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HomeCondições de saúdeBulimia

Bulimia

Entenda o que caracteriza a bulimia, seus sinais e sintomas, como é feito o diagnóstico e quais medidas podem fazer parte do tratamento.

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é bulimia?

Bulimia, ou bulimia nervosa, é um transtorno alimentar caracterizado por ciclos recorrentes de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios inadequados, como vômitos autoinduzidos, uso excessivo de laxantes, jejum ou exercício físico excessivo.

Seria como se a pessoa comesse em grande quantidade e depois estimulasse o próprio vômito para “evitar” absorver aquele alimento.

Durante os episódios de compulsão, a pessoa consome grandes quantidades de comida em um curto período, acompanhados de uma sensação de perda de controle.

Este transtorno está frequentemente associado a preocupações muito grandes com o peso do corpo e/ou a forma física.

Número de pessoas afetadas

Afeta cerca de 1% da população geral no Brasil.

Mais comum em adolescentes e jovens adultos, especialmente entre 15 e 30 anos.

Esta condição é muito mais frequente em mulheres, que representam cerca de 90% dos casos.

Fique atento, a população de risco é:

Mulheres: A bulimia apresenta maior frequência em mulheres em dados epidemiológicos, embora transtornos alimentares possam ocorrer em pessoas de todos os sexos.

Histórico de transtornos: O histórico familiar de transtornos alimentares e de outros transtornos psiquiátricos é considerado na avaliação porque pode indicar maior vulnerabilidade.

Pessoas que sofrem pressão social: Pressões sociais relacionadas ao corpo, ao peso e à aparência podem contribuir para maior vulnerabilidade aos transtornos alimentares.

Tipos de bulimia

1. Bulimia Nervosa Purgativa

A pessoa ingere grandes quantidades de comida em um curto período (compulsão alimentar) e em seguida adota medidas para "purgar" as calorias consumidas. Isso pode incluir vômito autoinduzido, uso excessivo de laxantes, diuréticos ou enemas para prevenir ganho de peso.

2. Bulimia Nervosa Não Purgativa

Nessa forma de bulimia, após a compulsão alimentar, a pessoa utiliza métodos que não envolvem a purgação direta, como períodos prolongados de jejum ou exercício físico intenso e excessivo.


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Um fato bem interessante sobre a bulimia é que, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, muitas pessoas com o transtorno mantêm peso corporal dentro da faixa considerada normal. Isso significa que o problema nem sempre é visível externamente, e alguém pode estar lutando contra episódios graves de compulsão e purgação sem que familiares ou amigos percebam.


Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas da bulimia nem sempre são facilmente perceptíveis, já que a condição pode ocorrer de forma silenciosa e disfarçada no dia a dia. Muitas vezes, a pessoa mantém hábitos e rotinas aparentemente normais, o que dificulta o reconhecimento do problema por familiares e amigos, podendo ser os sinais e sintomas:

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O que causa a bulimia?

As causas da bulimia envolvem uma combinação complexa de fatores que interagem entre si, tornando o desenvolvimento do transtorno multifacetado e único em cada indivíduo. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:

Baixa autoestima: A baixa autoestima está associada a maior preocupação com a imagem corporal e a comportamentos alimentares desordenados, podendo participar da vulnerabilidade ao transtorno.

Fatores genéticos: Fatores genéticos podem aumentar a vulnerabilidade aos transtornos alimentares, que resultam da interação entre fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais.

Pressão social: Pressões sociais relacionadas ao peso, ao corpo e aos padrões de aparência podem aumentar a vulnerabilidade aos transtornos alimentares.

Traumas psicológicos: Eventos traumáticos e estressantes, especialmente experiências traumáticas na infância, estão associados a maior risco de desenvolvimento de transtornos alimentares, incluindo bulimia nervosa.

Desequilíbrio químico do cérebro: Fatores biológicos estão entre os elementos estudados na origem dos transtornos alimentares, mas suas causas exatas não são completamente compreendidas e não se reduzem a um único mecanismo.

O que faz piorar?

Estresse crônico: Eventos e experiências estressantes podem aumentar a vulnerabilidade aos transtornos alimentares e interagir com fatores psicológicos e sociais.

Isolamento social: A solidão e o isolamento social estão associados a sintomas de transtornos alimentares, inclusive à bulimia nervosa, e podem se relacionar à maior gravidade dos sintomas.

Pressão social sobre a aparência: A exposição a padrões sociais de aparência e a experiências de provocação relacionadas à aparência estão associadas a maior risco de transtornos alimentares.

Buscando um diagnóstico

É importante procurar um psicólogo e psiquiatra que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.

História clínica

A história clínica explora padrões de alimentação e comportamentos associados à bulimia.

Avalia a frequência e os gatilhos dos episódios de compulsão alimentar.

Inclui questionamentos sobre histórico familiar de transtornos alimentares.p

Exame físico

O exame físico busca sinais de complicações, como problemas dentários devido ao vômito frequente.

Observa sinais de desidratação e desequilíbrios eletrolíticos.

Inclui a avaliação do estado nutricional geral.

Tratamento

Medidas não medicamentosas

Alimentação equilibrada: Uma alimentação adequada e estruturada pode ajudar a reduzir restrições alimentares e contribuir para o controle dos episódios de compulsão e comportamentos compensatórios.

Horários alimentares e rotina: Estabelecer horários e uma rotina alimentar estruturada pode ajudar a reduzir períodos de restrição alimentar e a ocorrência de impulsos para compulsão e purgação.

Aumento da exposição social e atividades prazerosas: A ampliação do suporte social pode contribuir para a recuperação e para a redução do isolamento, embora as evidências sobre intervenções específicas de suporte social ainda sejam limitadas.

Mudanças de estilo de vida

Terapia cognitivo-comportamental: A terapia cognitivo-comportamental trabalha pensamentos, sentimentos e comportamentos relacionados à alimentação e pode apoiar a construção de hábitos alimentares regulares.

Grupos de apoio: O tratamento dos transtornos alimentares pode incluir psicoterapia em grupo, e o suporte social pode contribuir para o enfrentamento e a recuperação.

Educação nutricional: A orientação nutricional auxilia a pessoa a desenvolver uma alimentação adequada e integra o cuidado dos transtornos alimentares.

Tratamento medicamentoso

Antidepressivos: Fluoxetina: A fluoxetina é um antidepressivo que pode ser utilizada no tratamento da bulimia nervosa. Diretrizes psiquiátricas incluem os inibidores da recaptação de serotonina, como a fluoxetina, entre as opções farmacológicas para adultos com bulimia nervosa.

Suplementos vitamínicos: A avaliação nutricional pode identificar deficiências de vitaminas e outros nutrientes, permitindo que a suplementação seja considerada quando houver necessidade clínica.

Onde buscar mais informações?

Sites importantes

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM): Conteúdo técnico e acessível sobre transtornos alimentares e seus impactos metabólicos.

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): Publicações e notícias sobre saúde mental e alimentação, incluindo transtornos alimentares.

Livros/Documentos Orientativos

“O Peso das Coisas”, Andrea Levy: Romance que narra a vida de uma jovem que enfrenta transtornos alimentares, mostrando a relação entre autoestima, família e sociedade.

“Corpo”, Christa Wolf: Obra de ficção que aborda conflitos com a imagem corporal.

Fontes

BACALTCHUK, Josué; HAY, Phillipa. Treatment of bulimia nervosa: a synthesis of evidence. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 21, n. 3, set. 1999.

Steinhausen, H.C.; Weber, S. The outcome of bulimia nervosa: findings from one-quarter century of research. American Journal of Psychiatry, 2009.

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