressões como “trabalhe enquanto eles dormem” e “hustle culture” incentivam um ritmo insustentável, levando muitos ao limite. O descanso adequado não é luxo, mas uma necessidade para a produtividade e a saúde.


Tipos de Burnout

1. Burnout Ocupacional

Ocorre principalmente em relação ao trabalho. Aqui, a pessoa se sente exausta, desmotivada e sobrecarregada pelas suas tarefas diárias. Isso pode levar a sentimentos de eficácia reduzida e desapego do trabalho.

2. Burnout Acadêmico

Este tipo afeta estudantes que se sentem esgotados com a pressão dos estudos e das demandas escolares.

3. Burnout Parental

Este tipo acontece quando pais se sentem sobrecarregados pelas demandas de cuidar dos filhos. Pode resultar em sentimentos de exaustão emocional, despersonalização em relação aos filhos e uma sensação de ineficácia na função parental.

4. Burnout Relacional

Este tipo de burnout pode ocorrer em relacionamentos pessoais, como em casamentos, onde um ou ambos parceiros se sentem emocionalmente esgotados e incapazes de desfrutar do relacionamento.

Sinais e sintomas

Burnout pode se manifestar de forma assintomática inicialmente, mas tende a levar a sintomas diversificados e debilitantes. Aqui estão alguns sinais e sintomas comuns da síndrome de burnout:

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O reconhecimento de burnout:

Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional desde 2019. Diferente do estresse comum, o burnout é um processo crônico que afeta diretamente a saúde mental e física, impactando não apenas o desempenho no trabalho, mas também a qualidade de vida pessoal.


O que causa o Burnout?

O burnout é uma condição que tem uma série de causas e fatores de riscos. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:

Desvalorização: A falta de valorização pode contribuir para um desequilíbrio entre o esforço realizado e o reconhecimento recebido no trabalho, favorecendo estresse e esgotamento.

Pressão constante: A pressão contínua e as demandas elevadas podem aumentar o estresse ocupacional, especialmente quando associadas a excesso de trabalho ou pouco controle sobre as tarefas.

Falta de reconhecimento: A ausência de reconhecimento por parte de colegas ou supervisores pode estar associada a maior risco de burnout, enquanto o reconhecimento profissional pode atuar como fator protetor.

Falta de suporte: A falta de apoio no ambiente de trabalho é reconhecida como um fator de risco para estresse ocupacional e burnout.

Buscando um diagnóstico

É importante procurar um psicólogo e psiquiatra que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.

História clínica

A história clínica investiga a duração e a natureza do estresse no ambiente de trabalho.

Analisa sintomas de esgotamento emocional, despersonalização e baixa realização pessoal.

Inclui o histórico de saúde mental anterior, se houver.

Avaliação psicológica

A avaliação psicológica pode utilizar questionários e entrevistas para identificar sintomas de burnout.

Ajuda a entender o impacto do burnout na qualidade de vida do indivíduo e estabelecer estratégias de acompanhamento psicológico para cada caso.

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Regular o sono: Manter uma rotina regular de sono e períodos adequados de descanso contribui para a recuperação e para o manejo do estresse.

Exercícios como caminhada: A atividade física, incluindo caminhada, é uma estratégia associada à promoção da saúde mental e à redução do estresse.

Estabelecer limites: Estabelecer limites pode ajudar a reduzir a exposição a demandas excessivas e a organizar melhor a relação entre as exigências do trabalho e os períodos de descanso.

Medidas não medicamentosas

Psicoterapia: A psicoterapia pode ajudar a lidar com estresse prolongado, emoções, pensamentos e comportamentos que estejam causando sofrimento, além de contribuir para o funcionamento diário e a qualidade de vida.

Técnicas relaxamento: Técnicas de relaxamento, como respiração, relaxamento muscular e mindfulness, podem auxiliar no manejo do estresse e na redução do sofrimento emocional.

Apoio social: O apoio de familiares, amigos, colegas e outras redes sociais pode contribuir para reduzir o isolamento e oferecer suporte diante do estresse.

Tratamento medicamentoso

Antidepressivos: São medicamentos utilizados principalmente no tratamento da depressão e também podem ser utilizados em alguns transtornos de ansiedade. Sua utilização depende da condição clínica avaliada pelo profissional de saúde.

Ansiolíticos: São medicamentos destinados a reduzir sintomas de ansiedade. Diferentes classes podem ser utilizadas conforme a condição apresentada e a avaliação profissional.

Vitaminas: As vitaminas são nutrientes necessários ao funcionamento adequado do organismo. A suplementação pode ser utilizada para corrigir deficiências específicas, conforme avaliação clínica.

Ações preventivas no setor empresarial

Empresas brasileiras têm implementado políticas para prevenir o Burnout entre seus colaboradores, tais como:

Promoção do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal: Incentivo a pausas regulares, férias e atividades fora do ambiente de trabalho.

Gestão adequada da carga de trabalho: Estabelecimento de limites para a quantidade de tarefas e distribuição equilibrada das responsabilidades.

Ambiente de apoio e colaboração: Criação de um espaço onde os funcionários se sintam ouvidos, apoiados e valorizados.

Treinamento de lideranças: Capacitação de gestores para motivar e apoiar suas equipes de forma eficaz e saudável.

Onde buscar mais informações?

Sites importantes

Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT): atua diretamente na área de saúde do trabalhador, reunindo conteúdos científicos e profissionais relacionados à prevenção, promoção da saúde e ao adoecimento relacionado ao trabalho.

Organização Mundial da Saúde (OMS): referência internacional para informações sobre saúde e por estabelecer a classificação do burnout na CID-11

Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT): Voltada especificamente à Psicologia Organizacional e do Trabalho, área diretamente relacionada aos aspectos psicológicos, organizacionais e psicossociais envolvidos no burnout.

Livros/Documentos Orientativos

"O Dilema das Redes"– Explora como a hiperconectividade impacta a saúde mental e pode contribuir para o burnout.

"Explicando: A Mente" – Episódios sobre estresse e ansiedade, abordando o impacto do esgotamento.

“Burnout: O segredo para resgatar sua vida” – Emily Nagoski e Amelia Nagoski

Fontes

MASLACH, Christina; LEITER, Michael P. Understanding the burnout experience: recent research and its implications for psychiatry. World Psychiatry, v. 19, n. 2, p. 103-111, 2020.

RODRIGUES, Mariane F.; TEIXEIRA, Marcio A. P. Burnout e saúde mental no ambiente de trabalho: uma revisão crítica das intervenções psicológicas. Revista Brasileira de Psicologia, v. 41, n. 4, p. 125-140, 2022.

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