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Asma

Conheça os tipos de asma, os sinais e sintomas, os fatores que podem desencadear ou piorar a doença, o diagnóstico e o tratamento.

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é a asma?

A asma é uma doença em que os brônquios, responsáveis por levar o ar até os pulmões, permanecem inflamados e sensíveis. Essa inflamação torna as vias respiratórias mais estreitas, dificultando a passagem do ar, especialmente durante a expiração.


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Como a asma funciona no organismo?

Na asma, três processos acontecem ao mesmo tempo:

  1. Inflamação: a parede dos brônquios fica inchada e irritada.

  2. Broncoconstrição: os músculos ao redor se contraem, apertando ainda mais as vias aéreas.

  3. Produção de muco: há aumento de secreção que “atrapalha” a passagem do ar.


Mesmo quando a pessoa está sem sintomas, a inflamação não desaparece completamente.

Isso significa que a asma é uma doença contínua, e não apenas episódios isolados de falta de ar.

As vias aéreas da pessoa asmática reagem de forma “exagerada” a estímulos como poeira, ácaros, fumaça, ar frio, infecções respiratórias e cheiros fortes, o que pode aumentar rapidamente a inflamação e desencadear crises asmáticas.

Número de pessoas afetadas

A asma é uma doença respiratória crônica comum que afeta cerca de 10% da população brasileira. Ela pode surgir em qualquer idade, porém é mais frequente na infância.

Estima-se que aproximadamente 20% das crianças possam apresentar asma, enquanto entre os adultos a prevalência é menor, em torno de 5%.

Além disso, o controle de fatores que agravam a condição, como poeira e poluição, é fundamental para reduzir crises e melhorar a qualidade de vida das pessoas asmáticas.

Tipos de asma

1. Asma Alérgica

É o tipo mais comum e ocorre quando o sistema imunológico reage a substâncias como poeira, ácaros, pólen, mofo e pelos de animais. Geralmente está associada a outras alergias, como rinite, e pode começar ainda na infância.

2. Asma Não Alérgica

Não está relacionada diretamente a alergias. Nesse caso, as crises são desencadeadas por fatores como poluição, fumaça, infecções respiratórias, mudanças de temperatura ou odores fortes. É mais comum surgir na vida adulta.

3. Asma Ocupacional

Ocorre devido à exposição frequente a substâncias irritantes no ambiente de trabalho, como produtos químicos, poeiras industriais, gases ou vapores.

4. Asma Induzida por Exercício

É desencadeada durante ou após atividades físicas, especialmente em ambientes frios ou secos.

Sinais e sintomas

Os sintomas podem variar de intensidade ao longo do tempo, aparecendo de forma leve, moderada ou mais intensa, dependendo do controle da doença. Esses são alguns dos sinais e sintomas mais comuns:

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O que causa a asma?

A asma pode surgir a partir da combinação de fatores genéticos e ambientais, que tornam as vias respiratórias mais sensíveis. Além disso, existem situações e exposições do dia a dia que podem desencadear ou agravar os sintomas.

Alergias: Em pessoas sensibilizadas, os alérgenos podem desencadear sintomas e exacerbações da asma.

Poluição: A exposição à poluição do ar pode contribuir para o agravamento dos sintomas e aumentar o risco de exacerbações.

Irritantes (produtos químicos e fumaça): A exposição à fumaça e a substâncias químicas irritantes pode piorar o controle da asma e favorecer sintomas e exacerbações.

Fatores genéticos: A predisposição genética participa do desenvolvimento da asma em interação com fatores ambientais.

Infecções respiratórias: Infecções respiratórias, especialmente virais, podem desencadear ou agravar sintomas e exacerbações da asma.

O que faz piorar?

Ácaros e poeira: Ácaros e poeira podem atuar como alérgenos e desencadear sintomas em pessoas sensibilizadas.

Clima frio: O ar frio e as mudanças climáticas podem desencadear ou agravar sintomas da asma.

