A alopecia areata é uma condição dermatológica de origem autoimune bastante comum, caracterizada pela perda de cabelo em áreas bem delimitadas, geralmente formando manchas circulares ou ovais no couro cabeludo ou em outras partes do corpo onde há presença de pelos.
Em doenças autoimunes, o sistema imunológico passa a identificar erroneamente tecidos saudáveis como uma ameaça, atacando-os.
Nesse sentido, na alopecia areata o sistema imunológico erroneamente ataca os folículos pilosos , que são as estruturas de onde os fios de cabelo crescem.

O termo "alopecia" refere-se à queda de cabelo, enquanto "areata" indica que essa perda ocorre de forma irregular. A alopecia areata pode surgir de forma repentina e, em alguns casos, o cabelo pode voltar a crescer espontaneamente.
Essa condição é relativamente comum e pode afetar pessoas de todas as idades, gêneros e origens.
Estudos indicam que a doença tende a ser mais frequente em mulheres do que em homens e que sua incidência pode variar entre diferentes grupos raciais e étnicos. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos apontam uma maior prevalência entre asiáticos, negros e hispânicos quando comparados à população branca.
Embora possa surgir em qualquer fase da vida, a maioria das pessoas desenvolve a condição ainda na juventude.
É estimado que cerca de 2% da população mundial possa desenvolver alopecia areata ao longo da vida.

A doença pode afetar o couro cabeludo, o rosto e, em alguns casos, outras áreas do corpo, como axilas e pernas.
Nesse caso, há várias áreas pequenas de queda de cabelo espalhadas pelo couro cabeludo ou pelo corpo, normalmente arredondadas ou ovais. Algumas podem se unir e formar falhas maiores.

Aqui, há perda completa de todo o cabelo do couro cabeludo, deixando a cabeça completamente careca. Em alguns casos, o cabelo pode crescer novamente, mas pode levar tempo.
Esse é o tipo mais severo, onde há perda de todos os pelos do corpo, incluindo sobrancelhas, cílios, pelos do rosto e corpo. O crescimento pode ser mais difícil de ocorrer.
Provoca um afinamento repentino e inesperado dos fios em todo o couro cabeludo. Seu diagnóstico pode ser desafiador, pois pode ser confundido com outras condições, como eflúvio telógeno ou calvície de padrão masculino ou feminino.

A Alopecia Areata pode levar a várias alterações físicas e emocionais. A seguir os principais sinais e sintomas:

Os sintomas podem variar em gravidade, e o cabelo perdido pode, em alguns casos, crescer novamente de forma espontânea. Após a avaliação dermatológica, podem ser discutidos tratamentos para estimular o crescimento capilar.
A causa exata da alopécia areata não é totalmente compreendida, mas fatores genéticos e ambientais podem contribuir para seu desenvolvimento. Abaixo, seguem as possíveis causas desta condição:
Reação autoimune: O sistema imunológico passa a reconhecer erroneamente os folículos pilosos como uma ameaça e os ataca.
Fatores Genéticos: Alterações genéticas podem aumentar a predisposição para a alopecia areata, especialmente por genes relacionados ao funcionamento do sistema imunológico.
Infecções: Infecções, especialmente algumas de origem viral, são descritas na literatura como possíveis fatores ambientais envolvidos no desenvolvimento da alopecia areata.
O que faz piorar?
Estresse Emocional: O estresse pode estar associado ao surgimento ou à piora dos episódios de queda em algumas pessoas, embora não seja considerado uma causa isolada da alopecia areata.
Doenças autoimunes ou infecciosas: A alopecia areata apresenta associação com outras doenças autoimunes. Já a relação entre infecções e piora da condição é menos estabelecida.
Falta de Tratamento: A relação apresentada no PDF entre falta de tratamento e piora da alopecia areata não pôde ser confirmada de forma geral nas fontes consultadas.

