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Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Entenda o que é o AVC, seus tipos, sinais e sintomas, causas, diagnóstico e opções de tratamento.

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é o AVC?

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido por um entupimento ou quando um vaso sanguíneo se rompe e provoca sangramento.

Como o cérebro precisa de sangue para receber oxigênio e nutrientes, a interrupção desse fluxo pode causar lesão e morte das células cerebrais.

Entendendo como a doença acontece:

O cérebro possui muitos vasos sanguíneos responsáveis por levar oxigênio e nutrientes às suas células. No AVC, podem acontecer duas situações principais:

1. Um vaso fica entupido: o sangue não consegue chegar a determinada região do cérebro, causando falta de oxigênio.

2. Um vaso se rompe: o sangue se espalha dentro ou ao redor do cérebro, causando uma hemorragia.

Quando as células cerebrais ficam sem oxigênio ou são atingidas pelo sangramento, elas podem deixar de funcionar rapidamente. Por isso, podem surgir alterações na fala, nos movimentos, na visão, no equilíbrio e até na consciência.

Número de pessoas afetadas

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2021 foram estimados 93,8 milhões de pessoas vivendo com AVC no mundo e 11,9 milhões de novos casos.

No Brasil, o Ministério da Saúde destaca o AVC entre as principais causas de morte, incapacidade e internações.

O AVC pode acontecer em homens e mulheres, mas o risco aumenta principalmente com o avanço da idade.


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Quem é mais afetado?

Existe maior preocupação em casos de:

Pressão alta: a pressão elevada por muito tempo pode danificar e sobrecarregar os vasos sanguíneos, aumentando a chance de obstrução ou rompimento.

Diabetes: a glicose alta por muito tempo pode lesar os vasos sanguíneos e favorecer alterações que aumentam o risco de AVC.

Colesterol elevado: níveis elevados de colesterol podem favorecer o acúmulo de placas nas artérias, estreitando os vasos e dificultando a passagem do sangue.

Doenças cardíacas, especialmente fibrilação atrial: algumas alterações do coração podem favorecer a formação de coágulos, que podem chegar ao cérebro e bloquear um vaso.

Histórico anterior de AVC ou ataque isquêmico transitório: quem já teve AVC ou AIT apresenta maior risco de ter um novo evento, por isso precisa de acompanhamento e controle dos fatores de risco.

Tipos de AVC

1. AVC Isquêmico

É o tipo mais comum. Acontece quando uma artéria que leva sangue ao cérebro fica obstruída por um coágulo ou outra alteração, impedindo a chegada de oxigênio às células cerebrais. O Ministério da Saúde estima que aproximadamente 85% dos AVCs sejam isquêmicos.

2. AVC hemorrágico

Acontece quando um vaso sanguíneo se rompe, provocando sangramento dentro do cérebro ou em regiões próximas a ele. É menos frequente que o AVC isquêmico, mas pode apresentar grande gravidade.

3. Ataque Isquêmico Transitório (AIT)

É semelhante ao AVC porque também ocorre uma interrupção temporária do fluxo sanguíneo cerebral e provoca sintomas neurológicos. A diferença é que os sintomas desaparecem e não permanece uma lesão cerebral permanente identificável como no AVC.

Mesmo assim, o AIT é um sinal de alerta importante e exige avaliação médica urgente, pois pode indicar risco aumentado de um AVC futuro.

Sinais e sintomas

Os sinais do AVC geralmente aparecem de forma súbita. Reconhecê-los rapidamente é fundamental. A seguir, os possíveis sinais e sintomas:

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Uma forma simples de reconhecer se alguém está tendo um AVC:

ROSTO: peça para a pessoa sorrir. Um lado da boca pode ficar torto.

BRAÇOS: peça para levantar os dois braços. Um deles pode não conseguir permanecer levantado.

FALA: peça para repetir uma frase simples. A fala pode estar enrolada ou incompreensível.

TEMPO: se houver qualquer um desses sinais, não espere melhorar. Procure atendimento imediatamente.

O que causa o AVC?

O AVC pode acontecer por diferentes alterações nos vasos sanguíneos ou no coração. A seguir, as principais causas e condições relacionadas ao surgimento da doença:

Um coágulo pode bloquear uma artéria.

