Bipolaridade, ou transtorno bipolar, é uma condição de saúde mental caracterizada por alterações extremas de humor que incluem episódios de mania (ou hipomania) e depressão.
Antigamente, a bipolaridade era conhecida como psicose maníaco-depressiva, termo hoje substituído para reduzir estigmas e refletir melhor o quadro clínico.
Mas, afinal, o que seria a mania? E o que seria a depressão?
Durante um episódio maníaco, a pessoa pode sentir muita euforia, energia elevada, impulsividade e pensamento muito acelerado.
Em contrapartida, na fase depressiva, ela pode experimentar sentimentos de tristeza profunda, baixa energia, perda de interesse em atividades e dificuldades de concentração.
O transtorno bipolar é uma condição crônica, mas gerenciável, com tratamento adequado, que pode incluir medicação e terapia.
Estima-se que cerca de 40 a 60 milhões de pessoas vivem com esse transtorno.
Ele pode aparecer tanto na adolescência quanto na fase adulta.
No Brasil, estudos indicam que a prevalência gira em torno de 2% a 3% da população.

Estudos de neuroimagem indicam que pessoas com bipolaridade possuem redução, frequentemente, da massa cinzenta do cérebro, o que afeta controle emocional, acarreta deficits cognitivos e atrapalha o tratamento.
É caracterizado por episódios de mania que duram pelo menos uma semana ou requerem hospitalização. Durante estes episódios, a pessoa pode sentir-se extremamente animada, cheia de energia, ou irritável. Também pode haver episódios de depressão, mas eles não são necessários para um diagnóstico de tipo I.
No transtorno bipolar tipo II, a pessoa experimenta episódios de depressão e episódios de hipomania, que são menos intensos que a mania. A hipomania pode envolver alta energia e menos sono, mas geralmente não é tão severa quanto a mania do tipo I.
A ciclotimia é uma forma mais leve de transtorno bipolar, onde as pessoas têm altos e baixos emocionais, mas eles não são tão severos quanto a mania ou depressão completas. Esses sintomas podem ocorrer em um período de dois anos ou mais.
O transtorno bipolar se manifesta por meio de alterações marcantes no humor e na energia, que podem impactar de forma significativa a vida diária.
Essas mudanças costumam ocorrer em episódios, variando de fases de grande disposição a períodos de baixa motivação e tristeza profunda, podendo ser os sinais e sintomas:

A intensidade e a duração dos episódios diferem de pessoa para pessoa, podendo influenciar o comportamento, o sono e as relações sociais.
O transtorno bipolar é uma condição complexa que não tem uma causa única, mas resulta da interação de múltiplos fatores que afetam o funcionamento do cérebro e o equilíbrio emocional. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:
Fatores genéticos: Fatores genéticos podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno bipolar. A hereditariedade participa do risco, mas os genes não são o único fator envolvido.
Alterações neurológicas: Alterações na estrutura e no funcionamento do cérebro estão entre os fatores biológicos estudados na bipolaridade e podem contribuir para sua manifestação.
Eventos traumáticos: Eventos adversos ou que provocam mudanças importantes na vida podem contribuir para desencadear ou intensificar sintomas do transtorno bipolar.
Estresse: Situações adversas e fatores estressantes podem contribuir para o desencadeamento ou agravamento dos sintomas em pessoas com transtorno bipolar.
Privação de sono: A privação de sono pode favorecer a piora dos sintomas, enquanto a manutenção de um ciclo regular de sono é uma medida considerada importante no cuidado da bipolaridade.
Uso de álcool e drogas: O uso de álcool ou drogas pode influenciar o início e a evolução do transtorno bipolar e também pode agravar os sintomas.
É importante procurar um psicólogo e psiquiatra que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.
A história clínica examina episódios de mania e depressão, incluindo duração e intensidade.
Considera o impacto desses episódios no trabalho, nas relações e na vida diária.
Investiga o histórico familiar de transtornos de humor e uso de substâncias.
O exame físico ajuda a descartar outras condições médicas que possam mimetizar sintomas bipolares.
Avalia sinais vitais e outras condições de saúde associadas.
Observa-se a interação do paciente durante a consulta.
Manter rotina estável: Uma rotina regular pode ajudar a organizar os horários de sono e das atividades, favorecendo maior estabilidade no cuidado da bipolaridade.
Pretirar exercícios: A atividade física pode contribuir para o cuidado e para o bem-estar, sendo incluída entre as mudanças de estilo de vida que podem beneficiar pessoas com transtorno bipolar.
Evirar álcool e drogas: Evitar álcool e drogas pode ajudar a reduzir fatores que podem influenciar ou agravar os sintomas do transtorno bipolar.
Particular grupos de apoio: Grupos de apoio podem oferecer encorajamento, favorecer o compartilhamento de experiências e contribuir para o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento.
Uso de técnicas de relaxamento: Técnicas de relaxamento podem ser utilizadas como recurso de apoio ao bem-estar e ao manejo do estresse, embora não substituam os tratamentos específicos para a bipolaridade.
Terapia cognitivo-comportamental: A terapia cognitivo-comportamental pode ser utilizada como intervenção psicológica complementar no tratamento da bipolaridade e pode contribuir para a redução de sintomas depressivos.
Estabilizadores do humor: O lítio é um estabilizador do humor utilizado no tratamento da bipolaridade e pode ajudar a prevenir episódios ou reduzir sua gravidade.
Antipsicóticos: Antipsicóticos como quetiapina e olanzapina são utilizados no tratamento do transtorno bipolar, inclusive no manejo de episódios de mania.
Antidepressivos: Antidepressivos podem fazer parte do tratamento de episódios depressivos na bipolaridade, geralmente associados a um estabilizador do humor ou antipsicótico, conforme avaliação profissional.
Anticonvulsivantes (lamotrigina e ácido valpróico): Alguns anticonvulsivantes também são utilizados no tratamento da bipolaridade, podendo atuar como estabilizadores do humor ou integrar estratégias específicas de tratamento.
Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB) : oferece conteúdos educativos e apoio à família. Disponível aqui.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FAMILIARES, AMIGOS E PORTADORES DE TRANSTORNOS AFETIVOS (ABRATA): associação civil sem fins lucrativos, constituída por pessoas físicas e jurídicas dispostas a colaborar para informar e educar a sociedade sobre a natureza dos transtornos de humor. Disponível aqui.
Fontes:
SHITOMI-JONES, Lisa M. et al. Exploration of first onsets of mania, schizophrenia spectrum disorders and major depressive disorder in perimenopause. Nature Mental Health, v. 2, n. 10, p. 1161-1168, 2024.
Dollish HK, Tsyglakova M, McClung CA. Circadian rhythms and mood disorders: Time to see the light. Neuron. 2024 Jan 3;112(1):25-40.
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