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Apneia do Sono

Conheça os tipos de apneia do sono, seus sinais e fatores de risco, como é feito o diagnóstico e quais medidas podem fazer parte do tratamento

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é a apneia do sono?

A apneia do sono é um distúrbio caracterizado por interrupções repetidas na respiração durante o sono.

Essas pausas na respiração podem durar de alguns segundos a minutos e ocorrem diversas vezes durante a noite, afetando a qualidade do sono e levando a um sono fragmentado e não reparador, além de poder levar a complicações cardiovasculares e metabólicas.


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Muitas pessoas acham que a apneia do sono se resume a roncar alto, mas o verdadeiro problema são as pausas na respiração, que podem ocorrer dezenas ou até centenas de vezes por noite, reduzindo a oxigenação do sangue.

Algumas pessoas podem ser “roncadoras” durante a noite, no entanto, não apresentam apneia do sono, ou seja, a queda no oxigênio.


Número de pessoas afetadas

Trata-se de uma das doenças respiratórias mais comuns no mundo, com prevalência crescente devido ao aumento da obesidade e do envelhecimento populacional.

Cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo sofrem de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS).

Estudos indicam que cerca de 30% dos adultos podem ter apneia do sono, mas a maioria dos casos não é diagnosticada.


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A obesidade é o maior fator de risco para apneia do sono. 70% dos pacientes com apneia moderada a grave apresentam sobrepeso ou obesidade.

O risco aumenta conforme o Índice de Massa Corporal (IMC) sobe, pois o acúmulo de gordura na região do pescoço e abdômen pode dificultar a passagem do ar durante o sono.


Tipos de apneia do sono

1. Apneia Obstrutiva do Sono

Este tipo acontece quando os músculos da garganta relaxam demais durante o sono, bloqueando parcial ou completamente as vias aéreas. Isso faz com que a pessoa tenha pausas na respiração e ronque alto. É a forma mais comum de apneia do sono e pode fazer com que a pessoa acorde várias vezes durante a noite, levando à fadiga diurna.

2. Apneia Central do Sono

Este tipo ocorre quando o cérebro falha em enviar os sinais corretos aos músculos responsáveis pela respiração durante o sono. Ao contrário da apneia obstrutiva, não há bloqueio físico das vias aéreas. Pode estar relacionada a certas condições médicas como insuficiência cardíaca ou acidentes vasculares cerebrais.

3. Apneia Mista do Sono

A apneia mista é uma combinação de apneia obstrutiva e central. Inicialmente, pode começar como apneia central, mas termina com a obstrução das vias aéreas. Este tipo de apneia é frequentemente detectado durante estudos do sono, quando são observados padrões de ambas as formas de apneia.

Sinais e sintomas

Muitas pessoas não estão cientes dos sintomas da apneia do sono e isso pode levar até mesmo a um atraso no diagnóstico. Aqui estão alguns sinais e sintomas comuns da apneia do sono

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A Apneia do Sono Aumenta o Risco para outras Condições:

Há um risco aumentado de doenças cardiovasculares, uma vez que a apneia está fortemente associada a hipertensão, arritmias, infarto e AVC. Isso ocorre porque a falta de oxigênio repetitiva sobrecarrega o coração e os vasos sanguíneos.

O que causa a apneia do sono?

A apneia do sono é uma condição que tem uma série de causas e fatores de riscos. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:

Obstrução aérea: A obstrução das vias aéreas superiores durante o sono pode impedir ou reduzir a passagem do ar, contribuindo para episódios de apneia obstrutiva.

Peso excessivo: O excesso de tecido adiposo, especialmente na região do pescoço, pode estreitar as vias aéreas e dificultar sua manutenção aberta durante o sono. O próprio material também relaciona o aumento do IMC ao acúmulo de gordura no pescoço e abdômen e à dificuldade de passagem do ar.

Genética familiar: A história familiar pode aumentar o risco de apneia do sono, pois características hereditárias podem influenciar o formato do crânio, da face e das vias aéreas superiores.

Consumo de álcool e sedativos: O álcool pode relaxar os músculos da boca e da garganta, favorecendo o fechamento das vias aéreas. Sedativos também podem dificultar a manutenção das vias aéreas abertas durante o sono.

Fatores anatômicos: Características estruturais da cabeça, do pescoço, da língua e das vias aéreas podem estreitar a passagem do ar e aumentar a predisposição à apneia obstrutiva.