Um vaso sanguíneo do cérebro se rompe

Pressão arterial muito elevada.

Doenças cardíacas, histórico familiar e idade.

O que pode aumentar o risco de AVC?

Pressão alta não controlada: é um dos principais fatores de risco.

Fumar: aumenta a lesão dos vasos e favorece a formação de coágulos.

Sedentarismo: contribui para hipertensão, diabetes, obesidade e alterações do colesterol.

Buscando um diagnóstico

Em uma situação de suspeita de AVC, não se deve esperar por uma consulta com especialista. A pessoa deve ser encaminhada imediatamente para um serviço de emergência preparado para atendimento de AVC.

O diagnóstico começa com a avaliação rápida dos sintomas e do estado neurológico. No atendimento de emergência, podem ser avaliados:

Pressão arterial: ajuda a identificar alterações importantes, que são frequentes no AVC e influenciam os cuidados durante o atendimento.

Frequência cardíaca: permite avaliar e identificar alterações que podem estar relacionadas ao AVC ou exigir atenção durante o atendimento.

Saturação de oxigênio: mostra quanto oxigênio está sendo transportado pelo sangue. Essa avaliação ajuda a identificar se a pessoa está recebendo oxigênio suficiente.

Temperatura: ajuda a identificar a presença de febre, que pode ocorrer durante o quadro e precisa ser acompanhada no atendimento.

Exames utilizados para o diagnóstico:

Tomografia computadorizada de crânio: realizado inicialmente para identificar sangramento.

Ressonância magnética do cérebro: pode identificar áreas de lesão cerebral.

Exames dos vasos sanguíneos: realizados para identificar obstruções ou alterações nas artérias.

Exames cardíacos: podem ser necessários para investigar alterações do coração que possam ter provocado o AVC.

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Controle do diabetes e do colesterol: ajuda a proteger os vasos sanguíneos e controlar fatores que podem aumentar o risco de um novo AVC.

Parar de fumar: reduz os danos aos vasos sanguíneos e contribui para diminuir o risco de novos problemas cardiovasculares.

Comparecer às consultas e à reabilitação: permite acompanhar a recuperação, ajustar o tratamento quando necessário e trabalhar para recuperar a maior independência possível.

Medidas não medicamentosas

Fisioterapia: ajuda a recuperar movimentos, força e equilíbrio, favorecendo a retomada da independência após o AVC.

Fonoaudiologia: auxilia na recuperação da fala, da comunicação e também de dificuldades para engolir que podem surgir após o AVC.

Terapia ocupacional: ajuda a pessoa a recuperar habilidades para realizar atividades do dia a dia, como se vestir, comer e tomar banho.

Tratamento medicamentoso

Trombectomia mecânica: remove, por meio de um procedimento, o coágulo que está bloqueando uma artéria cerebral, podendo restabelecer o fluxo de sangue para o cérebro.

Medicamentos antiagregantes plaquetários: ajudam a evitar que as plaquetas se juntem e formem novos coágulos, reduzindo o risco de novos eventos em situações indicadas.

Anticoagulantes: diminuem a formação de coágulos no sangue e podem ser indicados em situações específicas, como alguns casos relacionados à fibrilação atrial.

Onde buscar mais informações?

Sites Importantes

Ministério da Saúde – AVC: informações oficiais sobre o que é o AVC, tipos, sinais e sintomas, fatores de risco, prevenção, tratamento e reabilitação.

Linha de Cuidado do AVC no Adulto – Ministério da Saúde: apresenta orientações sobre o atendimento ao AVC desde a Atenção Primária até os serviços de urgência, além de uma seção específica para pacientes.

Livros/Documentos Orientativos

“Sou Paciente – Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Adulto” – Linha de Cuidado do Ministério da Saúde, com explicações sobre sinais de alerta, prevenção e reabilitação.

Fontes:

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 29, de 12 de dezembro de 2023. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 dez. 2023. bvsms.saude.gov.br

LIMA, Ana Carolina Maria Araújo Chagas Costa et al. Diagnósticos de enfermagem em pacientes com acidente vascular cerebral: revisão integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 69, n. 4, p. 785-792, 2016. DOI: 10.1590/0034-7167.2016690423i.

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