Falta de tratamento adequado: O controle inadequado da asma, incluindo tratamento insuficiente ou uso inadequado, está associado a maior risco de piora e exacerbações.

Estresse: O estresse emocional pode contribuir para o agravamento dos sintomas e para exacerbações em pessoas com asma.

Buscando um diagnóstico

O diagnóstico deve ser feito por médico pneumologista ou alergista e inclui:

História do paciente

O profissional conversa com o paciente para avaliar sintomas, frequência das crises, histórico familiar e possíveis desencadeantes.

Exame físico

Avaliação dos pulmões com estetoscópio para identificar chiado e sinais de dificuldade respiratória.

Exames laboratoriais

Hemograma completo: Avalia células do sangue, podendo indicar inflamação (eosinófilos elevados).

Dosagem de IgE (Imunoglobulina E): Mede anticorpos ligados a alergias, geralmente aumentados na asma alérgica.

Testes alérgicos (IgE específica ou teste cutâneo): Identificam substâncias que desencadeiam crises.

Gasometria arterial: Avalia os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue em casos mais graves.

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Manter uma alimentação saudável: A alimentação saudável integra as estratégias de cuidado não medicamentoso e de saúde geral consideradas no manejo da asma.

Evitar tabagismo e ambientes com fumaça: A exposição ao tabaco está associada a pior controle da asma e maior risco de exacerbações; evitar fumaça reduz essa exposição.

Controlar o estresse: O estresse emocional pode agravar os sintomas em algumas pessoas com asma, e estratégias para lidar com ele podem fazer parte do cuidado.

Praticar atividades físicas com orientação: A atividade física regular traz benefícios gerais à saúde e pode contribuir para melhora discreta do controle dos sintomas e da função pulmonar em algumas pessoas com asma.

Medidas não medicamentosas

Manter o ambiente limpo e livre de poeira: A redução da exposição a poeira, alérgenos e outros poluentes ambientais pode ajudar no controle da asma, especialmente quando há sensibilização.

Evitar contato com alérgenos: Em pessoas sensibilizadas, reduzir a exposição a alérgenos pode contribuir para diminuir a exposição a fatores que desencadeiam sintomas; a indicação depende da sensibilização individual.

Uso de filtros de ar, quando necessário: Filtros de ar podem reduzir a exposição a partículas finas, embora as evidências não mostrem efeito consistente sobre os desfechos da asma.

Tratamento medicamentoso

Corticoides inalatórios (controle da inflamação): Os corticoides inalatórios atuam sobre a inflamação das vias aéreas e fazem parte da base do tratamento controlador da asma.

Broncodilatadores (alívio rápido da falta de ar): Os broncodilatadores relaxam a musculatura das vias aéreas, contribuindo para aliviar rapidamente a obstrução e a falta de ar.

Medicamentos de uso contínuo para prevenir crises: Os medicamentos de controle contínuo têm como finalidade manter a doença controlada e reduzir o risco de exacerbações.

Onde buscar mais informações?

GINA – Global Initiative for Asthma: Guia global de manejo da asma, com atualizações anuais e orientações para profissionais e pacientes. Acesse aqui.

SBPT – Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia: Informações atualizadas sobre prevenção, diagnóstico e tratamentos da asma. Acesse aqui.

Podcast – Hospital Universitário da USP (Asma Grave): Conteúdo educativo voltado para o manejo da asma grave, especialmente em situações de emergência. O episódio explica, de forma didática, o passo a passo do atendimento durante uma crise asmática, incluindo uso de broncodilatadores, corticoides e suporte ventilatório. Acesse aqui.

Fontes:

Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes para o Manejo da Asma na Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.

Cruz, Áurea F. L. da et al. Panorama da asma no Brasil: prevalência, controle e acesso a tratamento. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 49, n. 1, p. 1–12, 2023. DOI: 10.36416/1806-3756/e20220215.

Ribeiro, M. et al. Impacto da educação em saúde na adesão ao tratamento da asma: revisão integrativa. Revista Ciência & Saúde, v. 15, n. 3, p. 45–52, 2022.

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