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Alergia Alimentar

Conheça os tipos de alergia alimentar, os sinais e sintomas, os alimentos envolvidos e os cuidados no diagnóstico e no tratamento.

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6
Material em PDF

O que é alergia alimentar?

A alergia alimentar acontece quando o corpo reage de forma exagerada a alguns alimentos. Mesmo sendo algo comum, o organismo entende esse alimento como se fosse um perigo.

Quando a pessoa consome esse alimento, o corpo libera substâncias que causam os sintomas da alergia, como coceira, inchaço ou mal-estar. Esses sinais podem aparecer rápido e variar de leves até mais graves.

Diferente da intolerância alimentar, a alergia envolve o sistema de defesa do corpo e pode afetar várias partes, como a pele, a respiração e o estômago. Por isso, é importante ter cuidado e acompanhamento de um profissional de saúde.

Número de pessoas afetadas

A alergia alimentar afeta milhões de pessoas no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que cerca de 220 milhões de pessoas tenham algum tipo de alergia alimentar globalmente.

Entre adultos: → Aproximadamente 3% a 4% da população possui algum tipo de alergia alimentar.

Entre as crianças: → Cerca de 6% a 8% das crianças menores de 3 anos apresentam alergia alimentar.

Nos últimos anos, houve um aumento significativo dos casos, principalmente em áreas urbanas, possivelmente relacionado a mudanças no estilo de vida, alimentação e fatores ambientais.

Tipos de alergia alimentar

1. Alergia mediada por IgE (imediata)

É o tipo mais comum e também o mais perigoso.

O organismo produz anticorpos (células de defesa) chamados IgE;

A reação ocorre rapidamente, levando alguns minutos ou até 2 horas após ingerir o alimento.

Pode afetar pele, sistema respiratório e digestivo.

2. Alergia não mediada por IgE (tardia)

É mais difícil de identificar porque os sintomas demoram a aparecer.

Não envolve anticorpos IgE;

Reação ocorre horas ou até dias depois.

Afeta principalmente o sistema gastrointestinal.

3. Alergia mista (IgE + não IgE)

Apresenta características dos dois tipos.

Pode ter sintomas imediatos e tardios.

Envolve pele e sistema digestivo.


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A IgE é uma substância de defesa do nosso corpo. Em pessoas com alergia, ela “se engana” e acha que certos alimentos são perigosos.

Quando a pessoa come certo alimento, a IgE faz o corpo reagir rapidamente, liberando substâncias que causam os sintomas. Em casos mais graves, pode causar uma reação forte chamada anafilaxia que pode colocar a vida em risco.


Os 8 vilões

A maioria das alergias alimentares é provocada por um grupo específico de alimentos conhecidos como “os 8 vilões”. Eles são responsáveis pela maior parte das reações alérgicas, principalmente em crianças.

Leite: Muito comum em crianças, presente em diversos produtos industrializados.

Ovo: Encontrado em massas, bolos e alimentos processados.

Amendoim: Causa reações graves mesmo em pequenas quantidades.

Peixes.

Castanhas: nozes, amêndoas, castanha-do-pará, entre outros.

Soja: Bastante usada em alimentos industrializados.

Trigo: Presente em pães, massas e biscoitos.

Frutos do mar: camarão, lagosta, caranguejo, entre outros.

Outros alimentos, como o chocolate, também podem causar reações, geralmente por conter leite, soja ou traços de outros alergênicos.

Sinais e sintomas

Dependendo do tipo de alergia e da pessoa, os sintomas podem variar. Por exemplo:

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O que causa a alergia alimentar?

A alergia alimentar é uma reação do corpo a determinados alimentos. Algumas coisas podem influenciar essa reação, como por exemplo...

Histórico familiar: Pessoas com pais ou familiares alérgicos têm maior chance de desenvolver alergias.

Introdução alimentar precoce ou inadequada: oferecer certos alimentos antes do momento recomendado ou de forma inadequada pode favorecer reações adversas, especialmente em crianças predispostas a alergias alimentares.

Alterações no sistema imunológico: Na alergia, o sistema de defesa reage ao alimento como se ele representasse um perigo, desencadeando os sintomas.