Amígdalas inchadas: Amígdalas aumentadas podem estreitar as vias aéreas superiores e favorecer sua obstrução durante o sono.

Fumo: O tabagismo pode aumentar o risco de apneia do sono porque provoca inflamação nas vias aéreas superiores, afetando a respiração.

Idade: Mais comum em adultos acima de 40 anos: O risco de apneia do sono aumenta com o envelhecimento, entre outros fatores porque mudanças relacionadas à idade podem favorecer alterações nas estruturas das vias aéreas.

Congestão nasal: A congestão nasal pode dificultar a passagem do ar e está associada a maior risco ou agravamento da apneia obstrutiva do sono.

Buscando um diagnóstico

É importante procurar um clínico geral que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.

História clínica

Investiga os sintomas da apneia do sono, como sonolência diurna excessiva, ronco alto, pausas na respiração durante o sono e dificuldades de concentração. .

Exames complementares

A polissonografia é o exame padrão-ouro para diagnóstico da apneia do sono. Monitoriza padrões respiratórios e outras funções fisiológicas durante o sono.

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Perder peso: A redução do excesso de peso pode ajudar a diminuir a obstrução das vias aéreas relacionada ao acúmulo de gordura, especialmente na região do pescoço.

Evitar o consumo de álcool e medicamentos sedativos: Álcool e sedativos podem favorecer o relaxamento das estruturas das vias aéreas e contribuir para a ocorrência ou agravamento das pausas respiratórias durante o sono.

Dormir de lado, em vez de costas: Dormir de lado pode ajudar a manter as vias aéreas mais abertas durante o sono e reduzir o colapso das vias aéreas superiores.

Medidas não medicamentosas

Usar um dispositivo de pressão positiva contínua nas vias aéreas: A pressão positiva mantém as vias aéreas abertas durante o sono, reduzindo os episódios de obstrução e as pausas respiratórias.

Aparelhos orais projetados para manter a mandíbula em posição avançada: Esses aparelhos mantêm a mandíbula em uma posição que ajuda a evitar que ela se desloque para trás e bloqueie as vias aéreas superiores durante o sono.

Não há medicamentos específicos aprovados exclusivamente para tratar a apneia do sono.

Dispositivos CPAP e BiPAP

Ambos são siglas de termos em inglês, que significam “Continuous Positive Airway Pressure” (pressão positiva contínua em vias aéreas) e “Bilevel Positive Airway Pressure” (pressão positiva em dois níveis nas vias aéreas), respectivamente.

O CPAP funciona fornecendo um fluxo de ar contínuo e pressurizado através de uma máscara que o paciente usa durante a noite. Esse fluxo de ar mantém as vias aéreas superiores abertas, evitando obstruções que podem causar pausas na respiração.

Com isso, o CPAP ajuda a melhorar a qualidade do sono, reduzindo os episódios de apneia e, por conseguinte, os períodos de hipóxia (queda do oxigênio).

Já o BiPAP funciona com dois níveis de pressão: uma mais forte quando a pessoa inspira e uma mais suave na hora de expirar, facilitando ainda mais a respiração.

Onde buscar mais informações?

Sites importantes

Associação Brasileira do Sono (ABS): reúne informações, conteúdos científicos, publicações, eventos e materiais educativos relacionados ao sono.

Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT): apresenta informações sobre doenças respiratórias, incluindo a apneia do sono.

American Academy of Sleep Medicine (AASM): disponibiliza materiais educativos sobre sono e distúrbios do sono, incluindo informações sobre apneia obstrutiva, diagnóstico, tratamentos com e sem PAP e testes do sono.

Livros/Documentos Orientativos

“Headspace: Guia para Dormir Melhor”: material voltado a informações e orientações relacionadas à qualidade do sono.

“Apneia do Sono: Como Dormir Melhor e Viver com Mais Energia” – Dr. Alexandre Miranda: livro dedicado à apneia do sono e às formas de compreender e lidar com a condição.

Fontes:

PEPPARD, Paul E.; YOUNG, Terry. The impact of untreated sleep apnea on cardiovascular disease. Sleep Medicine Reviews, v. 52, p. 101-115, 2020.

VRIES, Gert E. et al. Obstructive sleep apnea and metabolic syndrome: pathophysiological mechanisms and treatment perspectives. European Respiratory Review, v. 30, n. 160, p. 1-14, 2021.

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