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Abuso de cocaína

Conheça os tipos de uso, os sinais e sintomas, os fatores que podem piorar o consumo, o diagnóstico e as opções de tratamento.

Editora: Vanessa MirandaRevisão técnica: Diogo Strauch Ribeiro, Médico Clínico Geral — CRM 5293516-6

O que é o abuso de cocaína?

É uma condição caracterizada pelo consumo repetido e excessivo dessa droga, causando prejuízos físicos, psicológicos, familiares, sociais e profissionais.

A cocaína é uma substância psicoativa estimulante que atua diretamente no cérebro, produzindo uma sensação intensa e rápida de prazer e euforia.

Com o uso frequente, o organismo passa a depender desses efeitos, aumentando o risco de desenvolver dependência química e diversas complicações à saúde.

O abuso não depende apenas da quantidade utilizada. Mesmo pessoas que usam cocaína ocasionalmente podem apresentar consequências importantes para a saúde, especialmente quando o consumo ocorre de forma repetida ou associado ao uso de outras drogas e bebidas alcoólicas.


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Efeitos da cocaína no cérebro

  1. Após ser consumida, a cocaína chega ao cérebro e interfere nos neurônios.

  2. Ela bloqueia a recaptação de neurotransmissores, esse bloqueio faz com que essas substâncias permaneçam por mais tempo atuando no cérebro.

Número de pessoas afetadas

Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas (UNODC), aproximadamente 25 milhões de pessoas utilizaram cocaína no último ano em todo o mundo.

O consumo vem aumentando nos últimos anos, principalmente nas Américas e em alguns países da Europa.

No Brasil, estima-se que aproximadamente 2,5 milhões de pessoas já tenham utilizado cocaína ou crack em algum momento da vida.


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A cocaína provoca aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial, contração dos vasos sanguíneos e maior sobrecarga do coração e do cérebro, aumentando o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte súbita.

Tipos de abuso de cocaína

1. Uso experimental

Ocorre quando a pessoa utiliza cocaína pela primeira vez ou em poucas ocasiões, geralmente por curiosidade ou influência social.

2. Uso ocasional

Caracteriza-se pelo consumo esporádico, normalmente em festas ou eventos sociais. Mesmo nessa fase já existem riscos importantes para a saúde.

3. Uso abusivo

É o consumo frequente que começa a provocar prejuízos na vida pessoal, familiar, escolar, profissional ou financeira, mesmo sem haver dependência estabelecida.

4. Dependência de cocaína

É a forma mais grave do transtorno relacionado ao uso da substância. A pessoa apresenta forte desejo de consumir a droga, dificuldade para controlar o uso, aumento progressivo das doses e continuidade do consumo mesmo diante das consequências negativas.

Sinais e sintomas

O abuso de cocaína pode provocar alterações físicas, emocionais e comportamentais que variam conforme a frequência, a quantidade utilizada e o tempo de consumo. Abaixo seguem os sinais e sintomas mais comuns: image


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Misturar cocaína com bebidas alcoólicas leva à formação de uma substância chamada cocaetileno, que aumenta a toxicidade para o coração e o risco de morte súbita.

O que causa o abuso de cocaína?

O abuso de cocaína não possui uma única causa. Diversos fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais podem contribuir para o início e a manutenção do consumo.

Predisposição genética: A vulnerabilidade ao transtorno por uso de substâncias pode ser influenciada por fatores genéticos, que interagem com fatores ambientais e de desenvolvimento.

Alterações nos sistemas de recompensa: O uso repetido de cocaína pode modificar circuitos cerebrais relacionados à recompensa, contribuindo para a manutenção do desejo e do consumo da substância.

Ansiedade: Transtornos de ansiedade e problemas relacionados ao uso de substâncias podem ocorrer conjuntamente, e sintomas de ansiedade também podem aparecer durante o uso ou a abstinência de cocaína.

O que faz piorar?

