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Bipolaridade

Conheça os tipos de bipolaridade, os sinais e sintomas, como é feito o diagnóstico e as opções de tratamento.

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é bipolaridade?

Bipolaridade, ou transtorno bipolar, é uma condição de saúde mental caracterizada por alterações extremas de humor que incluem episódios de mania (ou hipomania) e depressão.

Antigamente, a bipolaridade era conhecida como psicose maníaco-depressiva, termo hoje substituído para reduzir estigmas e refletir melhor o quadro clínico.

Mas, afinal, o que seria a mania? E o que seria a depressão?

Durante um episódio maníaco, a pessoa pode sentir muita euforia, energia elevada, impulsividade e pensamento muito acelerado.

Em contrapartida, na fase depressiva, ela pode experimentar sentimentos de tristeza profunda, baixa energia, perda de interesse em atividades e dificuldades de concentração.

O transtorno bipolar é uma condição crônica, mas gerenciável, com tratamento adequado, que pode incluir medicação e terapia.

Número de pessoas afetadas

Estima-se que cerca de 40 a 60 milhões de pessoas vivem com esse transtorno.

Ele pode aparecer tanto na adolescência quanto na fase adulta.

No Brasil, estudos indicam que a prevalência gira em torno de 2% a 3% da população.


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Estudos de neuroimagem indicam que pessoas com bipolaridade possuem redução, frequentemente, da massa cinzenta do cérebro, o que afeta controle emocional, acarreta deficits cognitivos e atrapalha o tratamento.

Tipos de bipolaridade

1. Transtorno Bipolar Tipo I

É caracterizado por episódios de mania que duram pelo menos uma semana ou requerem hospitalização. Durante estes episódios, a pessoa pode sentir-se extremamente animada, cheia de energia, ou irritável. Também pode haver episódios de depressão, mas eles não são necessários para um diagnóstico de tipo I.

2. Transtorno Bipolar Tipo II

No transtorno bipolar tipo II, a pessoa experimenta episódios de depressão e episódios de hipomania, que são menos intensos que a mania. A hipomania pode envolver alta energia e menos sono, mas geralmente não é tão severa quanto a mania do tipo I.

3. Transtorno Ciclotímico

A ciclotimia é uma forma mais leve de transtorno bipolar, onde as pessoas têm altos e baixos emocionais, mas eles não são tão severos quanto a mania ou depressão completas. Esses sintomas podem ocorrer em um período de dois anos ou mais.

Sinais e sintomas

O transtorno bipolar se manifesta por meio de alterações marcantes no humor e na energia, que podem impactar de forma significativa a vida diária.

Essas mudanças costumam ocorrer em episódios, variando de fases de grande disposição a períodos de baixa motivação e tristeza profunda, podendo ser os sinais e sintomas:

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A intensidade e a duração dos episódios diferem de pessoa para pessoa, podendo influenciar o comportamento, o sono e as relações sociais.

O que causa a bipolaridade?

O transtorno bipolar é uma condição complexa que não tem uma causa única, mas resulta da interação de múltiplos fatores que afetam o funcionamento do cérebro e o equilíbrio emocional. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:

Fatores genéticos: Fatores genéticos podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno bipolar. A hereditariedade participa do risco, mas os genes não são o único fator envolvido.

Alterações neurológicas: Alterações na estrutura e no funcionamento do cérebro estão entre os fatores biológicos estudados na bipolaridade e podem contribuir para sua manifestação.

Eventos traumáticos: Eventos adversos ou que provocam mudanças importantes na vida podem contribuir para desencadear ou intensificar sintomas do transtorno bipolar.

O que faz piorar?

Estresse: Situações adversas e fatores estressantes podem contribuir para o desencadeamento ou agravamento dos sintomas em pessoas com transtorno bipolar.

Privação de sono: A privação de sono pode favorecer a piora dos sintomas, enquanto a manutenção de um ciclo regular de sono é uma medida considerada importante no cuidado da bipolaridade.

Uso de álcool e drogas: O uso de álcool ou drogas pode influenciar o início e a evolução do transtorno bipolar e também pode agravar os sintomas.

Buscando um diagnóstico

É importante procurar um psicólogo e psiquiatra que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.

História Clínica

A história clínica examina episódios de mania e depressão, incluindo duração e intensidade.

Considera o impacto desses episódios no trabalho, nas relações e na vida diária.

Investiga o histórico familiar de transtornos de humor e uso de substâncias.

Exame Físico

O exame físico ajuda a descartar outras condições médicas que possam mimetizar sintomas bipolares.

Avalia sinais vitais e outras condições de saúde associadas.

Observa-se a interação do paciente durante a consulta.

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Manter rotina estável: Uma rotina regular pode ajudar a organizar os horários de sono e das atividades, favorecendo maior estabilidade no cuidado da bipolaridade.

Pretirar exercícios: A atividade física pode contribuir para o cuidado e para o bem-estar, sendo incluída entre as mudanças de estilo de vida que podem beneficiar pessoas com transtorno bipolar.

Evirar álcool e drogas: Evitar álcool e drogas pode ajudar a reduzir fatores que podem influenciar ou agravar os sintomas do transtorno bipolar.

Medidas não medicamentosas

Particular grupos de apoio: Grupos de apoio podem oferecer encorajamento, favorecer o compartilhamento de experiências e contribuir para o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento.

Uso de técnicas de relaxamento: Técnicas de relaxamento podem ser utilizadas como recurso de apoio ao bem-estar e ao manejo do estresse, embora não substituam os tratamentos específicos para a bipolaridade.

Terapia cognitivo-comportamental: A terapia cognitivo-comportamental pode ser utilizada como intervenção psicológica complementar no tratamento da bipolaridade e pode contribuir para a redução de sintomas depressivos.

Tratamento medicamentoso

Estabilizadores do humor: O lítio é um estabilizador do humor utilizado no tratamento da bipolaridade e pode ajudar a prevenir episódios ou reduzir sua gravidade.

Antipsicóticos: Antipsicóticos como quetiapina e olanzapina são utilizados no tratamento do transtorno bipolar, inclusive no manejo de episódios de mania.

Antidepressivos: Antidepressivos podem fazer parte do tratamento de episódios depressivos na bipolaridade, geralmente associados a um estabilizador do humor ou antipsicótico, conforme avaliação profissional.

Anticonvulsivantes (lamotrigina e ácido valpróico): Alguns anticonvulsivantes também são utilizados no tratamento da bipolaridade, podendo atuar como estabilizadores do humor ou integrar estratégias específicas de tratamento.

Onde buscar mais informações?

Sites Importantes

Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB) : oferece conteúdos educativos e apoio à família. Disponível aqui.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FAMILIARES, AMIGOS E PORTADORES DE TRANSTORNOS AFETIVOS (ABRATA): associação civil sem fins lucrativos, constituída por pessoas físicas e jurídicas dispostas a colaborar para informar e educar a sociedade sobre a natureza dos transtornos de humor. Disponível aqui.

Fontes:

SHITOMI-JONES, Lisa M. et al. Exploration of first onsets of mania, schizophrenia spectrum disorders and major depressive disorder in perimenopause. Nature Mental Health, v. 2, n. 10, p. 1161-1168, 2024.

Dollish HK, Tsyglakova M, McClung CA. Circadian rhythms and mood disorders: Time to see the light. Neuron. 2024 Jan 3;112(1):25-40.

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