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Acalásia

Entenda o que é a acalásia, seus tipos, sintomas, causas, diagnóstico e opções de tratamento apresentadas neste guia.

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é a Acalásia?

A acalásia é um distúrbio raro que afeta o esôfago, ou seja, o tubo muscular que transporta alimentos da boca para o estômago.

Esta condição é caracterizada pela incapacidade do Esfíncter Esofágico Inferior (EEI) de relaxar adequadamente durante a deglutição, em conjunto com a falta de movimentos peristálticos normais no corpo do esôfago.

Ou seja, essa doença ocorre quando os músculos do esfincter do esôfago não conseguem relaxar corretamente, dificultando a ingestão dos alimentos e líquidos, os quais têm dificuldade para passar para o estômago, causando sintomas como disfagia (dificuldade para engolir), regurgitação de alimentos não digeridos, dor no peito, perda de peso e, ocasionalmente, tosse ou aspiração.

Número de Pessoas Afetadas

A acalásia é uma doença rara, cuja incidência exata é difícil de determinar devido à subnotificação e à sua baixa frequência.

Conforme um estudo publicado no "Journal of Gastroenterology and Hepatology", a incidência global da acalásia é estimada entre 1 a 2 casos a 100 mil anualmente.

No Brasil seja de aproximadamente de 1 a 2 pessoas a cada 100 mil por ano.


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A população de risco para desenvolver a condição é:

Adultos entre 30 e 60 anos;

Histórico familiar da doença.


Classificações da Acalásia

1. Acalasia Clássica

Na acalasia clássica, o esôfago possui pouca ou nenhuma atividade muscular, tornando difícil ou impossível empurrar os alimentos em direção ao estômago, associado a uma dificuldade de relaxamento do esfíncter na parte de baixo do esôfago.

2. Acalasia com Espasmos

Nesse caso, ocorrem contrações musculares irregulares e dolorosas no esôfago, o que causa dores no peito, além da dificuldade de engolir. É menos frequente, mas pode ser confundido com problemas cardíacos.

3. Acalasia com Dilatação Grave

Aqui, o esôfago fica muito dilatado devido ao acúmulo de alimentos e líquidos, já que não consegue empurrar o conteúdo para o estômago. Isso pode causar desconforto maior à pessoa, regurgitação e perda de peso.

4. Acalasia Avançada

A condição não é tratada por muito tempo. O esôfago fica extremamente dilatado ou desenvolver complicações, como inflamação crônica e risco aumentado de câncer esofágico.


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A acalasia chagásica é uma das formas secundárias da acalasia e ocorre devido à infecção pelo Trypanosoma cruzi, agente causador da Doença de Chagas.

O parasita provoca a destruição progressiva dos neurônios do plexo mioentérico, responsáveis pelo controle da motilidade do esôfago. Isso leva ao não relaxamento do esfíncter esofágico inferior.


Sinais e Sintomas

Nos estágios iniciais, a acalásia pode não apresentar sintomas notáveis, mas à medida que a condição progride, os sintomas podem se tornar mais pronunciados. A seguir os principais:

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O que causa a Acalásia?

A acalasia acontece quando os nervos que controlam os movimentos do esôfago sofrem danos, dificultando a passagem dos alimentos e líquidos para o estômago. A seguir as causas:

Danos aos nervos: Lesões nos nervos que controlam o esôfago prejudicam a coordenação muscular necessária para levar o alimento ao estômago.

Incapacidade do esfíncter de relaxar: O esfíncter inferior do esôfago não relaxa adequadamente, dificultando a passagem do alimento para o estômago.

Alteração dos movimentos do esôfago: As contrações do esôfago ficam alteradas e descoordenadas, dificultando o transporte dos alimentos até o estômago.

O que faz piorar?

Estado de Estresse ou Ansiedade: Pode exacerbar a dificuldade em engolir.

Alimentos de Difícil Deglutição: Consumir alimentos secos ou sólidos pode intensificar os sintomas.

Ausência de Tratamento Precoce: O agravamento da dilatação do esôfago.

Buscando um Diagnóstico

É importante procurar um gastroenterologista que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.

História clínica

A história clínica investiga a duração e intensidade dos sintomas, como disfagia.

Recolhe informações sobre perda de peso não intencional e dor torácica.

Pergunta sobre qualquer histórico familiar de condições esofágicas.

Exames complementares

A endoscopia digestiva alta permite visualização direta do esôfago e estômago.

A manometria esofágica mede a pressão dentro do esôfago, confirmando o diagnóstico.

Estudos radiológicos, como esofagograma, ajudam a avaliar o movimento dos alimentos.

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Comer devagar: facilita a passagem dos alimentos pelo esôfago.

Fazer refeições menores: reduz a quantidade de alimento acumulada no esôfago.

Beber água durante as refeições: ajuda os alimentos a avançarem pelo esôfago.

Medidas não medicamentosas

Acompanhamento com gastroenterologista: permite acompanhar os sintomas e definir o tratamento adequado.

Dilatação pneumática do esfíncter: ajuda a abrir o esfíncter para facilitar a passagem dos alimentos.

Miotomia endoscópica peroral: reduz a dificuldade de abertura do esfíncter, facilitando a passagem dos alimentos.

Tratamento medicamentoso

Nifedipina: ajuda a reduzir a pressão do esfíncter inferior, facilitando a passagem dos alimentos.

Aplicação de toxina botulínica: promove o relaxamento do esfíncter, facilitando a passagem dos alimentos.

Onde buscar mais informações?

Sites importantes

Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia (SBMDN): Informações sobre distúrbios da motilidade esofágica.

Instituto Nacional de Câncer (INCA): Para diferenciação entre acalasia e pseudoacalasia causada por neoplasias.

Livros/Documentos Orientativos

"Doenças do Esôfago", Drauzio Varella: disponível em algumas livrarias e bibliotecas.

"Seu Esôfago e Você": Livro educativo sobre distúrbios esofágicos, disponível em algumas bibliotecas médicas.

Referências

DANTAS, R. O. Comparação entre acalásia idiopática e acalásia consequente à doença de Chagas. Arquivos de Gastroenterologia, São Paulo, v. 40, n. 2, p. 126-130, abr./jun. 2003.

PESSOTI, H. V. et al. ACALÁSIA: DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E DESAFIOS CLÍNICOS. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 10, n. 8, p. 2445–2451, 2024. DOI: 10.51891/rease.v10i8.15291. Acesse aqui.

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