Fatores ambientais: Poluição, estilo de vida e mudanças na alimentação. Eles são estudados por sua possível influência no desenvolvimento e na gravidade da alergia alimentar; essa relação não define uma causa única para cada pessoa.

O que faz piorar?

Consumo repetido do alimento alergênico: Pode intensificar as reações ao longo do tempo.

Falta de diagnóstico: Dificulta evitar o alimento e aumenta o risco de novas crises.

Exposição acidental: Ingestão sem perceber (em alimentos industrializados, por exemplo) pode desencadear reações.

Buscando um diagnóstico

É importante procurar um médico, como clínico geral ou alergista.

História do paciente

O médico investiga quais alimentos causam os sintomas, quanto tempo eles demoram para aparecer, a frequência das reações e se há histórico de alergias na família. Essas informações ajudam a identificar o alimento suspeito.

Exame físico

O profissional observa sinais como manchas na pele, inchaço, dificuldade para respirar e o estado geral do paciente. Em muitos casos, fora da crise, o exame pode estar normal.

Exames laboratoriais

Os principais exames solicitados na rotina são:

IgE específica no sangue É um exame de sangue que identifica se o organismo reage a alimentos específicos. Quanto maior o valor, maior a chance de alergia.

Teste cutâneo (prick test) Pequenas gotas com substâncias dos alimentos são colocadas na pele. Se aparecer vermelhidão ou inchaço, pode indicar alergia.

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IgE total Mede a quantidade geral de IgE no organismo. Indica se a pessoa tem tendência alérgica, mas não identifica o alimento específico.

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Evitar o alimento que lhe causa alergia: Evitar o alimento identificado como responsável pela alergia reduz a exposição que desencadeia as reações.

Ler rótulos dos alimentos: A leitura dos ingredientes ajuda a identificar se o produto contém o alimento ao qual a pessoa é alérgica.

Ter cuidado com contaminação cruzada: O alimento alergênico pode entrar em contato com outro alimento por superfícies ou utensílios compartilhados, provocando exposição não intencional.

Medidas não medicamentosas

Educação alimentar: Ajuda a reconhecer alimentos e ingredientes envolvidos na alergia e a fazer escolhas alimentares compatíveis com os cuidados necessários.

Acompanhamento com profissionais de saúde: Permite esclarecer o diagnóstico e receber orientação sobre como manejar a alergia e suas reações.

Tratamento medicamentoso

Uso de Antialérgicos: Os anti-histamínicos ajudam a aliviar reações alérgicas leves.

Uso de adrenalina em casos graves: A adrenalina é o tratamento de primeira escolha para a anafilaxia, uma reação alérgica grave que exige atendimento de emergência.

Onde buscar mais informações?

Sites importantes

Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI): informações sobre alergias alimentares, diagnóstico e tratamento, com conteúdo educativo atualizado. Acesse aqui: ASBAI.

Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI): informações sobre alergias, incluindo as alimentares, e dicas sobre prevenção e manejo da condição. Acesse aqui: SBI.

Livros/Documentos Orientativos/Podcasts

“Guia de Alergias Alimentares”, por Dra. Denise de Almeida, guia prático que explica as alergias alimentares e como adaptá-las na alimentação do dia a dia.

Fontes:

Jones, S. M.; Fleischer, D. M.; Fernandez-Rivera, M. et al. Risk of allergic reactions to foods consumed in restaurants and food establishments: a systematic review and meta-analysis. Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, v. 9, n. 7, p. 2559-2571.e5, 2021.

Petersen, B. J.; Chen, Y.; Williams, K. M. et al. Undeclared allergenic ingredients in food products. Journal of Food Protection, v. 81, n. 7, p. 1191-1198, 2018.

He, T.; Pritchard, N.; Kilcast, D. et al. A review of the characteristics of dairy products in relation to their influence on the gastric emptying rate and the potential impact on appetite regulation. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 53, n. 12, p. 1308-1316, 2013.

Simon, R. A.; Muller, B. A. Common allergic food reactions. Primary Care: Clinics in Office Practice, v. 45, n. 4, p. 679-691, 2018.

Turner, P. J.; Goggins, B. J.; Grimshaw, K. E. C. et al. Age-specific incidence of food allergy and anaphylaxis: systematic review and meta-analysis. Pediatric Allergy and Immunology, v. 32, n. 2, p. 195-204, 2021.

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