Continuar utilizando a droga regularmente; A manutenção do uso pode favorecer a continuidade do transtorno e dificultar a recuperação.

Aumentar a quantidade consumida; O aumento da exposição à substância está relacionado à progressão dos problemas associados ao uso de estimulantes.

Misturar cocaína com bebidas alcoólicas; A associação pode aumentar os riscos relacionados ao consumo, incluindo maior toxicidade cardiovascular, conforme também destacado no próprio PDF.

Associar cocaína a outras drogas; O uso combinado de substâncias pode aumentar a complexidade dos riscos e exigir avaliação de possíveis efeitos e interações entre elas.

Falta de apoio familiar ou social; O suporte social pode fazer parte do cuidado e da recuperação, enquanto sua ausência pode dificultar a continuidade do acompanhamento.

Não realizar tratamento; A ausência de cuidado pode deixar sem acompanhamento os problemas relacionados ao uso da substância e suas condições associadas.

Buscando um diagnóstico

É importante procurar um médico psiquiatra ou clínicos gerais que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.

O diagnóstico precoce é importante para evitar impactos negativos na qualidade de vida. Durante a consulta, o profissional investiga:

Quando a pessoa começou a usar cocaína;

Com que frequência a droga é utilizada;

Qual a quantidade consumida;

A forma de uso (aspirada, fumada ou injetada);

Se houve aumento da quantidade ao longo do tempo;

Quando necessário, podem ser solicitados exames complementares, como:

Exames de sangue e urina;

Teste toxicológico para detectar o uso recente da droga;

Eletrocardiograma (ECG), para avaliar o funcionamento do coração;

Tratamento

Mudanças de estilo de vida

Aumentar consumo de frutas e legumes: Uma alimentação adequada contribui para a manutenção da saúde e pode fazer parte das mudanças de estilo de vida durante a recuperação de pessoas que fazem uso de cocaína.

Interromper o uso da cocaína: A interrupção do uso é parte central do cuidado voltado ao transtorno por uso de cocaína e pode ser trabalhada com acompanhamento profissional e estratégias de recuperação.

Praticar atividade física: A atividade física pode integrar estratégias de recuperação e há evidências de benefícios relacionados à qualidade de vida e a aspectos do uso de substâncias.

Medidas não medicamentosas

Psicoterapia: Intervenções psicossociais, incluindo abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, fazem parte das estratégias recomendadas para transtornos relacionados ao uso de estimulantes, incluindo cocaína.

Atendimento em Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas: Os CAPS AD oferecem cuidado e acompanhamento para pessoas em situações relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas, com atuação de equipes multiprofissionais.

Terapia em grupo: O atendimento em grupo pode integrar o cuidado psicossocial e favorecer acompanhamento, apoio e desenvolvimento de estratégias relacionadas à recuperação.

Tratamento medicamentoso

Antidepressivos: Podem ser utilizados quando há sintomas ou transtornos depressivos associados, de acordo com avaliação clínica e considerando as características de cada pessoa.

Ansiolíticos: Podem ser utilizados para o manejo de sintomas de ansiedade em situações específicas, conforme avaliação profissional e considerando os riscos relacionados ao uso de substâncias.

Antipsicóticos: Podem ser utilizados quando há sintomas psicóticos ou outros quadros que indiquem seu uso, sempre mediante avaliação profissional.

Onde buscar mais informações?

Sites importantes

Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas - Ministério da Saúde: disponibiliza informações sobre prevenção, tratamento, redução de danos e políticas públicas voltadas ao cuidado de pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas. Também oferece materiais educativos para profissionais de saúde, pacientes e familiares. Disponível aqui.

Livros/Documentos Orientativos

Relatório Mundial sobre Drogas (UNODC): reúne estatísticas mundiais atualizadas sobre produção, tráfico e consumo de cocaína, além de tendências epidemiológicas e recomendações internacionais. Disponível aqui.

Fontes:

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2023.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.

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