É uma condição caracterizada pelo consumo repetido e excessivo dessa droga, causando prejuízos físicos, psicológicos, familiares, sociais e profissionais.
A cocaína é uma substância psicoativa estimulante que atua diretamente no cérebro, produzindo uma sensação intensa e rápida de prazer e euforia.
Com o uso frequente, o organismo passa a depender desses efeitos, aumentando o risco de desenvolver dependência química e diversas complicações à saúde.
O abuso não depende apenas da quantidade utilizada. Mesmo pessoas que usam cocaína ocasionalmente podem apresentar consequências importantes para a saúde, especialmente quando o consumo ocorre de forma repetida ou associado ao uso de outras drogas e bebidas alcoólicas.

Efeitos da cocaína no cérebro
Após ser consumida, a cocaína chega ao cérebro e interfere nos neurônios.
Ela bloqueia a recaptação de neurotransmissores, esse bloqueio faz com que essas substâncias permaneçam por mais tempo atuando no cérebro.
Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas (UNODC), aproximadamente 25 milhões de pessoas utilizaram cocaína no último ano em todo o mundo.
O consumo vem aumentando nos últimos anos, principalmente nas Américas e em alguns países da Europa.
No Brasil, estima-se que aproximadamente 2,5 milhões de pessoas já tenham utilizado cocaína ou crack em algum momento da vida.

A cocaína provoca aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial, contração dos vasos sanguíneos e maior sobrecarga do coração e do cérebro, aumentando o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte súbita.
Ocorre quando a pessoa utiliza cocaína pela primeira vez ou em poucas ocasiões, geralmente por curiosidade ou influência social.
Caracteriza-se pelo consumo esporádico, normalmente em festas ou eventos sociais. Mesmo nessa fase já existem riscos importantes para a saúde.
É o consumo frequente que começa a provocar prejuízos na vida pessoal, familiar, escolar, profissional ou financeira, mesmo sem haver dependência estabelecida.
É a forma mais grave do transtorno relacionado ao uso da substância. A pessoa apresenta forte desejo de consumir a droga, dificuldade para controlar o uso, aumento progressivo das doses e continuidade do consumo mesmo diante das consequências negativas.
O abuso de cocaína pode provocar alterações físicas, emocionais e comportamentais que variam conforme a frequência, a quantidade utilizada e o tempo de consumo. Abaixo seguem os sinais e sintomas mais comuns:


Misturar cocaína com bebidas alcoólicas leva à formação de uma substância chamada cocaetileno, que aumenta a toxicidade para o coração e o risco de morte súbita.
O abuso de cocaína não possui uma única causa. Diversos fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais podem contribuir para o início e a manutenção do consumo.
Predisposição genética: A vulnerabilidade ao transtorno por uso de substâncias pode ser influenciada por fatores genéticos, que interagem com fatores ambientais e de desenvolvimento.
Alterações nos sistemas de recompensa: O uso repetido de cocaína pode modificar circuitos cerebrais relacionados à recompensa, contribuindo para a manutenção do desejo e do consumo da substância.
Ansiedade: Transtornos de ansiedade e problemas relacionados ao uso de substâncias podem ocorrer conjuntamente, e sintomas de ansiedade também podem aparecer durante o uso ou a abstinência de cocaína.
Continuar utilizando a droga regularmente; A manutenção do uso pode favorecer a continuidade do transtorno e dificultar a recuperação.
Aumentar a quantidade consumida; O aumento da exposição à substância está relacionado à progressão dos problemas associados ao uso de estimulantes.
Misturar cocaína com bebidas alcoólicas; A associação pode aumentar os riscos relacionados ao consumo, incluindo maior toxicidade cardiovascular, conforme também destacado no próprio PDF.
Associar cocaína a outras drogas; O uso combinado de substâncias pode aumentar a complexidade dos riscos e exigir avaliação de possíveis efeitos e interações entre elas.
Falta de apoio familiar ou social; O suporte social pode fazer parte do cuidado e da recuperação, enquanto sua ausência pode dificultar a continuidade do acompanhamento.
Não realizar tratamento; A ausência de cuidado pode deixar sem acompanhamento os problemas relacionados ao uso da substância e suas condições associadas.
É importante procurar um médico psiquiatra ou clínicos gerais que realizará a avaliação considerando a história do paciente e os exames físicos e laboratoriais.
O diagnóstico precoce é importante para evitar impactos negativos na qualidade de vida. Durante a consulta, o profissional investiga:
Quando a pessoa começou a usar cocaína;
Com que frequência a droga é utilizada;
Qual a quantidade consumida;
A forma de uso (aspirada, fumada ou injetada);
Se houve aumento da quantidade ao longo do tempo;
Quando necessário, podem ser solicitados exames complementares, como:
Exames de sangue e urina;
Teste toxicológico para detectar o uso recente da droga;
Eletrocardiograma (ECG), para avaliar o funcionamento do coração;
Aumentar consumo de frutas e legumes: Uma alimentação adequada contribui para a manutenção da saúde e pode fazer parte das mudanças de estilo de vida durante a recuperação de pessoas que fazem uso de cocaína.
Interromper o uso da cocaína: A interrupção do uso é parte central do cuidado voltado ao transtorno por uso de cocaína e pode ser trabalhada com acompanhamento profissional e estratégias de recuperação.
Praticar atividade física: A atividade física pode integrar estratégias de recuperação e há evidências de benefícios relacionados à qualidade de vida e a aspectos do uso de substâncias.
Psicoterapia: Intervenções psicossociais, incluindo abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, fazem parte das estratégias recomendadas para transtornos relacionados ao uso de estimulantes, incluindo cocaína.
Atendimento em Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas: Os CAPS AD oferecem cuidado e acompanhamento para pessoas em situações relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas, com atuação de equipes multiprofissionais.
Terapia em grupo: O atendimento em grupo pode integrar o cuidado psicossocial e favorecer acompanhamento, apoio e desenvolvimento de estratégias relacionadas à recuperação.
Antidepressivos: Podem ser utilizados quando há sintomas ou transtornos depressivos associados, de acordo com avaliação clínica e considerando as características de cada pessoa.
Ansiolíticos: Podem ser utilizados para o manejo de sintomas de ansiedade em situações específicas, conforme avaliação profissional e considerando os riscos relacionados ao uso de substâncias.
Antipsicóticos: Podem ser utilizados quando há sintomas psicóticos ou outros quadros que indiquem seu uso, sempre mediante avaliação profissional.
Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas - Ministério da Saúde: disponibiliza informações sobre prevenção, tratamento, redução de danos e políticas públicas voltadas ao cuidado de pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas. Também oferece materiais educativos para profissionais de saúde, pacientes e familiares. Disponível aqui.
Relatório Mundial sobre Drogas (UNODC): reúne estatísticas mundiais atualizadas sobre produção, tráfico e consumo de cocaína, além de tendências epidemiológicas e recomendações internacionais. Disponível aqui.
Fontes:
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
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