Bulimia, ou bulimia nervosa, é um transtorno alimentar caracterizado por ciclos recorrentes de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios inadequados, como vômitos autoinduzidos, uso excessivo de laxantes, jejum ou exercício físico excessivo.
Seria como se a pessoa comesse em grande quantidade e depois estimulasse o próprio vômito para “evitar” absorver aquele alimento.
Durante os episódios de compulsão, a pessoa consome grandes quantidades de comida em um curto período, acompanhados de uma sensação de perda de controle.
Este transtorno está frequentemente associado a preocupações muito grandes com o peso do corpo e/ou a forma física.
Afeta cerca de 1% da população geral no Brasil.
Mais comum em adolescentes e jovens adultos, especialmente entre 15 e 30 anos.
Esta condição é muito mais frequente em mulheres, que representam cerca de 90% dos casos.
Mulheres: A bulimia apresenta maior frequência em mulheres em dados epidemiológicos, embora transtornos alimentares possam ocorrer em pessoas de todos os sexos.
Histórico de transtornos: O histórico familiar de transtornos alimentares e de outros transtornos psiquiátricos é considerado na avaliação porque pode indicar maior vulnerabilidade.
Pessoas que sofrem pressão social: Pressões sociais relacionadas ao corpo, ao peso e à aparência podem contribuir para maior vulnerabilidade aos transtornos alimentares.
A pessoa ingere grandes quantidades de comida em um curto período (compulsão alimentar) e em seguida adota medidas para "purgar" as calorias consumidas. Isso pode incluir vômito autoinduzido, uso excessivo de laxantes, diuréticos ou enemas para prevenir ganho de peso.
Nessa forma de bulimia, após a compulsão alimentar, a pessoa utiliza métodos que não envolvem a purgação direta, como períodos prolongados de jejum ou exercício físico intenso e excessivo.
Um fato bem interessante sobre a bulimia é que, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, muitas pessoas com o transtorno mantêm peso corporal dentro da faixa considerada normal. Isso significa que o problema nem sempre é visível externamente, e alguém pode estar lutando contra episódios graves de compulsão e purgação sem que familiares ou amigos percebam.
Os sinais e sintomas da bulimia nem sempre são facilmente perceptíveis, já que a condição pode ocorrer de forma silenciosa e disfarçada no dia a dia. Muitas vezes, a pessoa mantém hábitos e rotinas aparentemente normais, o que dificulta o reconhecimento do problema por familiares e amigos, podendo ser os sinais e sintomas:
As causas da bulimia envolvem uma combinação complexa de fatores que interagem entre si, tornando o desenvolvimento do transtorno multifacetado e único em cada indivíduo. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:
Baixa autoestima: A baixa autoestima está associada a maior preocupação com a imagem corporal e a comportamentos alimentares desordenados, podendo participar da vulnerabilidade ao transtorno.
Fatores genéticos: Fatores genéticos podem aumentar a vulnerabilidade aos transtornos alimentares, que resultam da interação entre fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais.
Pressão social: Pressões sociais relacionadas ao peso, ao corpo e aos padrões de aparência podem aumentar a vulnerabilidade aos transtornos alimentares.
Traumas psicológicos: Eventos traumáticos e estressantes, especialmente experiências traumáticas na infância, estão associados a maior risco de desenvolvimento de transtornos alimentares, incluindo bulimia nervosa.
Desequilíbrio químico do cérebro: Fatores biológicos estão entre os elementos estudados na origem dos transtornos alimentares, mas suas causas exatas não são completamente compreendidas e não se reduzem a um único mecanismo.
Estresse crônico: Eventos e experiências estressantes podem aumentar a vulnerabilidade aos transtornos alimentares e interagir com fatores psicológicos e sociais.
Isolamento social: A solidão e o isolamento social estão associados a sintomas de transtornos alimentares, inclusive à bulimia nervosa, e podem se relacionar à maior gravidade dos sintomas.
Pressão social sobre a aparência: A exposição a padrões sociais de aparência e a experiências de provocação relacionadas à aparência estão associadas a maior risco de transtornos alimentares.
É importante procurar um psicólogo e psiquiatra que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.
A história clínica explora padrões de alimentação e comportamentos associados à bulimia.
Avalia a frequência e os gatilhos dos episódios de compulsão alimentar.
Inclui questionamentos sobre histórico familiar de transtornos alimentares.p
O exame físico busca sinais de complicações, como problemas dentários devido ao vômito frequente.
Observa sinais de desidratação e desequilíbrios eletrolíticos.
Inclui a avaliação do estado nutricional geral.
Alimentação equilibrada: Uma alimentação adequada e estruturada pode ajudar a reduzir restrições alimentares e contribuir para o controle dos episódios de compulsão e comportamentos compensatórios.
Horários alimentares e rotina: Estabelecer horários e uma rotina alimentar estruturada pode ajudar a reduzir períodos de restrição alimentar e a ocorrência de impulsos para compulsão e purgação.
Aumento da exposição social e atividades prazerosas: A ampliação do suporte social pode contribuir para a recuperação e para a redução do isolamento, embora as evidências sobre intervenções específicas de suporte social ainda sejam limitadas.
Terapia cognitivo-comportamental: A terapia cognitivo-comportamental trabalha pensamentos, sentimentos e comportamentos relacionados à alimentação e pode apoiar a construção de hábitos alimentares regulares.
Grupos de apoio: O tratamento dos transtornos alimentares pode incluir psicoterapia em grupo, e o suporte social pode contribuir para o enfrentamento e a recuperação.
Educação nutricional: A orientação nutricional auxilia a pessoa a desenvolver uma alimentação adequada e integra o cuidado dos transtornos alimentares.
Antidepressivos: Fluoxetina: A fluoxetina é um antidepressivo que pode ser utilizada no tratamento da bulimia nervosa. Diretrizes psiquiátricas incluem os inibidores da recaptação de serotonina, como a fluoxetina, entre as opções farmacológicas para adultos com bulimia nervosa.
Suplementos vitamínicos: A avaliação nutricional pode identificar deficiências de vitaminas e outros nutrientes, permitindo que a suplementação seja considerada quando houver necessidade clínica.
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM): Conteúdo técnico e acessível sobre transtornos alimentares e seus impactos metabólicos.
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): Publicações e notícias sobre saúde mental e alimentação, incluindo transtornos alimentares.
“O Peso das Coisas”, Andrea Levy: Romance que narra a vida de uma jovem que enfrenta transtornos alimentares, mostrando a relação entre autoestima, família e sociedade.
“Corpo”, Christa Wolf: Obra de ficção que aborda conflitos com a imagem corporal.
Fontes
BACALTCHUK, Josué; HAY, Phillipa. Treatment of bulimia nervosa: a synthesis of evidence. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 21, n. 3, set. 1999.
Steinhausen, H.C.; Weber, S. The outcome of bulimia nervosa: findings from one-quarter century of research. American Journal of Psychiatry, 2009.
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