Bradicardia é quando o coração bate mais devagar do que o normal. E para entendermos como isso pode acontecer, é importante primeiro sabermos o que é o normal.
Em adultos, a frequência cardíaca em repouso costuma ficar entre 60 e 100 batimentos por minuto. Valores abaixo de 60 bpm são geralmente chamados de bradicardia, mas nem sempre indicam um problema: podem ocorrer durante o sono ou em pessoas bem condicionadas fisicamente.
Já a diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2022, voltada à interpretação do eletrocardiograma, utiliza o limite de menos de 50 bpm para identificar a bradicardia sinusal, quando o ritmo natural do coração está mais lento.
O coração é como uma bomba que envia sangue para todas as partes do corpo. Se ele bate devagar demais, não vai conseguir mandar oxigênio suficiente para onde precisa. Isso pode fazer a pessoa se sentir cansada ou ter dificuldades para realizar atividades simples.
A frequência cardíaca (FC) em repouso varia conforme a idade e outros fatores, como nível de atividade física e condições de saúde. Abaixo, apresentamos os valores médios de batimentos cardíacos por minuto (bpm) para diferentes faixas etárias:
Recém-nascidos: (0-28 dias) 100 a 205 bpm
Bebês: (28 dias a 1 ano) 100 a 180 bpm
Crianças: (1 a 3 anos) 98 a 140 bpm
Crianças: (3 a 5 anos) 80 a 120 bpm
Crianças: (5 a 12 anos) 75 a 118 bpm
Adolescentes: (13 anos ou mais) 60 a 100 bpm
Adultos: (18 a 65 anos) 60 a 100 bpm
Idosos: (acima de 65 anos) 50 a 60 bpm
Mais comum em indivíduos com idade superior a 65 anos, devido a alterações naturais no sistema de condução cardíaco.
Estima-se que a prevalência global da bradicardia varie entre 0,5% e 2,0% na população geral.
No contexto brasileiro, a bradicardia sinusal é uma das arritmias mais frequentes, afetando cerca de 5% dos indivíduos.

A redução da frequência cardíaca é um problema?
Nem sempre! Para muitas pessoas, essa redução da FC é apenas uma adaptação natural do corpo. No entanto, se a frequência cardíaca ficar muito baixa (bradicardia) e causar tonturas, cansaço ou desmaios, pode ser necessário um acompanhamento médico.
Este é um tipo de batimento cardíaco lento que ocorre quando o nódulo sinusal (o "marcapasso natural" do coração), responsável por controlar o ritmo do coração, envia sinais mais lentamente do que o normal.
Este tipo ocorre em pessoas saudáveis, principalmente atletas ou durante o sono. O ritmo cardíaco é naturalmente mais lento devido ao bom condicionamento físico ou ao relaxamento do corpo.
Diferente da fisiológica, este tipo é causado por doenças ou condições médicas como envelhecimento, lesões no coração, infarto ou problemas com o sistema de condução elétrica do coração.
Ocorre devido ao uso de certos medicamentos, como betabloqueadores ou digoxina, que podem reduzir a velocidade dos batimentos cardíacos como efeito colateral do medicamento.
Ocorre uma alteração no sistema elétrico do coração em que o impulso elétrico vindo dos átrios (câmaras superiores) sofre atraso ou é totalmente bloqueado antes de chegar aos ventrículos (câmaras inferiores).
Neste caso, os sinais elétricos que controlam o coração são atrasados no percurso entre os átrios e os ventrículos, mas ainda chegam ao destino. Geralmente não causa sintomas e muitas vezes é detectado em exames de rotina.
Aqui, nem todos os sinais elétricos passam dos átrios aos ventrículos, resultando em batimentos perdidos. Pode causar tontura ou sensação de fraqueza nos casos mais graves.
Neste tipo, nenhum sinal elétrico é transmitido entre os átrios e ventrículos. O coração depende de um ritmo alternativo muito lento, o que pode causar cansaço extremo, desmaios e outros sintomas graves.
A bradicardia pode se manifestar de forma assintomática inicialmente, mas tende a levar a sintomas diversificados. Aqui estão alguns sinais e sintomas comuns da condição:


Por que a frequência cardíaca diminui com a idade?