A alopecia areata é uma condição de origem complexa. Os cientistas sabem que se trata de uma doença autoimune, mas ainda não compreendem completamente por que o sistema imunológico ataca os folículos capilares saudáveis em pessoas com predisposição genética.
Outro aspecto que ainda não está totalmente esclarecido é o que desencadeia a condição. Os pesquisadores sabem que há um fator genético envolvido, o que torna algumas pessoas mais propensas à doença, mas não está claro qual é o fator inicial que ativa o problema.
Aproximadamente 20% dos indivíduos com a doença possuem um familiar próximo que também foi diagnosticado com alopecia areata. Além disso, o risco de desenvolvê-la aumenta se houver um parente próximo afetado, especialmente se a perda de cabelo ocorreu antes dos 30 anos.
Assim, as possíveis causas podem estar relacionadas a agentes internos, como infecções por vírus ou bactérias, fatores ambientais externos ou uma interação entre ambos. Muitos especialistas acreditam que essa última hipótese, envolvendo múltiplos fatores, seja a mais provável.
É importante procurar um dermatologista que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.
A história clínica busca compreender a ação e padrão da queda de cabelo.
Recolhe informações sobre estresse recente e histórico familiarde alopecia ou outras doenças autoimunes.
Pergunta sobre mudanças nos cuidados capilares ou uso de novos produtos.
Testes de sangue podem ser realizados para identificar outras doenças autoimunes.
Uma biópsia do couro cabeludo pode ser feita para descartar outras condições.
Exames hormonais ajudam a entender possíveis desequilíbrios que contribuem para a condição.
Dieta equilibrada Uma alimentação equilibrada contribui para a saúde geral e dos cabelos, mas a eficácia de mudanças alimentares específicas para a alopecia areata ainda não está bem estabelecida.
Evitar o uso de produtos químicos Evitar produtos químicos agressivos ajuda a reduzir danos e irritações no couro cabeludo e nos fios.
Gerenciar o stress Aprender a controlar o estresse pode ajudar a reduzir ciclos de queda em algumas pessoas e também contribui para o bem-estar emocional.
Usar perucas ou lenços Perucas e lenços podem ajudar a cobrir as áreas de perda de cabelo, funcionando como uma forma de lidar visualmente com a queda.
Terapias de suporte emocional O suporte emocional pode ajudar pessoas que enfrentam sentimentos de solidão, tristeza, ansiedade ou outros impactos emocionais relacionados à perda de cabelo.
Cuidados suaves com o couro cabeludo Cuidados delicados ajudam a evitar irritações e agressões desnecessárias ao couro cabeludo e aos fios.
Corticoides tópicos ou injetáveis Os corticoides reduzem a inflamação e a atividade imunológica que participa da agressão aos folículos pilosos, podendo favorecer o crescimento dos fios.
Minoxidil O minoxidil pode estimular o crescimento dos fios e ajudar a manter o cabelo que voltou a crescer.
Inibidores de Janus Quinase Esses medicamentos atuam sobre vias de sinalização do sistema imunológico hiperativo, podendo permitir o crescimento dos fios em pessoas com alopecia areata.
Imunossupressores Os imunossupressores reduzem a atividade do sistema imunológico e podem ser utilizados para tentar controlar a resposta que participa da queda de cabelo.
Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD): reúne informações para o público sobre alopecia areata, seus sinais, causas e diagnóstico.
Alopecia Areata Brasil (Grupo de Apoio): espaço voltado para pessoas com alopecia areata e seus familiares, com foco em acolhimento.
National Alopecia Areata Foundation (NAAF): organização dedicada à alopecia areata que oferece materiais educativos
SBDcast: episódio da Sociedade Brasileira de Dermatologia dedicado à condição, com participação de dermatologista.
mySELFie: documentário de 2019 que acompanha Maya, uma adolescente diagnosticada com alopecia areata aos 12 anos, explorando sua relação com a própria aparência, autoestima e percepção social.
Bem-Estar: Entenda o que é alopecia areata universal: conteúdo do programa Bem-Estar que apresenta a experiência de uma pessoa com alopecia areata universal e explica características da condição.
Fontes:
GHAZAL, Peter S.; LAMBERT, Jonathan L. Advances in the treatment of alopecia areata: from conventional therapies to JAK inhibitors. Journal of Dermatological Science, v. 102, n. 3, p. 34-45, 2021.
National Alopecia Areata Foundation. Alopecia Areata Types. 2025.
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