A alergia alimentar acontece quando o corpo reage de forma exagerada a alguns alimentos. Mesmo sendo algo comum, o organismo entende esse alimento como se fosse um perigo.
Quando a pessoa consome esse alimento, o corpo libera substâncias que causam os sintomas da alergia, como coceira, inchaço ou mal-estar. Esses sinais podem aparecer rápido e variar de leves até mais graves.
Diferente da intolerância alimentar, a alergia envolve o sistema de defesa do corpo e pode afetar várias partes, como a pele, a respiração e o estômago. Por isso, é importante ter cuidado e acompanhamento de um profissional de saúde.
A alergia alimentar afeta milhões de pessoas no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que cerca de 220 milhões de pessoas tenham algum tipo de alergia alimentar globalmente.
Entre adultos: → Aproximadamente 3% a 4% da população possui algum tipo de alergia alimentar.
Entre as crianças: → Cerca de 6% a 8% das crianças menores de 3 anos apresentam alergia alimentar.
Nos últimos anos, houve um aumento significativo dos casos, principalmente em áreas urbanas, possivelmente relacionado a mudanças no estilo de vida, alimentação e fatores ambientais.
É o tipo mais comum e também o mais perigoso.
O organismo produz anticorpos (células de defesa) chamados IgE;
A reação ocorre rapidamente, levando alguns minutos ou até 2 horas após ingerir o alimento.
Pode afetar pele, sistema respiratório e digestivo.
É mais difícil de identificar porque os sintomas demoram a aparecer.
Não envolve anticorpos IgE;
Reação ocorre horas ou até dias depois.
Afeta principalmente o sistema gastrointestinal.
Apresenta características dos dois tipos.
Pode ter sintomas imediatos e tardios.
Envolve pele e sistema digestivo.

A IgE é uma substância de defesa do nosso corpo. Em pessoas com alergia, ela “se engana” e acha que certos alimentos são perigosos.
Quando a pessoa come certo alimento, a IgE faz o corpo reagir rapidamente, liberando substâncias que causam os sintomas. Em casos mais graves, pode causar uma reação forte chamada anafilaxia que pode colocar a vida em risco.
A maioria das alergias alimentares é provocada por um grupo específico de alimentos conhecidos como “os 8 vilões”. Eles são responsáveis pela maior parte das reações alérgicas, principalmente em crianças.
Leite: Muito comum em crianças, presente em diversos produtos industrializados.
Ovo: Encontrado em massas, bolos e alimentos processados.
Amendoim: Causa reações graves mesmo em pequenas quantidades.
Peixes.
Castanhas: nozes, amêndoas, castanha-do-pará, entre outros.
Soja: Bastante usada em alimentos industrializados.
Trigo: Presente em pães, massas e biscoitos.
Frutos do mar: camarão, lagosta, caranguejo, entre outros.
Outros alimentos, como o chocolate, também podem causar reações, geralmente por conter leite, soja ou traços de outros alergênicos.
Dependendo do tipo de alergia e da pessoa, os sintomas podem variar. Por exemplo:


A alergia alimentar é uma reação do corpo a determinados alimentos. Algumas coisas podem influenciar essa reação, como por exemplo...
Histórico familiar: Pessoas com pais ou familiares alérgicos têm maior chance de desenvolver alergias.
Introdução alimentar precoce ou inadequada: oferecer certos alimentos antes do momento recomendado ou de forma inadequada pode favorecer reações adversas, especialmente em crianças predispostas a alergias alimentares.
Alterações no sistema imunológico: Na alergia, o sistema de defesa reage ao alimento como se ele representasse um perigo, desencadeando os sintomas.
Fatores ambientais: Poluição, estilo de vida e mudanças na alimentação. Eles são estudados por sua possível influência no desenvolvimento e na gravidade da alergia alimentar; essa relação não define uma causa única para cada pessoa.
O que faz piorar?
Consumo repetido do alimento alergênico: Pode intensificar as reações ao longo do tempo.
Falta de diagnóstico: Dificulta evitar o alimento e aumenta o risco de novas crises.
Exposição acidental: Ingestão sem perceber (em alimentos industrializados, por exemplo) pode desencadear reações.
É importante procurar um médico, como clínico geral ou alergista.
O médico investiga quais alimentos causam os sintomas, quanto tempo eles demoram para aparecer, a frequência das reações e se há histórico de alergias na família. Essas informações ajudam a identificar o alimento suspeito.
O profissional observa sinais como manchas na pele, inchaço, dificuldade para respirar e o estado geral do paciente. Em muitos casos, fora da crise, o exame pode estar normal.
Os principais exames solicitados na rotina são:
IgE específica no sangue É um exame de sangue que identifica se o organismo reage a alimentos específicos. Quanto maior o valor, maior a chance de alergia.
Teste cutâneo (prick test) Pequenas gotas com substâncias dos alimentos são colocadas na pele. Se aparecer vermelhidão ou inchaço, pode indicar alergia.

IgE total Mede a quantidade geral de IgE no organismo. Indica se a pessoa tem tendência alérgica, mas não identifica o alimento específico.
Evitar o alimento que lhe causa alergia: Evitar o alimento identificado como responsável pela alergia reduz a exposição que desencadeia as reações.
Ler rótulos dos alimentos: A leitura dos ingredientes ajuda a identificar se o produto contém o alimento ao qual a pessoa é alérgica.
Ter cuidado com contaminação cruzada: O alimento alergênico pode entrar em contato com outro alimento por superfícies ou utensílios compartilhados, provocando exposição não intencional.
Educação alimentar: Ajuda a reconhecer alimentos e ingredientes envolvidos na alergia e a fazer escolhas alimentares compatíveis com os cuidados necessários.
Acompanhamento com profissionais de saúde: Permite esclarecer o diagnóstico e receber orientação sobre como manejar a alergia e suas reações.
Uso de Antialérgicos: Os anti-histamínicos ajudam a aliviar reações alérgicas leves.
Uso de adrenalina em casos graves: A adrenalina é o tratamento de primeira escolha para a anafilaxia, uma reação alérgica grave que exige atendimento de emergência.
Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI): informações sobre alergias alimentares, diagnóstico e tratamento, com conteúdo educativo atualizado. Acesse aqui: ASBAI.
Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI): informações sobre alergias, incluindo as alimentares, e dicas sobre prevenção e manejo da condição. Acesse aqui: SBI.
“Guia de Alergias Alimentares”, por Dra. Denise de Almeida, guia prático que explica as alergias alimentares e como adaptá-las na alimentação do dia a dia.
Fontes:
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Petersen, B. J.; Chen, Y.; Williams, K. M. et al. Undeclared allergenic ingredients in food products. Journal of Food Protection, v. 81, n. 7, p. 1191-1198, 2018.
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Simon, R. A.; Muller, B. A. Common allergic food reactions. Primary Care: Clinics in Office Practice, v. 45, n. 4, p. 679-691, 2018.
Turner, P. J.; Goggins, B. J.; Grimshaw, K. E. C. et al. Age-specific incidence of food allergy and anaphylaxis: systematic review and meta-analysis. Pediatric Allergy and Immunology, v. 32, n. 2, p. 195-204, 2021.
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