Está relacionada ao declínio da taxa metabólica e a mudanças naturais no coração. Abaixo seguem 4 motivos do porque isso acontece:
Envelhecimento do coração
Metabolismo reduzido
Sinais cerebrais lentos
Mudanças vasos sanguíneos
A bradicardia é uma condição que tem uma série de causas e fatores de riscos. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:
Doenças cardíacas: Algumas doenças cardíacas podem comprometer o funcionamento do sistema elétrico do coração, interferindo na formação ou na condução dos impulsos responsáveis por manter os batimentos cardíacos.
Usó certos medicamentos: Alguns medicamentos podem diminuir a frequência cardíaca ao reduzir a atividade do sistema que estimula o coração ou a condução dos impulsos elétricos.
Desequilíbrio metabólico: Alterações no funcionamento metabólico do organismo podem interferir na atividade elétrica das células cardíacas e, consequentemente, alterar a frequência dos batimentos.
Envelhecimento: Com o envelhecimento, podem ocorrer alterações estruturais e funcionais no sistema de condução elétrica do coração, dificultando a geração ou a transmissão adequada dos impulsos cardíacos.
É importante procurar um cardiologistas que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.
A detecção precoce é essencial para determinar a gravidade da condição e identificar a necessidade de tratamentos específicos, especialmente em casos que afetam a qualidade de vida ou indicam problemas mais graves.
Recolhe informações sobre sintomas.
Investiga medicações em uso.
Considera a história da sua família de condições cardíacas.
O eletrocardiograma
Testes como o Holter de 24 horas
Ecocardiograma
Exercício físico: A prática de exercício físico pode contribuir para a saúde cardiovascular e deve ser considerada de acordo com as condições de saúde e a capacidade individual da pessoa.
Alimentação saudável: Uma alimentação saudável contribui para o cuidado cardiovascular e para o controle de condições que podem estar relacionadas à saúde do coração.
Evitar álcool, cigarro e café: Álcool e tabaco podem afetar o sistema cardiovascular, enquanto a relação do café com a frequência cardíaca depende da pessoa e do contexto clínico.
Ajustar remédios: Quando medicamentos estão contribuindo para a redução da frequência cardíaca, a avaliação e o ajuste do tratamento podem ajudar a reduzir esse efeito. Esse ajuste deve ser realizado por profissional de saúde.
Monitoramento cardíaco: O acompanhamento da frequência e do ritmo cardíaco permite identificar alterações e acompanhar a evolução da condição.
Atropina: Reduz a ação da acetilcolina sobre o coração, diminuindo a influência parassimpática sobre o nodo sinusal e a condução atrioventricular. Com isso, pode aumentar a frequência cardíaca em determinados casos de bradicardia.
Drogas beta-adrenérgicas: Esses medicamentos estimulam receptores beta-adrenérgicos no coração, aumentando a frequência e a força de contração cardíaca. Podem ser utilizados em situações específicas quando é necessário aumentar a frequência cardíaca.
Alguns medicamentos podem diminuir a frequência cardíaca, levando à bradicardia. As principais classes de medicamentos que podem causar este efeito incluem:
1. Betabloqueadores: Esses medicamentos reduzem a carga de trabalho do coração, diminuindo a frequência dos batimentos cardíacos e a pressão arterial.
2. Bloqueadores dos Canais de Cálcio: Esses medicamentos relaxam os vasos sanguíneos e reduzem a carga de trabalho do coração, sendo usados para tratar hipertensão e algumas arritmias.
3. Digitálicos: Medicamentos como a digoxina aumentam a força de contração do coração e são utilizados no tratamento de certas arritmias e insuficiência cardíaca.
→ Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC): conteúdos sobre os sistema cardiovascular, doenças que mais afetam o coração e os tratamentos. Disponível aqui.
→ Instituto do Coração (InCor): conteúdos sobre o sistema cardiovascular. Disponível aqui.
Fontes
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre a Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 119, n. 4, p. 638-707, 2022.
Carteira de Saúde segue diretrizes rigorosas para a seleção de fontes, baseando seu conteúdo em artigos de periódicos científicos e em instituições e organizações de referência na área da saúde. Nosso compromisso é utilizar apenas fontes confiáveis e de alta qualidade, garantindo a precisão e a integridade das informações. Além disso, todo o material é revisado em pares por uma equipe multiprofissional de saúde, assegurando ainda mais a credibilidade e a atualização dos conteúdos. Para saber mais sobre nosso processo editorial, acesse nossa Política Editorial.